O amigo que mora no sítio, na serra, está lendo o livro do Gabriel Gómez - A culpa é dos livros - que lhe passei. Liguei-lhe pela manhã, pra falar de outras coisas, e ele me contava do que tinha lido até ali. Gostou da minha apresentação, levantou que Gabriel, na sua, conta de sua timidez de conversar com Jorge Luis Borges, das vezes em que o encontrou na rua, em Buenos Aires. Numa delas, Borges sentado num banco, queixo apoiado na bengala, na pose eternizada em fotos, sua pose mais famosa.
Por causa da timidez, Gabriel se queixa de ter ficado sem nenhum livro com autógrafo de Borges. “Mais adiante, porém, ele conta que tem três obras autografadas”, diz o amigo. E respondo: foram comprados em sebo, o autógrafo não é dirigido a ele. Se não me engano, Borges apenas assinava, não se dirigia ao leitor, não colocava seu nome também. “Isso não fica claro”, diz o amigo. “Parece contradição”. Bem, vou ter que conferir, mas o livro está pronto, não dá mais pra refazer isso.
E exigente que só ele, também questiona minha revisão: deixaste passar duas vezes o mesmo cacófato: por cada, nesta apresentação do Gabriel.
E começamos a discutir a questão da cacofonia. As discussões mais recentes admitem ser cacófato apenas os casos em que a união das palavras postas em ação formar alguma obscenidade. Me guio por ela. Além disso, é a sonoridade, a eufonia, que dirige o julgamento. Digo “pur cada” e não acho nada demais no caso… Aquelas regras mais rígidas, que colocam “alma minha gentil que te partiste”, do Camões, como exemplo primeiro de cacófato, não estão mais em vigor.
Conversamos tempão sobre isso, mas não consegui convencê-lo: acha “por cada - porcada” inadmissível… É engraçado isso, como muitas das regras que se guiam pela eufonia - e o que soa bem pra um pode soar mal pra outro - acabam por criar uma zona penumbrosa, em que não se atende a todos os julgamentos. Ou, então, tem-se que ser tão rígido/a, que se vai desfazendo todas as possibilidades que apareçam de que se instaure um cacófato.
Gabriel é falante nativo do espanhol e as palavras pra ele, mesmo em português, possuem sonoridade diversa da que possuem pra nós. A Gabriel o amigo desculpa - questiona é o meu ouvido, hehehe…
Essa semana mesmo a cacofonia foi o assunto aqui em casa. Coincidência!!
Beijos e bom domingo!
Leilinha, minha flor, conta essa história, tá bom?
E quem sabe conseguimos marcar algo pra semana que vem?
O pintor veio trabalhar na minha porta do Mondrian, nada como um profissional: tá ficando linda!Sábado que vem ele vem dar a segunda mão, e no outro vem fazer os filetes em negro, pois tem que secar bem, para que o negro não vaze. Não pode vir durante a semana, e assim vem fazer devagar… Não é fácil ser Mondrian, hehehe…Mas até ele tá amando. Me dizia hoje, muito sério: quando fizer o filete em preto, as cores vão ter novo destaque, vai ficar muito bonito!
Vais amar!
bj, bom findis.
bj