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Diário da Paraíba: o rei morreu?

(Cabo Branco visto da Ponta do Seixas - foto minha)

O rei morreu? Viva o rei!

As moças da casa chegaram do Recife logo após as 20 horas. A Cris-filha ia dar aula pela manhã, quis ficar em casa, preparar tudo e dormir cedo. A Cris -visita e eu tínhamos fome, resolvemos sair. Por sugestão da moradora local, fomos à Filipéia (que nome!) na esquina da Epitácio com a avenida da praia.

Boteco bom, serve petiscos e a cerveja estava geladíssima, com direito a história do garçon, sobre cliente que vai lá com termômetro para conferir a temperatura da cerveja. “Mediu a da ceveja no copo, estava a zero grau, perfeita. Foi medir a do chope, deveria estar a 5 graus, estava a 8. Perdemos pontos”, riu ele.

 Pedimos camarão alho e óleo, veio miúdo, bem feito, uma delícia, e iscas de peixe - dourado, traveis, que este povo adora, parece. No meio do papo, carros e mais carros buzinando e desfilando à frente, imensa carreata, bandeiras vermelhas com o número 15.

Será que foi jogo de futebol? Não, não pode ser, o futebol aqui é inexpressivo. Perguntamos para alguém do bar (um rapaz que descobrimos ser de Santos) e ele explicou que o TSE tinha cassado o mandato do atual governador, do PSDB, o Cássio  Cunha Lima, e de seu vice, e em seu lugar iria assumir o segundo colocado nas eleições, atual senador, o Zé Maranhão, do PMDB.

Cássio caiu, Zé Maranhão no poder. Rei morto, rei posto. E daí chegou um trio elétrico, e a bagunça prosseguiu animada. A Cris-visita, que é graduada em História e doutora em Ciência Política, dizia: “somos testemunhas de um momento histórico!”

E fico matutando: fica meio confuso, ‘cês não acham? Um estado chamado Paraíba com um governador chamado Maranhão? 

 

Diário da Paraíba: a Epitácio

(Praia de Cabo Branco, João Pessoa - a foto é minha)

O nome oficial é Avenida Presidente Epitácio Pessoa. Como diria o Ed Mort, está na placa. Todo mundo simplifica,  e vira apenas Epitácio, a Epitácio. Do lado de cá ( de cá, porque é onde estou), fica Cabo Branco. Do lado de lá, Tambaú. Serve de indicação pra tudo, e é onde está o Supermercado Pão de Açúcar, há pizzarias, botecos, locadoras, postos de gasolina.

Para quem vem pela praia, é fácil de identificar: há um treiler da PM na esquina, plantão das 8 da manhã às 23 horas. Para quem vai de dentro para a praia, também: duas pistas largas, canteiro alto no meio. Congestiona muito em horário de pico, mas é bem mais tranqüila ao longo do dia.

Achei dentista por ali: caiu restauração de dente. Fui lá hoje pela manhã, marcar consulta. e a secretária, em ritmo nordestino, me deixou tempão esperando. Na TV, escolhia-se modelo dentre cinco gurias de uma favela de Aracaju.A secretária levando muito a sério… Éramos eu, esperando pra falar com o Dr. Jerônimo, um senhor de uns 70, e um pai de uns 50 com o filho já crescido.

Daí quando alguém do júri me sai com a pérola: louvável a persistência dessas moças, não resisti e caí na risada. “Puxa, gente, eu não fui persistente o bastante, fiquei só deste tamanhico” (A única característica gabada das moças é que todas tinham mais de 1,70…). Transformei a sala de espera numa pândega e meus colegas também me garantiram que não tinham sido muito persistentes,   e começaram a explicar as formas como alguém de biotipo brevilíneo poderia ter a tal da persistência. Muito divertido!

Pois no caminho para o caixa do BB em Tambaú, parei para tomar um picolé artesanal de castanha em um carrinho, debaixo daquele sol de rachar. Não sei se era o picolé, ou o calor, mas tava uma delícia. E a simpatia do gurizinho que vendia, a me enumerar a lista toda: cajá, graviola, castanha, amendoim… e por aí afora, também ajudou.

Historinha contada pela Cris: ela foi com colega que é daqui ao Palácio da Justiça, pra fazerem uma pesquisa. Nas paredes, retratos de desembargadores, com os nomes. Noutra parede, dos governadores. Cris foi espiar, e percebeu uma coisa interessante: Colega, a maior parte desses desembargadores tem o mesmo sobrenome teu. E este governador, também. A colega olhou a foto do governador, e disse, sorrindo, carinhosa: Voinho! Gozação da Cris (mané não perde chance, ‘cês sabem): e depois te ofendes quando dizem que és da oligarquia local… E a colega, tão gozadora quanto: decadente, decadente…

Milagres acontecem:acertei pôr foto no post. Pior: foi fácil. Aleph: eu me amo, eu me amo!

Dropes do mês, acho…

Não sei o Rosa inventou, ou se é algum provérbio mineiro, mas ele escreveu que cada um tem seus seis meses… A Velha Tida repetia provérbio: desgraça pouca é bobagem…

Primeiro dou com o quengo na mesinha, quebro os córnu, quase um mês pra me livrar das marcas e do trauma. É duro dar de cara, literalmente, com essa vulnerabilidade toda, ficar sem sair, sem vontade de mostrar os vestígios do desastre por aí, e pior, ter que ficar explicando. Em seguida, sistema imunológico em baixa, uma gripe de ninguém botar defeito, que a gripe é oportunista, e se aproveita desses momentos.

E foi mais uma semana de resguardo, que acabou não custando muito: chovia que era um horror, não dava mesmo ânimo de sair. E eu tava voltando de semanada em Xarraguá, onde fui muito bem tratada, como sempre, estava afetivamente alimentada. Aproveitei, descansei, fiquei na preguiça, e acabei achando que - repetindo ainda os clichês da Velha Tida! - há mesmo males que vêm pra bem.

Pois há. Mudei ritmo de vida, estou mais devagar, assuntando melhor, organizando melhor, me desligando mais, lendo mais, pesando tudo mais vezes. E fazendo meus balanços, numa lucidez danada. Que coisa boa que é! Dolorosa, às vezes, pois havia algumas coisas e pessoas de que estava relutando em me desligar, em lhes dizer adeus, e vi que já podia, sim. Sofrendo, é claro, mas não se pode ter tudo, é preciso fazer escolhas.

Mexendo em escritos e armários, achei a história da Sereiazinha do Ribeirão, desprezada em prol da saparia toda. É tão bonitinha! Tou trabalhando nela de novo, passando pra terceira pessoa o que estava em primeira, e adorando fazê-lo.

Com três livros pra sair, e demoram sempre um bocado, pra que pressa com os outros? Posso fazer do meu jeito, trabalhando e retrabalhando, até ficar como deve ser. O dos poetas, também: achei o tom, finalmente. E ouço João Bosco: Sábios costumam mentir/ Isso por força do amor por você aprendi/
Não é que ame apesar  do absurdo de amar / Mas justamente porque é absurdo sem par

E vivam João e seu Zona de Fronteira!

Viver tá bom de novo, e eu adoro!E é claro que o site oficial do João estar pronto, e meus artigos estarem lá, bem como a Ângela prometeu que estariam, ajudou de monte, né não?

No salão

Em termos de freqüentar salão de beleza, tenho duas fases distintas. São tão distintas, mesmo, que as apelidei de “fase madame” e “fase faxineira”. Ando em fase madame, toda semana vou lá, cuidar de pés e mãos e, uma vez por mês, dar uma acertada no corte, com o Felipe.

Quando voltei da Paraíba com este corte Joãozinho, Felipe não se conformava. Habituado a manter meus indisciplinados cabelos grisalhos dentro de um chanelzinho bem comportado, ele reclamava o tempo todo. E eu, sendo esta senhora fina que sou, dizia: cabeleireiro hétero é a pior coisa que tem! Gosto dele assim, Felipe, não reclama e corta. E ele cortava, resmungando. Mas, água mole em pedra dura… Um dia cansei do corte, estou deixando crescer de novo, fiz Felipe feliz!  Demora um pouco pra se acertar, estava muito curto, mas tá começando a tomar jeito.

Alguns amigos têm criticado, porque o cabelo mais comprido deixa os fios brancos mais evidentes, e me deixa mais velha, segundo eles. Me deixa com cara de 70, pergunto. E eles: não,cara de 60, mesmo… Pois então; tenho 62, né não? E com cara da idade que tenho, no problem… Acho lindo ter 62, estar assim animada, cheia de pique, cheia de projetos,  e não pretendo pintar os cachos nem nada. Gordinha, grisalha, feliz - tá melhor que a encomenda, não me incomodem com bobági!

Felipe é o cabeleireiro, o salão se chama Fio a Fio, e funciona agora ali em frente ao Frango & Fritas. Estive lá ainda há pouco. Tinha marcado manicure e pedicure, mas quando cheguei Felipe estava livre, pedi: se estás devoluto, vamos dar uma aparada aqui nesta beirada de rancho! E a Cida , a pedicure: não é mais rabo de marreco? (foi minha última reclamação…) E eu: não, isso está superado, agora tá fazendo beirada de rancho, fica virando aqui nas pontas…

E manicure e pedicure estão me arreliando faz tempo: querem que pinte minhas unhas de vermelho, justo eu que costumo só passar base incolorzinha…  Quando muito, um cintilante discreto por cima. A farra que elas fazem com isso é tão grande, que prometi que no meu aniversário eu deixaria que pintassem de vermelho… E daí elas tripudiam,  vão lá dentro, voltam com o vermelho mais horroroso que já vi na minha vida, e garantem que não vou escolher, não, e vai ser AQUELE vermelho.

O pior é que as pestes não esquecem; e hoje elas queriam saber quando é o aniversário. Quando souberam que vai ser em julho de 2009, voltaram à carga: não, a sra. tem que pintar de vermelho já, que é pra arrumar namorado…

E eu:  vamos combinar de outro jeito - eu arrumo namorado, e venho aqui pintar de vermelho. Mas vermelho-tomate, não!  Tem que ser outro tom!

Elas não dão sossego:ah, e seremos nós a pintar e TIRAR o esmalte, nada de a sra. ir pra casa e limpar as unhas, não! Trato é trato!

E como não custa nada entrar no clima, jurei que estava saindo e indo à caça. Mas elas iam jurar que abririam vaga na agenda pra mim, qualquer que fosse a afluência… ai, mo deuzi, amanhã terei que pintar minhas unhas de vermelho!

Dia 6…

Suponho que se aposentar, pra quem detesta o trabalho que faz, seja um alívio. Para quem gosta, porém, pode ser um grande problema, uma angústia, uma coisa que não saiba bem como administrar.

Eu gostava de ser professora. Ser professor de texto - o que implica ensinar também a ler  e até a pensar, segundo o Othon Moacir Garcia - é, além de trabalhoso, meio monopolizador demais, às vezes.Dava um trabalho insano, mas era uma disciplina em que se via os alunos crescendo, coisa mais linda. Entre os textos que eles faziam no início do semestre letivo, e os do final, uma diferença FDP…

Só que, para escolher um conto pra usar em sala, a gente lê muitos; idem com crônicas, com reportagens, com poemas, até com os famigerados romances que habitavam minhas famosas listas de leitura do semestre, uma pra Redação VI, outra pra Redação VII. Minha cabeça tentava outros vôos, mas não sobrava mais nem muito tempo, nem muita energia. E eu queria desesperadamente escrever minhas coisas.

Assim, me aposentei. E abandonar uma atividade, um ritual, os hábitos e ambientes de mais de 30 anos (da graduação, iniciada em 1975, até a aposentadoria, foram 32 anos de UFSC) cobra seu preço: a pessoa fica solta demais, meio perdida, e leva meses até se acostumar com o novo estilo de vida. E apesar dos projetos todos, fiquei meio de barata tonta: corria daqui pra lá, começava uma coisa aqui, outra lá, e não engrenava direito com nada.Me sentia muito só, às vezes, acostumada a estar sempre rodeada de gente. E escrever é atividade muito solitária, a maior parte do tempo

Fui fazendo novos amigos, de fora da universidade. Fui estabelecendo novos contatos. Fui criando uma vida nova, que pudesse ser tão produtiva e satisfatória quanto aquela tinha sido. O blog ajudou, e ajudou bastante: me fez criar o hábito cotidiano de produzir alguma coisa em termos de escrita, de divulgar alguma coisa, de sentar aqui  quase todo dia, e trabalhar com regularidade.   Me fez companhia.

Agora, quero aproveitar isso. Para tocar em frente os projetos primeiros, prejudicados por este longo período - mais um! - de adaptação… Quem interagiu com ele também ajudou bastante, me fazendo exercitar respostas, pensar em pautas, divulgar eventos, botar o cérebro a funcionar de forma mais azeitada. Mas é o cachorrinho de que fala o Tezza: exige demais, exige mais do que  poderia ser possível eu manter por tanto tempo, sem trazer prejuízo para as atividades que necessitem de estudo, leitura dedicada, escritura mais focada. Agora, vou cuidar disso.

A finalização do livro dos cronistas me levou a um pique muito agradável, especialmente pelo resultado alcançado. Agora chegou a vez do resto - a de ser uma escritora de livros, “apenasmente” e com muita alegria, mesmo sabendo que vai haver angústias, incertezas, buscas que não conduzam a descobertas, mas que sempre ensinam alguma coisa, especialmente a encontrar novos caminhos.

Dia 7…

O livro sobre a atual crônica catarina na mãos dos editores, ontem tive dia de relax… e de preparação para o que está por vir. Pela manhã fui a pé até a UFSC, para entregar os originais na EdUFSC (cópia encadernada em papel e outra em cd-rom) e é sempre bom rever o pessoal. Não sinto falta, mas não me desagrada ir até lá, e dizer oi pro povo, que sempre me faz a maior festa, até a meninada do xerox. Quem manda ser expansiva e bagunceira, né?

Depois do almoço, uma soneca - coisa que nunca faço, pois ando sempre a mil… - e depois outra caminhada, até o CIC. Desta vez até a Fundação Catarinense de Cultura, FCC, pra me informar sobre editais que estão pra sair, e concedem financiamento para publicação. E já que estava por lá, passo na Oficina de Artes, pois sei que a Inês Mafra fica por ali, na segunda, enquanto Alice faz suas artes…

Em casa, vou juntando tudo que anda espalhado, por conta do que estava sendo feito, e pondo na mesa de jantar:  pilha enorme para dar jeito, hoje, antes de começar a fazer nova pilha, hehehe… E como separar papel, guardar livro, responder email , olhar o blog acabam cansando, fui olhar a programação de TV:argh! LOST ninguém merece! Quer saber? Não vou ler nada agora, vou sair pra caminhar, na volta termino o livro do Dunning.

Na esquina do Chico encontro Galeno, que voltava da Quorum. Fazia tempão que não nos víamos, sentamos ali no cachorro quente,  enquanto ele devorava um cheese imenso e eu tomava uma cervejinha (tomei meu copo todo, mais o dele, hehehe…) e fomos pondo o papo em dia. A explicação sobre eu deixar o blog começou ali, e terminou com Aleph, que me ligou mais tarde.

Se manter um blog em termos de escrever os posts não toma tanto tempo, PENSAR nele, selecionar coisas, decidir o que fazer e responder os comments toma tempo, sim, mas este não é o maior problema: o grande problema é que aluga demais a cabeça. Tenho DOIS romances começados, tenho um livro de poemas perdido em algum canto deste computador, tenho dois livros a mais sobre a atual literatura catarina a serem encaminhados, tem um outro projeto mais antigo de ensino de redação através das crônicas do parceirinho Flávio José Cardozo que precisa apenas ser revisado… Preciso liberar a cabeça, a questão é apenas esta. O Tezza escreveu um dia, não lembro onde, quando lhe cobraram criar um blog: manter um blog é como ter um cachorrinho.Você é obrigado a alimentá-lo, dar-lhe água, fazer carinho, levar pra dar uma volta todo santo dia. Por mais gratificante que seja, em termos de afeto, toma tempo demais, exige atenção demais, desvia a gente de coisas que nos são mais importantes, naquele momento.

Este blog não vai ser extinto: as crônicas serão postadas às quintas, como sempre. Passarei de vez em quando, para moderar os comments.  Postarei os eventos que considerar importantes. Se quiser divulgar algo mais, farei isso. Mas sem compromisso, sem regularidade, sem ser obrigação cotidiana. Simples assim. Farei balanço: as coisas boas e as ruins desse período. É isso.

Dropes da Semana

* Recadinho do presidente da Academia Catarinense de Letras e ex-colega de departamento, Lauro Junkes:

”    Uma boa notícia, pode passá-la em primeira mão. Hoje aprovamos, no Conselho Estadual de Cultura, a concessão da MEDALHA DO MÉRITO CRUZ E SOUSA a Cristóvão Tezza, entre outros. Ele será comunicado oficialmente para recebê-la no dia 24 de novembro, dia de Cruz e Sousa. ”

Fico feliz pelo Tezza, que sem dúvida merece! E continuo com os dedos cruzados, torcendo para que também leve Jabuti e Portugal Telecom!

* O pessoal que está fazendo a Oficina de Contos que a Academia está oferecendo e assistiu à minha palestra sobre criação de personagem na quinta, 18/9, começa a mandar os textos que foram encomendados, e também a entrar no blog e interagir. Muito legal!

* Roubaram a moto vermelha do Rubens da Cunha! justo agora que ele ia me levar para um passeio pela ilha, no verão… e que eu tinha criado coragem de enfrentar a aventura… Não me conformo!

* E não tenho notícias do Jair Francisco Hamms, que participou da mesa na Academia, junto comigo e com o Flávio José Cardozo. Ao vir para a palestra, Jair não viu corrente na calçada, em frente ao shopping Beiramar. E caiu de queixo no chão. O pessoal do shopping atendeu, fizeram um curativo, e recomendaram que fosse ao médico ou ao hospital, pois precisaria de uns pontos. Responsável em excesso, Jair veio cumprir seu compromisso, primeiro. Mas o queixo não parava de sangrar,e ele começou a se sentir mal.    Teve que sair. Eu tinha que pegar seu telefone com a secretária, mas na balbúrdia da despedida, acabei esquecendo. Agora queria saber dele, e vou apelar para alguns dos outros acadêmicos.

* A Izabela Liz, editora do Anexo do AN, avisa que já está com a autorização dos ilustradores para que eu use suas “artes” no livro com minhas crônicas. Manda pelo malote do jornal, em nome do Fifo Lima. Fifo foi meu aluno no Curso de Letras,  temos ótimas memórias de trabalho para criação do Centro Acadêmico Livre de Letras e de dias passados em papos e banhos de mar, junto com a Vera Aquino, lá na casa de Cachoeira do Bom Jesus. Pois não é ótimo que seja ele a me passar este material?

Conhecem civilidade?

O Aurélio define civilidade como “conjunto de formalidades observadas entre si pelos cidadãos em sinal de respeito mútuo e consideração.” (p.333)

Esta semana houve dois episódios que me deixaram bem indignada. No primeiro, me contive; no segundo, perdi a paciência, mas dentro de certos limites. Me permiti protestar, sabendo que depois iria pesar, só que não queria mais uma vez levar a indignação a me bater no estômago…

O primeiro causo: entrei no mercadinho, como sempre brincando com as galegas e os meninos que trabalham lá, todos uns amores. Fui escolher geléia dietética, queria a de uva, e estava lá embaixo, pelo fundo. Tirei as de cima, peguei a que queria, pus as outras por cima. E uma delas escorregou e plaft!, se espatifou no chão. Ainda brinquei: ai, meninas, fiz um desastre.

E uma histérica que passava a meu lado se pôs a dizer, na maior angústia: não fui eu! não fui eu! Fiquei muito puta! O que estava achando, a retardada? Que eu iria culpá-la? Chamei em voz alta, mas calma: Diego, anota aí, quem quebrou a geléia foi Dona Regina. E ainda repeti o “mea culpa” no caixa. Mas me senti mal, porque fiquei pensando no tipo de vida que pode ter alguém tão completamente encagaçado ( o termo é esse, em bom português), que ao menor imprevisto entra em estado de histeria completa… Afe maria, não queria estar no lugar dela, seria melhor morrer, fora de brincadeira…

O segundo causo: a agência do Banco do Brasil aqui do lado tem sete caixas ali na frente. Os dois primeiros são pra depósito, o seguinte pra cheques. Os outros todos pra saques. Vou quase sempre perto das oito, porque não há quase movimento. Caso não haja ninguém, me encaminho pro último caixa, pra não atrapalhar ninguém, principalmente os cobradores da Transol, que vão pegar notas de 2,00 e 5,00. E hoje fui lá não para sacar, como de hábito, mas para depositar um cheque em minha conta.

Preenchi o envelope, lacrei, e fui pro caixa adequado. Em ambos, alguém pagando contas. No primeiro, um rapaz; no outro, uma moça… Os outros caixas todos desocupados. Me encostei na pilastra, me dispondo a esperar. Notei que o rapaz tinha vários boletos na mão; a mulher, não. Mas ela meteu a mão na bolsa, e tirou várias contas amarelinhas da Celesc. Pensei: ou essa mulher não paga a luz há meses (mas não, não pode ser, não se pode pagar conta vencida assim desse jeito) ou paga as contas da família toda.

Daí me indignei. Mas tentei segurar. Não ia calar a boca, não, pois era um abuso. Falei: escutem, meus amores, vocês notaram que estão monopolizando os únicos caixas pra depósito com seus pagamentos, quando há mais cinco deles desocupados?

Pois a mulher virou bicho! Respondeu, na maior grosseria: não havia ninguém quando entrei aqui,e  a senhora fica tendo chiliques! E eu : não estou tendo chiliques, moça. Estou fazendo uma reclamação justa.

O rapaz: poderia ter pedido com educação! Ora, eu pedi com educação, moço.O mínimo que se pode esperar dos outros, aqui, é um pouco de civilidade… e de inteligência. Mas ele encerrou sua parte ali, e mudou de caixa, mesmo que de cara feia.

Ora, a mulher estava estressada por estar fazendo aquilo, até entendo. Mas vir com a desculpa de que não havia ninguém só mostra um tipo habitual de comportamento de quem não pensa no que faz… nem se preocupa com os outros. Ali é comum que não haja ninguém num primeiro momento, e dali  a um minuto há fila… E toda aquela estupidez só mostra a arma habitual de quem se defende aos coices quando se vê apanhado em falta, principalmente quando não tem razão. Eu não tinha sido grosseira, ela estava sendo. E eu não poderia ter chiliques com ela, mas ela poderia perfeitamente ser estúpida comigo do jeito como foi, mesmo eu sendo a idosa que sou…

E tem um aspecto que me assusta, nessa história toda, que é observar que os jovens são cada vez mais mal-educados. E, para piorar, as mulheres são, muitas vezes, bem mais grosseiras que os homens… Depois voltei chateada pra casa, pensando que havia gastado o termo civilidade com eles, que obviamente não sabem o que é… nem irão ao dicionário procurar.