Archive for the 'Letras de música' Category

A vida tem sempre razão

(Vinicius de Moraes / Toquinho)

Tem dias que eu fico
Pensando na vida
E sinceramente
Não vejo saída
Como é por exemplo
Que dá pra entender
A gente mal nasce
Começa a morrer
Depois da chegada
Vem sempre a partida
Porque não há nada
Sem separação

Sei lá, sei lá
A vida é uma grande ilusão
Sei lá, sei lá
Só sei que ela está com a razão

A gente nem sabe
Que males se apronta
Fazendo de conta
Fingindo esquecer
Que nada renasce
Antes que se acabe
E o sol que desponta
Tem que anoitecer
De nada adianta
Ficar-se de fora
A hora do sim
É um descuido do não

Sei lá, sei não…

A whiter shade of pale

A composição é de Sarah Brightman. Tocou na rádio, há pouco,  com Johnny Rivers. Mas fez muito sucesso, também com Procol Harum, lembram? Não sou de ter crises de saudosismo, mas das belas canções, sem dúvida tenho!

A Whiter Shade Of Pale
Sarah Brightman

We skipped the light Fandango
Turned cartwheels ‘cross the floor
I was feeling kind of seasick
But the crowd called out for more
The room was humming harder
As the ceiling flew away
When we called out for another drink
The waiter brought a tray

And so it was that later
As the Miller told his tale
That her face, at first just ghostly
Turned a whiter shade of pale

She said there is no reason
And the truth is plain to see
But I wandered through my playing cards
And I would not let her be
One of the sixteen vestal virgins
Who were leaving for the coast
And although my eyes were open
They might just as well’ve been closed

And so it was that later
As the Miller told his tale
That her face, at first just ghostly
Turned a whiter shade of pale

Keep the customer satisfied

(de Simon and Garfunkel)

Gee but it’s great to be back home
Home is where I want to be.
I’ve been on the road so long, my friend,
And if you came along
I know you couldn’t disagree.

Its the same old story
Everywhere I go,
I get slandered,
Libeled,
I hear words I never heard
In the bible
And I’m one step ahead of the shoe shine
Two steps away from the county line
Just trying to keep the customers satisfied,
Satisfied.

Deputy sheriff said to me
Tell me what you come here for, boy.
You better get your bags and flee.
Youre in trouble boy,
And youre heading into more.

It’s the same old story…

Agnus sei

Esta é uma canção da dupla imbatível João Bosco e Aldir Blanc. AMO! (a dupla, e esta canção também!)

Pro pessoal que não estudou Latim, nem assistiu missa em Latim, esclareço que Agnus Sei faz trocadilho com “Agnus Dei” = “cordeiro de Deus”, que se usa como referência a Cristo. “Agnus sei”, pois, vai ser igual a se saber cordeiro (”Agnus sei que sou também…” diz a letra). Ao mesmo tempo, remete para todo o texto religioso: “Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós”. João gravou pela primeira vez no lado B daquele compacto famoso com Tom: Tom Jobim e um de tal João Bosco. Gravou de novo em alguns de seus discos posteriores. E Elis Regina deu um banho com ela, também…(Elis sempre dava um banho, né?)

Agnus sei

Faces sob o sol, os olhos na cruz
Os heróis do bem prosseguem na brisa na manhã
Vão levar ao reino dos minaretes
A paz na ponta dos arietes
A conversão para os infiéis
Para trás ficou a marca da cruz
Na fumaça negra vinda na brisa da manhã
Ah, como é difícil tornar-se herói
Só quem tentou sabe como dói
Vencer satã só com orações
Á andá pa catarandá que deus tudo vê
Á andá pa catarandá que deus tudo vê
Á anda, ê hora, ê manda, ê mata,
Responderei não!
Dominus dominium juros além
Todos esses anos agnus sei que sou também
Mas ovelha negra me desgarrei
O meu pastor não sabe que eu sei
Da arma oculta na sua mão
Meu profano amor eu prefiro assim
A nudez sem véus diante da santa-inquisição
Ah, o tribunal não recordará
Dos fugitivos de shangri-lá
O tempo vence toda a ilusão

Bom dia, tristeza (a canção)

(Composição: Vinicius de Moraes / Adoniran Barbosa)

Bom dia, tristeza
Que tarde, tristeza
Você veio hoje me ver
Já estava ficando
Até meio triste
De estar tanto tempo
Longe de você

Se chegue, tristeza
Se sente comigo
Aqui, nesta mesa de bar
Beba do meu copo
Me dê o seu ombro
Que é para eu chorar
Chorar de tristeza
Tristeza de amar

Eu e o rio

Usei um verso desta canção na crônica dessa quinta, 22/5, e por causa disso fiquei com ela rodando na cabeça… Acho muito bonita!

O autor é Luiz Antônio, e quem cantava era Miltinho.

Eu e o rio

Rio, caminho que anda

que vai resmungando

talvez uma dor

Ah, quanta pedra levaste

quanta pedra deixaste

sem vida e amor

Vens lá do alto da serra

o ventre da terra

rasgando sem dó

Eu também venho do amor

com o peito rasgado de dor

e tão só…

Não viste a flor se curvar

teu corpo beijar

e ficar lá pra trás

Tens a mania doente

de andar só pra frente

não voltas jamais

Rio, caminho que anda

o mar de espera

não corras assim

Eu sou um mar que espera

alguém que não corre

pra mim…

Coisas de Noel Rosa

Esta história é contada pelo violonista Henrique Cazes, no CD Sem Tostão - a crise não é boato (Canções de Noel Rosa), editado pela Kuarup. Cazes , neste CD, acompanha a cantora Cristina Buarque, irmã do Chico.

” Sendo Noel um grande boêmio, um cara que gostava de viver nas ruas, nos botequins, ele fez logo amizade com muitos motoristas de táxi, que às vezes levavam ele pra casa, às vezes emendavam com outra farra, ou às vezes levavam ele pra namorar alguma moça no Juá.

E Noel foi percebendo aos poucos que havia um motorista de táxi chamado Malhado, e o Malhado era cantor de serestas, era metido a dar o famoso dó de peito, e gostava de cantar falsas canções com palavras difíceis, rebuscadas e tal, que ele não entendia absolutamente o que significavam.

Noel foi percebendo aos poucos o estilo do Malhado, e compôs uma canção especialmente pra ele, ensinou, e combinou com ele pra lançar numa seresta pras duas filhas de um coronel lá em Vila Isabel. Chegaram embaixo do sobrado do coronel e Noel disse que ia ficar lá do outro lado da rua, pra dar o devido destaque à voz do Malhado.

Feriu o tom, e lá saiu o Malhado:

Saí da tua alcova

Com o prepúcio dolorido

Deixando teu clitóris gotejante

De volúpia emurchecido

Porém o gonococos da paixão

Aumentou minha tensão…

O coronel levantou atirando , Malhado saiu correndo, chegou na esquina lívido. Noel já estava esperando, e perguntou pra ele:

- O que houve, Malhado?.

- O cara saiu atirando, não entendi nada…

E Noel, sem perder a pose, disse pra ele:

- Pra você ver, Malhado, o que é a falta de sensibilidade das pessoas!”

Insensatez

De Tom Jobim e Vinicius de Moraes, esta canção é de 1961. Mas diz tudo pra mim, neste exato momento, 47 anos depois…

Insensatez

A insensatez que você fez

Coração mais sem cuidado

Fez chorar de dor

O seu amor

Um amor tão delicado

Ah, porque você foi fraco assim

Assim tão desalmado

Ah, meu coração, quem nunca amou

Não merece ser amado…


Vai meu coração ouve a razão

Usa só sinceridade

Quem semeia vento, diz a razão

Colhe sempre tempestade

Vai, meu coração pede perdão

Perdão apaixonado

Vai porque quem não

Pede perdão

Não é nunca perdoado