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Bom dia, tristeza (a canção)

(Composição: Vinicius de Moraes / Adoniran Barbosa)

Bom dia, tristeza
Que tarde, tristeza
Você veio hoje me ver
Já estava ficando
Até meio triste
De estar tanto tempo
Longe de você

Se chegue, tristeza
Se sente comigo
Aqui, nesta mesa de bar
Beba do meu copo
Me dê o seu ombro
Que é para eu chorar
Chorar de tristeza
Tristeza de amar

Eu e o rio

Usei um verso desta canção na crônica dessa quinta, 22/5, e por causa disso fiquei com ela rodando na cabeça… Acho muito bonita!

O autor é Luiz Antônio, e quem cantava era Miltinho.

Eu e o rio

Rio, caminho que anda

que vai resmungando

talvez uma dor

Ah, quanta pedra levaste

quanta pedra deixaste

sem vida e amor

Vens lá do alto da serra

o ventre da terra

rasgando sem dó

Eu também venho do amor

com o peito rasgado de dor

e tão só…

Não viste a flor se curvar

teu corpo beijar

e ficar lá pra trás

Tens a mania doente

de andar só pra frente

não voltas jamais

Rio, caminho que anda

o mar de espera

não corras assim

Eu sou um mar que espera

alguém que não corre

pra mim…

Coisas de Noel Rosa

Esta história é contada pelo violonista Henrique Cazes, no CD Sem Tostão - a crise não é boato (Canções de Noel Rosa), editado pela Kuarup. Cazes , neste CD, acompanha a cantora Cristina Buarque, irmã do Chico.

” Sendo Noel um grande boêmio, um cara que gostava de viver nas ruas, nos botequins, ele fez logo amizade com muitos motoristas de táxi, que às vezes levavam ele pra casa, às vezes emendavam com outra farra, ou às vezes levavam ele pra namorar alguma moça no Juá.

E Noel foi percebendo aos poucos que havia um motorista de táxi chamado Malhado, e o Malhado era cantor de serestas, era metido a dar o famoso dó de peito, e gostava de cantar falsas canções com palavras difíceis, rebuscadas e tal, que ele não entendia absolutamente o que significavam.

Noel foi percebendo aos poucos o estilo do Malhado, e compôs uma canção especialmente pra ele, ensinou, e combinou com ele pra lançar numa seresta pras duas filhas de um coronel lá em Vila Isabel. Chegaram embaixo do sobrado do coronel e Noel disse que ia ficar lá do outro lado da rua, pra dar o devido destaque à voz do Malhado.

Feriu o tom, e lá saiu o Malhado:

Saí da tua alcova

Com o prepúcio dolorido

Deixando teu clitóris gotejante

De volúpia emurchecido

Porém o gonococos da paixão

Aumentou minha tensão…

O coronel levantou atirando , Malhado saiu correndo, chegou na esquina lívido. Noel já estava esperando, e perguntou pra ele:

- O que houve, Malhado?.

- O cara saiu atirando, não entendi nada…

E Noel, sem perder a pose, disse pra ele:

- Pra você ver, Malhado, o que é a falta de sensibilidade das pessoas!”

Insensatez

De Tom Jobim e Vinicius de Moraes, esta canção é de 1961. Mas diz tudo pra mim, neste exato momento, 47 anos depois…

Insensatez

A insensatez que você fez

Coração mais sem cuidado

Fez chorar de dor

O seu amor

Um amor tão delicado

Ah, porque você foi fraco assim

Assim tão desalmado

Ah, meu coração, quem nunca amou

Não merece ser amado…


Vai meu coração ouve a razão

Usa só sinceridade

Quem semeia vento, diz a razão

Colhe sempre tempestade

Vai, meu coração pede perdão

Perdão apaixonado

Vai porque quem não

Pede perdão

Não é nunca perdoado

Gabiroba

Para vocês conhecerem  ao menos a letra, tão cheia das gaboribas…

Trio Parada Dura

Meu boi bebeu, gabiroba
Lá no bebedouro, gabiroba.
Meu chapéu caiu, gabiroba
Meu amor apanhou, gabiroba.

Se eu pudesse escrever n’agua, gabiroba
Como escrevo no papel, gabiroba
Eu tinha seu nome escrito, gabiroba
Na pedra do meu anel, gabiroba.
[bis]

Meu boi bebeu, gabiroba
Lá no bebedouro, gabiroba.
Meu chapéu caiu, gabiroba
Meu amor apanhou, gabiroba.

Menina me da um beijo, gabiroba
Só não quero no pescoço, gabiroba
Quero na ponta da mama, gabiroba
Num lugar que não tem osso, gabiroba.
[bis]

Meu boi bebeu, gabiroba
Lá no bebedouro, gabiroba.
Meu chapéu caiu, gabiroba
Meu amor apanhou, gabiroba.

Plantei cravo, plantei rosas, gabiroba
Pra atender toda a nação, gabiroba.
Sei que vai nascer uma flor, gabiroba
Dentro do seu coração, gabiroba.
[bis]


Ainda a Gota d’água…

A letra de Bem-Querer, do Chico Buarque, especialmente pro Inácio:

Quando o meu bem querer me vir
Estou certa que há de vir atrás
Há de me seguir por todos
Todos, todos, todos os umbrais

E quando o seu bem querer mentir
Que não vai haver adeus jamais
Há de responder com juras
Juras, juras, juras imorais

E quando o meu bem querer sentir
Que o amor é coisa tão fugaz
Há de me abraçar com a garra
A garra, a garra, a garra dos mortais

E quando o seu bem querer pedir
Pra você ficar um pouco mais
Há que me afagar com a calma
A calma, a calma, a calma dos casais

E quando o meu bem querer ouvir
O meu coração bater demais
Há de me rasgar com a fúria
A fúria, a fúria, a fúria assim dos animais

E quando o seu bem querer dormir
Tome conta que ele sonhe em paz
Como alguém que lhe apagasse a luz
Vedasse a porta e abrisse o gás