(Andei em fase assim, agora estou em fase assada, infelizmente… Mas gosto do que foi feito na fase assim!)
De palavras sou feita
E só com palavras
Sinto e gozo
Se de puta me chamas
Choro
Chuto
Negaceio
Mordo
E depois, exausta,
Me entrego
E deixo que me pises
Uses
Lambuzes
De nomes sujos
Te apelido
e correspondo
à paixão
Mas se de puta
me tratas
já saímos prum leito
não de redondilhas
pétalas rosas
mas espinhos também
porque é prazer demais
que nos faz
partilhar outro prazer
e mais um
e mais outro
até o fim desta noite que é nossa
feita de algo que não se sabe o que seja
(pro Renan)
Tem sentidos fortes
O uso entrega
Carnalidade, lama
Boceta, greta, falo
Dedo, clitóris, porra
Pênis, prepúcio, língua
Respiração louca
Orgasmo
Perseguição
Deste prazer
Que se esgota ali
(mas outro virá
No insaciável querer)
Desejo tão grande,
Quase dor
Corpos se atraem
Se fingindo desatentos
Um do outro
Assim como as palavras
Em seu cio
Poético
Quando foder é lindo
E o prazer, sublime e eterno.
redescobrir o doce
no lamber das línguas
(Gonzaguinha)
Hoje vou me dar
este luxo
de estar triste
vestir preto
ter olheiras
molhar de lágrimas
lenços e travesseiro.
Amanhã
visto estampado
sandália de tiras
passo batom
perfume doce
e vou
redescobrir
a vida
que tiraste
sem dizer
Amanhã
mato a sede de um viúvo
ensino coisas pra criança
quem sabe até
jogue no bicho…
e dê borboleta
na cabeça.
A sombrinha se abre
a um vento que não existe
(nem a saia levanta)
e leva a mundos em que
tudo, tudinho, tudico
só pode ser doce
hasta dolores,
sino dolores…
Já se tentou ser
Louise Brooks
Rita Haywoord
Gloria Swanson
Greta Garbo
Heddy Lamar
até mesmo
Beth Davies
a malvada,
canastrona e genial
Mas não há physique
nem psique
du rôle:
Julie Andrews
é o par:
Mary Poppins
sou
supercalifratagilist
e nada spiralidoso…
Meu lugar é vida
em jardim de infância,
doce, barulhenta
romântica
doces de nenúfar
sonho de beija-flor
gerâneos na janela
e nada
nadica
nadíssima de tormentos…
The sound of music
com edelweiss
de música de fundo
e seu adeus
cheio de melancolia:
but always
“happy to meet me”.
supercalifralisticspiralidoso…
I’m very happy to
meet me
dona de mim de novo
e de minha vassoura
mágica.
Sem sombrinha que voa…
supercalifragilistic
mas não spiralidoso…
“Parte: não te separas! Que jamais
Sairei de tua imagem.”
(Elisabeth Barret Browning)
Parte: te separa.
De cada momento
em que nos amamos
(leito ou não leito,
prazer ou não prazer)
que nos fique
esta lembrança assim leve,
assim floating,
assim talvez doída,
porque não se repete,
não se repetirá.
Seremos dois,
a ilusão perdemos de ser um,
o andrógino perfeito,
a conexão de cada hora, cada instante,
desfeita pelo olhar que não olha,
pelo sonhar que não sonha,
pelo tocar de outra pele,
pela cor que é outra cor
que não aquela
pela melodia alegre que entristece,
pela cama desfeita na solidão,
pelo odor que resiste
mas não está na página do livro
que não se vai abrir…
Parte: te separa!
Parte: não te separas!
Jamais sairei da tua imagem,
Jamais da minha imagem sairás.
Afinal, sou e és,
seremos,
não seremos talvez,
mas somos…
Bom dia, tristeza…
Me tira da cama
me dá uma surra
me faz desistir
de tentar qualquer coisa…
Bom dia, tristeza…
me deixa na cama
me faz desejar
tudo que não posso
tudo que não vem
tudo que não é…
Bom dia, tristeza…
Vem, sorri pra mim,
com tua boca de monstro
castrador e mau
Vem, sorri pra mim,
me deixa sozinha
sabendo que será
para sempre assim.
Bom dia, tristeza…
Por favor, me devora!
FINAL
Pense bem
nos homens mortos
mulheres violadas
o aperto no peito
a humilhação continuada
a traição inesperada
o abandono
respire fundo
e vá em frente
Pense bem
No choro abafado
no desejo insatisfeito
nas contas a pagar
nas promessas não cumpridas
na ironia
na dor
respire fundo
e vá em frente
Pense bem
na esperança renascida
no homem interessado
na festa de sábado
no aumento de salário
no livro premiado
na vida por viver
Pense bem:
cortar os pulsos
pode ser
a solução.
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