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Me divertindo…

… e fazendo escândalo! Com quem? Com Hélio Schuch, a quem ainda chamo de “amado chefe”… Ele não é mais Chefe de Departamento,e  eu não sou mais chefiada de ninguém, mas o tratamento permanece.

Pois ontem à tarde saí de casa um pouco antes das duas, e fui pela Lauro Linhares em direção ao CIC - queria comprar ingressos para o Bolshoi de Joinville, que se apresenta aqui na sexta, dia 29. Tem feito dias lindos, e é gostoso caminhar ao sol, com essa temperatura amena.

Num ponto de ônibus, Hélio Schuch, impaciente, por causa do ônibus que não vinha. Ele numa calçada, eu do outro lado. Não me viu, a andar pra lá e pra cá, lançando olhares furibundos pro lado de onde o ônibus deveria vir.

- Hélio Shuch, grito eu, por cima dos carros que passam (a voz, a voz, não eu, hehehe…)

Ele me olha com a fingida cara de desagrado que sempre faz quando me vê:

- Que fazes aí, criatura? grito de novo.

E ele, naquele tom de voz de derrubar paredes que sempre usa:

- Tou indo trabalhar!

E aumentando ainda mais o volume:

- Porque eu trabalho, não sou como este bando de vadios que não trabalham!

E faz eco pra si mesmo:

- Vadios! Vadios! Vadios!

Paro do lado de cá, na pose de mané, mãozinhas na cintura:

- Aposentadinha, meu lindo! Morra de inveja!

E ele gostou do seu estribilho (ele sempre adora seus refrões, né?), e grita, mais alto ainda, se isso é possível:

- Vadios! Vadios!

Uma mulher pára, na entrada da Imobiliária Guerreiro, a nos olhar, escandalizada (quem serão esses dois a se ofender mutuamente? Devem se odiar!)

E eu pego seu mote:

- Ora, por que não vais a pé? Vadio és tu, querendo ir de ônibus!

E ele não desiste:

- Vadios! Vadios!

Saio rindo pra lá, ele fica rindo aqui… E nem nos passa pela cabeça explicar pra espectadora - ainda de boca aberta com o entrevero - que na verdade a gente se gosta muito…Ela que pense o que quiser!

Coisas da vida

Meu pai teve dois irmãos, a Lea, dois anos mais nova que ele e o Titinho, temporão. Titinho morreu na infância, por causas que jamais foram bem aceitas, nem digeridas: a empregada deixou-o cair da cadeira alta e escondeu o fato. Tinha fraturado a coluna… Era uma anjinho à moda dos Cascaes, lourinho, claro, cacheado, olhos azuis.

Tia Lea casou com Almiro Caldeira, funcionário do IBGE, e também escritor, como o pai dela. Tiveram quatro filhos, e o último batizaram de Tito, também, contra a vontade do “Velho”, o Tito Carvalho, que afirmava que era um nome que não nada sorte. E não deu: o Titinho Caldeira, também ele anjinho loiro e cacheado, morreu na infância…

Os primos Caldeira e eu convivemos muito na juventude, e Vânia, a mais velha, da mesma idade que eu, não desgrudava de mim. Nem eu desgrudava dela, é claro… Usávamos as roupas uma da outra, tínhamos que nos contar tudo, o mais breve possível, ríamos de tudo. Adolescentes. Só não estudávamos juntas, porque eu era uns meses mais velha e por conta disso tinha ingressado na vida escolar um ano mais cedo. E ainda bem, pois decerto fofoquearíamos o tempo todo, e nada de atenção nas aulas…

Daí fui morar em São Paulo, casei por lá, morei alguns anos no interior. Quando voltei, o tio era procurador da Sudesul, e tinha ido morar em Porto Alegre, os primos junto. Nos perdemos de vista. Fui fazer faculdade, com dois filhos pequenos, casa, marido, era uma barra. Formada, virei professora da UFSC, meu sonho. Ainda achava tempo e disposição para a militância petista…

Depois que o pai morreu, os contatos com o pessoal de POA ficou mais distante, pois a tia sofria ao me ver, se lembrando do irmão, com quem era muito ligada. Comecei a evitar vê-la. Imaginava que houvesse forte componente de culpa em seu mal-estar, porque ela não suportou enfrentar a doença do irmão, e todo seu acompanhamento foi feito apenas por mim… e foi muito barra pesada. É uma daquelas épocas da vida que a gente prefere nem lembrar.

Hoje, por causa da morte do tio, um ano atrás, e do lançamento de seu livro, retomo contato com os primos. E nos falamos como se jamais tivéssemos deixado de nos ver. Esta é uma das boas coisas da vida, os afetos que se mantêm, os laços que são tão fortes que não se desfazem pelo afastamento, qualquer que seja sua duração. Neste aspecto, não tenho queixas a fazer: recebo muito amor, tenho muito amor para retribuir… Gracias à la vida, que me ha dado tanto!

Caminhando e cantando…

… e seguindo a canção…

Depois de me zangar na academia, não fazer a musculação, e jurar só voltar depois que acabassem as Olimpíadas, não tive opção: caminhada de uma hora, no lugar da de meia hora… E saí de casa eram sete e quarenta e cinco. Manhã daquelas em que “cerração baixa, sol que racha”…

À medida que caminhava, a neblina ia sumindo, e o céu se anunciava de um azul perfeito. Terminal Integrado da Trindade, minha trilha para a avenida. Uma parte da classe trabalhadora vai para outros paraísos, mas uma boa parte dela vai chegando pro paraíso trindadense. Muita gente indo para e chegando do Titri. Acho que é o horário de maior trânsito humano naquela ruela que desce do Itaú.

Fui até o cemitério do Itacorubi cantando: vou voltar/ sei que ainda vou voltar/ para o meu lugar… Mas sem prestar atenção na paisagem, desta vez prestei atenção nas pessoas que caminham. Neste horário, muitas, de todas as idades, e de todos os sexos. (Há muitos deles, ‘cês sabem…)

Primeiro, uma senhora de seus quarenta e tantos, que caminhava engraçado: seus braços balançam na frente do corpo, não na lateral, coisa mais engraçada. Pensei: deve chegar em casa com os ombros doendo! Atrás dela, uma trintona, os braços balançando na lateral, mas longe do corpo, engraçado também…Me perguntei: será que os seios são muito grandes, o que explicaria? não, não são… Depois um homem moreno, jeito de operário, com os braços balançando naturalmente, e as mãos bem duras, bem esticadas - acho que este foi o mais inexplicável.

Homens de cabelos pintados, acho a coisa mais ridícula. Ao sol, a tintura fica evidente, e o desejo de mostrar este índice de juventude se mostra meio patético…Nas mulheres, normalmente de cabelos mais compridos, não é tão escandalosamente evidente, embora se note que é tingido.

Os mais jovens usam os MP3, roupas esportivas da hora e de grife, óculos escuros de último modelo. Nos mais velhos, roupas bem batidas, confortáveis apenas, desviadas para esse uso. Com as temperaturas mais quentes, as bermudas e shorts começam a aparecer. Vai-se andando, o sol se animando, de vez em quando alguém que se banha em perfume pra ir caminhar (à caça? já nesta hora?).

Na ponte sobre o canal do Mangue, um gay faz alongamento (sei que é gay, porque o conheço, não é pela graciosidade, não…). A seu lado, a bicicleta encostada na mureta, e como ele prioriza alongamentos de perna, deve tê-las sentido no decorrer do exercício. Mas seus movimentos são tão graciosos, que fico a olhá-lo com inveja: se alonga como se dançasse, fluidamente. Atrás dele, no canal, as graças das garças se exibem pelas árvores.

Ao lado de uma garça em branco total, um pássaro do mesmo tamanho, mas em cinza: que pássaro será? Saco do meu celular, e saco-lhes uma foto, pra mostrar pra alguém que possa identificar.

A neblina agora se espreguiça apenas nas encostas, e faz calor, afe Maria. Vai ser longo dia, e tenho que ir ao centro, ainda - na Livros & Livros, combinar o lançamento do livro da Jeanne… Aproveito pra passar na feira da Alfândega, e ver Vera e Egídio, e comprar mudas de ervas de tempero, na barraca ao lado, para pôr na janela da área de serviço…

Haja saco!

Não tenho nada contra quem goste de esportes, a menos que só saiba falar disso. Mas não dou a mínima para esportes. E morando sozinha e ainda como assinante de TV a cabo, posso me dar o luxo de passar longe… Não assisto a Copa de Mundo, não assisto a Olimpíada alguma. Fico sabendo das coisas porque sempre tem um chato ou outro que vem me contar. No mercadinho, uma me pergunta:

- A senhora não achou lindo o fulano ganhar medalha de ouro?

- Azar dele! digo eu, malcriada.

E a pessoa, espantada:

- Ora, Dona Regina, por quê?

- Porque se daqui pra frente não ganhar mais nenhuma, vão cair de porrada em cima dele…

Ontem fiz caminhada de meia hora até o dentista, no maior calor (e eu bestamente agasalhada…), pra repor restauração que tinha caído. Voltei a pé, encalorada, suada, morta de fome. Mas não entreguei os pontos: descansei um pouco, troquei de roupa, peguei a sacola especial com toalha e livro, e fui pra musculação.

Fiz os alongamentos direitinho, como manda o figurino. Peguei a sacola e fui me dedicar à bicicleta, pro aquecimento. Sento na dita cuja, regulo, e olho pra frente: Olimpíadas, e a todo volume. Ah, não! Os outros podem merecer e gostar, mas eu sem dúvida não mereço. Nos outros dias é o programa da Angélica… Pois começo a achar que Angélica é ótima, arre égua!

Peguei minhas coisas, e saí dando rabanadas! Perguntei pra menina da portaria: quando acabam as Olimpíadas? A tansa naturalmente não sabia. E eu:

- Pois quando acabar, eu volto!

Acreditam? Pois foi bem assim, e haja saco!Em compensação, hoje tenho que caminhar UMA hora inteirinha, pra repor o prejuízo…

O meu eu misterioso

O Fernando, lá da EdUFSC, me chamou um dia: vamos lançar o último livro do Almiro Caldeira, teu tio. E como ele faleceu neste tempo, a gente não sabia como fazer. Daí conversamos com o professor Alcides Buss, e ele disse que serias a pessoa indicada pra organizar tudo, pois és a única da família que lida com isso.

Eu adorava Tio Almiro, e respondi que estava bem, podiam contar comigo. Marcamos papo pra quando eu voltasse de viagem e ele das férias, e acertaríamos tudo. Voltei pra casa, anotei o que teria que fazer… e não consegui encaminhar nada. E fiquei me sentindo muito mal com a história.

Fui adiando, fui adiando. O pessoal da editora foi para a Bienal do Livro, em Sampa,e eu dando graças a Deus por mais este prazo. Mas chateada comigo mesma, poxa! Afinal, o tio merece, e o que me custa?

Esta semana, sonhei com o lançamento. Me pediram para apresentar o livro e eu, que jamais chorei em público, me ponho a chorar no meio da fala. Eu e José, o único ainda vivo, dos seis irmãos do tio. Poxa, queríamos que ele estivesse, como é que poderia não estar? Que graça tem, em fazer desse jeito?

Acordei do sonho chorando, e percebi que a dor da perda estava sendo muito maior do que estava querendo admitir. A dor admitida, o que meu consciente não queria fazer, assimilado o fato, agora já posso encaminhar as tratativas todas. Já posso fazer as pazes comigo mesma. Vai doer, sim, mas eu agüento…

E isso sempre me espanta, a capacidade que a gente tem de ocultar certas coisas até de si mesmo(a). Inclusive eu, tão ferozmente analítica, e tão franca sempre sobre meus sentimentos. Há sempre mistérios a serem desvendados, o que torna este convívio conosco e as conversas com nossos botões uma coisa que pode nos surpreender, a cada passo. E isso é muito bom, especialmente para quem escreve. Até dentro de mim há material a ser desvendado, até entrar dentro de mim mesma pode ser uma aventura, trazer descoberta nova…

Dropes da semana

* Foi semana pra ninguém botar defeito, daquelas aceleradas, que matam a gente no cansaço…

* Na segunda o marceneiro veio terminar meu quarto. Pôde trabalhar até só um tanto, porque às seis não se pode mais fazer barulho, no condom, e ele precisava usar a furadeira pra acabar de instalar os lambris. E trouxe as mesinhas de cabeceira, lindas! Agora o quarto tem lambris fazendo as vezes de cabeceira, é quarto de lady inglesa, mas com sapos, hehehe… Meu lado criança queria quarto com cara de Verde Charco, e juro que ficou! E só outros sapinhos podem entrar lá… e coaxar à vontade!

* Daí que o quarto foi terminado na terça. Jair saiu daqui às três da tarde, deixando aquela bagunça atrás de si… e uma quantidade imensurável de pó. Tinha convidado Sabrina e Tadeu pra jantar, desistindo de ir ver a apresentação do Renato Tapado,tão cansada estava… Varri, passei pano, tirei pó com pano úmido, guardei um pouco das coisas - porque agora tenho armários, e que maravilha que é ter armários, puxa!

* Fiz strogonoff de peito de frango (receita light!), salada, arroz… Tadeu trouxe duas cervejas, só duas heineken, como pedi. Na véspera eu tinha precisado dormir no sofá, o quarto aquela bagunça, e o vento assobiou tanto ao redor da sacada, que dormi muito pouco… Tava meio arriada, mas faladeira como sempre. Sabrina tinha trabalhado muito, tava exausta, também. E Tadeu é outro madrugador, e também entrega os pontos cedo, ao menos durante a semana. Os dois são a companhia ideal: tranqüilos, inteligentes, gostam de programas tranqüilos, preferem locais onde se possa conversar. Me fazem bem.

* Quarta eu só queria dormir… Mas não conseguia, tal o cansaço. Fui arrumando armário, reorganizando tudo, mas funcionando na base do piloto automático. Cansada demais, dormi mal - sempre durmo mal, quando fico exausta.

* Quinta, amanheci pior, mas era dia de faxina. Dorli veio às oito, como de costume, e deu aquele trato profissional no apê. Fui a pé até o Angeloni Beiramar, pra fazer um doc no caixa do Banrisul, pra descobrir que ele não faz doc… Mas à tarde troquei a musculação por uma soneca… E fiquei dormitando o resto do dia, e dormi umas oito horas seguidas, à noite… AFE, até que enfim… E no quarto pronto, meu verde Charco particular, limpo, lindo, perfumado, gostoso…

* Ter armários novos é uma maravilha, mas a gente não acha mais nada - pelo menos enquanto não memorizar os novos locais de cada coisa. Muita coisa separada pra ir embora: não se usa mais? Ou dá pra alguém, ou põe no lixo. Às vezes dói, mas é sensação boa, de estar recomeçando.

* A sexta começou às seis, com muito trabalho. E acupuntura às nove. E acupuntura me faz um bem danado!

* Fui à locadora, devolver Na natureza selvagem, ali pelas cinco e meia. Entrava no condom, quando encontrei vizinho que saía, vestindo a jaqueta, perfumado que só… Pensei: puxa, hoje eles está pro crime, e conquista quem quiser. E daí lembrei que hoje é sexta. Puxa, e eu de castigo em casa? Que nada: dei meia volta, dei pulinho ali na Padaria do Júnior, trouxe uma heineken - só uma… Boa sexta pra nós! Vou assistir a Criminal Minds, me dêem licença!

Suicida mais uma vez

Alberto me disse: precisas voltar pro orkut. Há umas comunidades sobre o João Bosco que são muito interessantes. Me viu franzir o nariz, e sabia que eu tinha me “sucidado” do orkut, anteriormente, porque não via nada de aproveitável nele, a não ser saber dos aniversários… E tinha encontrado uma comunidade muito boa, apenas uma, sobre Chomsky.

Estou sendo injusta: é um bom método para recadinhos rápidos pros amigos, e mais nada. Aprendi com a Francis, que aprendeu com o Joel: “scrap bom é scrap apagado”. Recebo, leio, respondo, apago. Nada de deixar que venham xeretear minha página, a menos que seja aviso de algum evento, divulgação de algum link,coisas assim.

Pois voltei ao orkut, as tais comunidades não tinham nada que interessasse - parece que este termo significa coisas diferentes para Alberto e para mim… Ia sair, mas num dia aparece um amigo novo, alguém que eu tinha perdido de vista e de quem gosto muito; no outro sou eu que acho alguém na página de amigo comum, e vou convidar para ser meu amigo, e assim vai… Fui ficando, usando apenas para trocar recados, e brincar um pouco com as minhas próprias fotos. Confesso francamente que a vida dos outros me interessa muito pouco, a menos que seja relevante de alguma maneira, ou que a pessoa a torne assim - e a de quem se expõe no orkut dessa maneira, menos ainda… Não são personagens, podes crer, jamais entrarão em livro meu.

Daí conversava com amigo que sai de fase deprê. Espirituoso, brincalhão, contava que tinha ido lá e se suicidado no orkut. E eu ri: um bom sucedâneo! E depois fiquei morrendo de inveja. Cuméquipode? Ora, imitei bonito: fui lá e caí fora. ORKUT, Adeus!

Que alívio!

* Um amigo que se diz “analfabeto em inglês” me pede a tradução daquele trecho da letra de Keep the customer satisfied que eu estava cantando ontem. Traduzi, mandei. Em seguida , pensei bem e acrescentei explicação que achei necessária: há um fator característico deles (dos americanos), envolvido. O narrador da canção é mandado embora pelo “Deputy Sherif”, o xerife do condado, que comanda legalmente o condado, e é eleito pelos contribuintes. Não há figura correspondente, no Brasil. Assim, nesse contexto, “customer” é contribuinte. Depois considerei que poderia lhe mandar uma tradução já pronta, da letra toda e fui ao Google procurar. Confesso que não achei graça: fiquei escandalizada. Horríveis, horríveis. Começa que traduzem “customer” por freguês… Quando não há regência em inglês, ela desaparece em português, também: “Everywhere I go”, por exemplo, ficaria “Cada lugar aonde eu vá…” pela norma, mas imaginem se esses caras sabem que o verbo IR exige a preposição A, ou se empregam, em algum momento, o subjuntivo… Não sabem inglês, não conhecem a cultura local, pior: não sabem nem português, afe Maria! Que você use o tradutor, tudo bem, pode facilitar. mas depois, pô, dê uma revisada, né?

* No início da noite, liguei para o Michael. Queria notícias de Marcelo. Por coincidência, naquele momento Michael estava com ele, no hospital. Passou o celular pra ele, e Marcelo estava falando mole, meio grogue dos remédios, decerto. “Regininha, tou com saudades de você!” É, este é o Marcelo que conheço… Foi muito bom sabê-lo bem, animado, fazendo piada de si mesmo: “É, estes atletas noturnos… Viu no que deu?”

* Speck veio jantar, trouxe um vinho de São Bento. Tinha peixe e camarão, mas tomamos um pouco do vinho tinto. Como já disse o Ingmar Bergman, a regra pode ser vinho branco com frutos do mar, mas o tinto fica melhor na cena… Era para falarmos de João Bosco, mas falamos de tudo: projetos, TCCs, mestrado, menos do “Na onda que balança”… E Speck prometeu mandar sua contribuição para minha leitura/escuta do CD ainda esta semana, por email. Se não cumprir, é só eu atravessar o corredor que separa nossos prédios, e ir puxar-lhe as orelhas…

* Estou em fase de “desconstrução” do apê. Ontem pus cadeira na sacada, o pufe em sua frente. Vamos ver se funciona, como área de leitura. Se ficar legal, compro poltrona (tem que ser pequena, pra caber ali…) e me instalo. É iluminado, tem as plantinhas (ainda poucas, mas logo serão mais…), pode ser agradável. E passei no estofador, ali ao lado das Casas da Água. Queria saber quantos metros de tecido são necessários para trocar o forro de meu sofá. Estou indo a Brusque, dou pulinho numa das grandes lojas de lá. Já me deu o preço do serviço, o que é bom: dá para se planejar mais facilmente. Revolução no apê da Regininha- e muita revisão de tudo que há dentro. Há coisas que não uso nunca, estou repassando. Há coisas que deveriam estar no lixo. E há tesouros que estavam escondidos, guardados em algum lugar fora do alcance desses olhos distraídos… Voltaram à vista, voltaram ao uso. É bom. Muita mudança, dentro e fora. Esperemos sempre que seja para melhor.

* Meu quarto está irreconhecível. Daquele moquifo com armário velho e pequeno, lençol velho na janela, ganhou estante enorme na parede maior, guarda-roupa ótimo na outra. Ganhou cortina, tapete, quadros, pintura. Pusemos lustre verde, um tom mais escuro que o da parede, quase do tom da cortina. Na cama, o edredom de sapinhos que trouxe de Jaraguá, uma almofadinha perfumada (cidrão!) da Farmácia de Manipulação. Meu lado criança. Que bom que ele existe… Por causa dele, meu quarto virou Verde Charco, e há sapinhos coaxando por ali, querendo virar história, o tempo todo.

* Se a mudança foi para melhor? Mas sem dúvida: tenho prazer em arrumar, tenho prazer em estar dentro, tenho prazer em inventar moda. Jair ligou ontem: está terminando o resto do quarto. Quando eu voltar de Brusque , ele vem instalar os lambris que funcionarão como cabeceira da cama-box e trará as mesinhas de cabeceira. E daí o quarto estará completo, e começo a atacar a sala. Bem animadinha!