Dei esta entrevista, via internet, para a Luisa Frey, lá do curso (Jornalismo/UFSC), para a Semana do Jornalismo que organizam e costuma ser em setembro.
Como sou muito boazinha, e acho que ficou boa, antecipo pra vocês!
1- O que caracteriza uma crônica?
A característica principal da crônica é justamente não ter nenhuma característica: tudo pode ser crônica. Discutíamos isso, uma vez, num grupo de cronistas amigos (de AN e DC) e chegamos à conclusão de que a única definição possível é a de que ela é um texto literário para jornal. Assim, como texto literário tem toda a liberdade de linguagem, estilo, temática; as limitações lhe vêm impostas pelo órgão que a divulgará que é, afinal, meio de comunicação de massa. Mas não se confunda crônica com coluna, façam-me o favor!
2 - A crônica é um gênero tipicamente brasileiro?
Não, não é. Há crônicas em outros países, com características diferenciadas. Aqui pertinho, no Uruguai, há um grande e popular cronista (com dois ou três livros de crônicas traduzidos no Brasil), que é o jornalista e escritor Eduardo Galeano. E brasileiro precisa parar com essa megalomania disfarçada de complexo de inferioridade, achando que tudo é melhor no Brasil, ou só existe aqui, poxa!.O que houve no Brasil é que ela atingiu uma popularidade muito grande, que não sei se tem em outros países.
3 - Por ser um texto curto, a crônica pode ser vista como um gênero inferior, algo fácil de se fazer?
Quem acha isso, que vá fazer!
4 - Na sua opinião, um romancista tende a ser mais valorizado que um cronista?
Ouvi muitas vezes do romancista e amigo Cristovão Tezza: todos amam um cronista, ninguém conhece um romancista. E olhem que o Tezza tem renome nacional! Mas o que se pode esperar num universo em que se lê pouco? Ele entregou os pontos, e está escrevendo crônicas para o Gazeta do Povo, de Curitiba (aliás, ótimas!). Minha experiência mostra que ser cronista dá uma visibilidade muito grande ao escritor. Depois que comecei a publicar no Anexo do AN, por exemplo, A Sapinha Meiga esgotou…E brinco sempre com isso, dizendo que não sei se as pessoas lêem o jornal, mas as crônicas lêem, com toda certeza.
4 - Qual o segredo de uma boa crônica?
Falar do universo que se conhece, com leveza, humor, afeto. E bronquear quando preciso, sim, porque há coisas que revoltam até o cronista mais bem-humorado do mundo…
5- Se quiser acrescentar mais alguma informação, será bem vinda.
O Antonio Candido, em seu artigo seminal sobre crônica, diz que a crônica apresenta a vida ao rés do chão, e seu grande mérito é fazer a literatura descer dos altos píncaros em que costuma se encastelar para a altura do leitor comum. E esta é uma função danada de importante: trazer um pouco de beleza e reflexão para a vida das pessoas, de uma forma que elas possam assimilar… e ter prazer com isso.
Adorei, Regina! Obrigada por dividir a sua sabedoria com a gente!
Beijos.
Puxa, gostei dessa de acharem que tenho sabedoria pra dividir, hehehe…Tenho é vivência e muita quilometragem por leituras e aulas.
beijinho, portuguesa!
(muitos autores novos, por aí?)
É isso aí! Gostei!
Beijos,
*CC*
Obrigada, Cláudio!
Parece que todo mundo quer aula sobre crônica, né?
Dei várias Oficinas sobre ela, na graduação, e continuo fazendo isso por aí, de maneira mais esporádica. É bem legal!
bj.
adorei, rê!
vou usar nas minhas aulas essas tuas palavras. como é difícil trabalhar com esse gênero! essa coisa do “tudo é crônica” nos deixa numa enrascada com a guriada, que só vendo! rsrs
beijão
de saudades.
í.ta**
ÀS ordens, querido.
Pissô é pra isso, né?
Pra socializar o que sabe… e expor dúvidas e problemas, a fim de procurar ajuda.
beijinho aí pra Xarraguá!
Adorei, Regininha!
Ficou muito boa a entrevista mesmo! E acho que a matéria também ficou legal, saiu até no observatório de imprensa: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=501DAC013
beijos,
Luisa
Legal, Regina! To aqui lembrando das nossas discussões por e-mail de outro dia, sobre esse assunto mesmo, hehe
Aleph:
este assunto dá discussões intermináveis. Haverá outras!
Luísa:
Puxa, que legal!Ficou ótima, tua matéria!
E esta entrevista rendeu mais: vou dar uma tele-entrevista pro pessoal da Unisul, dia 9. A professora leu, gostou e me convidou. Também lê minhas crônicas no An e tem gostado.Bom, né?
bj