Descobri o método perfeito para me animar a sair à noite, depois de um dia de trabalho intenso e solitário: convido alguém pra ir junto, tiro os ingressos, crio a obrigação de ir. Pro Bolshoi, a companhia foi Aninha Tezza, que faz mestrado na UFSC. Fã de música e dança contemporânea, Aninha nunca tinha visto - ao vivo, ao menos - um espetáculo de dança clássica, estava meio relutante, mas curiosa.
O Teatro Ademir Rosa lotou, um público bem diverso daquele do show do Luiz Melodia. Pro Melodia, um número muito grande de pessoas de meia idade - os que têm acompanhado a carreira do “Melô” desde seu início. Pra Escola do Bolshoi, muitas famílias, muitas crianças, um astral bem diferente.
O início se dá com a projeção de vídeo institucional sobre a Escola. Bem feito, bonito, alunos sendo entrevistados - e alguns com seus depoimentos e o de seus pais chegam a nos comover.Muitos são crianças de famílias pobres, e vêem na Escola, com imensa gratidão, uma oportunidade não só de exercitar talento e arte, mas de nova oportunidade de vida.
“Chopiniana” foi a primeira peça apresentada. Harmoniosa composição em branco, com uma linda melodia, figurino simples, mas naquela leveza do tule, de muito bom gosto. O público entende da arte: aplaude na hora certa, inclusive no final dos solos, o que nem sempre acontece nos concertos.
A piéce de resistence, porém, é o “Quebra-Nozes”. Tchaicóvski é sempre feliz, mas esta é composição saltitante, variada, de ritmo variado. E a alternância de etnias - uma graça os chineses, por exemplo - torna-o agradável para qualquer tipo de público, mesmo o menos habituado ao ballet. Há um momento em que são três crianças que dançam, e o pessoal se derrete: que gracinhas! E os solos permitem que cada um mostre suas capacidade, e este jogo entre conjunto e solista torna a variedade ainda mais gostosa de ver.
Aninha adorou: pelo bom gosto, pela beleza, pela música (ela adora Tchaicóvski!). Saímos as duas levíssimas, numa noite de sexta-feira, encerrando com muita beleza uma semana de muito trabalho e muita produção…E eu perdi o lançamento do livro do Salim Miguel, mas ele sem dúvida vai me perdoar: o motivo foi muito justo…
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