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Wire in the blood

Aprecio muito algumas séries de TV, especialmente as policiais. E, dentre elas, muito especialmente as que se detêm sobre a violência e o crime com maior seriedade (e talvez menos glamour) que as de maior popularidade. E ontem assisti a um episódio excepcionalmente bom de Wire in the Blood, no Brasil intitulada Rastros de maldade.Este é Rastros de Maldade, o filme, porque feito para o cinema. Mas é curto: 89 minutos.

As personagens de Wire In The Blood se baseiam em personagens de Val McDermid, que aqui trata de um psicólogo clínico e professor universitário, o Dr. Anthony Hill, vivido por Robson Green. Nos primeiros episódios ele fazia dupla com uma detetive, Carol Jordan, interpretada por Hermione Norris.Posteriormente sua parceira passou a ser Alex Holding, feita por Simone Lahib, a partir da série quatro. Mas isso é modo de dizer, porque Hill é consultor, não é policial,e entra em casos mais difíceis, normalmente de assassinos em série ou estupradores em série.

Apenas os dois primeiros episódios, “Mermaids Singing” e “Shadows Rising”, são baseados em livros de McDermid; os outros são de outros autores. Apesar disso, o segundo episódio da série quatro, “Torment”, é uma adaptação de um romance do autor inicial, intitulado “The Torment of Others”. No Brasil, ele costuma ser exibido pela HBO, mas tenho assistido a alguns episódios no Cinemax e no Cinemax Prime.

O episódio levado ao ar pelo Cinemax Prime, ontem, se chamava “Prayer of the bone”. Nele, o dr. Hill - sempre desajeitado, angustiado … e brilhante, of course - vem a uma cidade do Texas, Luther, fronteiriça com o México. Vem a serviço da promotoria, para servir de consultor no julgamento de um morador local que havia assassinado esposa e filhos,e Hill já havia analisado o mesmo cara em Londres. O assassino, veterano do Iraque, ia conseguindo se safar de acusações por usarem sempre a justificativa de estresse pós-traumático, por sua condição de veterano de uma guerra particularmente cruel. E como Hill não é muito de aceitar o que está posto, acaba por se envolver numa trama que não consegue entender de início, mas que vai investigando até o final satisfatório, também of course.

O que me agradou, neste caso, foi a adaptação feita - tratando das sujas políticas e estreitas mentalidades de um sul preconceituoso e suas mentalidades retrógradas. Muito bom, inclusive por sair dos seus cenários e personagens habituais e mostrar (não muitas) externas belíssimas do Texas. Os diálogos são ótimos, há surpresas a todo momento, e o desempenho de Green é sempre - para dizer o mínimo - extremamente correto. Há alguns momentos em que há cenas meio pesadas, mas tudo temperado por aquela elegância britânica, nada da crueza exagerada e sensacionalista que costuma habitar as séries americanas. Não trabalha com análise estereotipada de mentes criminosas, como se faz em Criminal Minds ( do qual gosto muito, apesar disso. E me divirto um bocado com a paródia que o AXN faz , nas suas chamadas). E já fui na programação da TVA, olhar os horários de outros episódios e agendá-los bonitinho, para não perder nenhum. Um ótimo entretenimento, para quem gosta do gênero.

Este mesmo “Prayer of the bone” repete dia 13, às 15:15; dia 16, às 11:00 e dia 19, às 15 horas. Sempre no MaxPrime.

As preferências da blogueira

E não me venham com maliciazinhas, não, que não vou falar de namorados,seus xeretos!

Vou falar da TV, e dos poucos programas e séries a que assisto. Listados como estarão aqui, vai parecer que não saio da frente da TV, mas minha assistência é meio indisciplinada, assim como eu mesma. Na maioria, policiais, que adoro tanto em livros como em filmes. E, vamos e venhamos, as séries policiais na TV são mesmo ótimas; algumas delas, ao menos. Por causa disso, virei fã do AXN (que repete a programação em blocos diários de oito horas), e alguma coisa no FOX. No A&E também passa, aos domingos, com repeteco no decorrer da semana, série interessante, chamada Numb3ers, muito, muito legal - nela, a Matemática é utilizada, com suas teorias, para auxiliar na solução dos crimes. Não sei se aprendi alguma coisa de Matemática: a forma como ela aparece ali talvez não seja lá muito verossímil prum matemático, mas pros leigos torna o bicho-papão da nossa vida escolar algo pra lá de legal. Simpático à beça, dá até vontade de ir pesquisar aquelas teorias todas…

Há mais de um tipo de série policial - de um modo geral, uma dramática, ou séria, se preferem, e outra apelando mais pro cômico. Às vezes essa variação se dá de um episódio pra outro da mesma série, com a mudança de roteirista, ou mesmo um roteirista só se mostrando… Há umas mais lights: Women Murder Club, por exemplo, ou Bones. E outras mais pesadas. Sou fã de carteirinha de Criminal Minds, que só vejo em repetição, pois passa nas sextas, às 20 horas, meu horário de boteco, na happy hour com tio Clóvis, Tadeu, Sabrina, Adriane, Amanda (que tem sete aninhos, e só vai de refri…) e quem mais aparecer.

Tenho duas favoritas: CSI-Miami, pela feiúra ruiva do David Caruso e seu pescoço torto (uma menina um dia entra lá e quer falar com “o homem do pescoço quebrado”, hehehe… Nada como autotexto gozador!) E pesa também a beleza cheia de mar e rios de Miami, e a qualidade da fotografia e dos cenários. Me divirto com toda a elegância das viúvas que acabaram de enterrar o marido, elas inconsoláveis, mas usando vestidos tomara-que-caia, very sexy, e muita maquiagem e penteados em estilo pirua… Variam muito os casos, alguns envolvendo a própria pessoa dos investigadores, e isso os torna mais próximos do telespectador. De um modo geral são atores canastrões, tornados populares por características não muito previsíveis, que vão sendo aproveitadas ao longo de seu desenvolvimento.

E aquela que me deixa rosnando quando perco algum episódio é Law&Order - Criminal Intent, mas aquela com Vincent D’Onofrio e Kathryn Erbe (tem um outro com Chris Noth, o Mr. Big de Sex and the city). D’Onofrio faz um investigador muito neurótico, Goren, mas brilhante, especialista em comportamento, uma coisa fantástica. Emprega soberbamente Psicologia Aplicada com sua observação de postura corporal, e é absolutamente improvável a maneira como sabe tudo a respeito de tudo - mas é ótimo vê-lo em ação. Em um dos episódios se confronta com uma criminosa tão brilhante em análise comportamental imediata (meio forçado, isso…) quanto ele - e seu duelo intelectual é fantástico, embora cruel ao extremo.

Só que tem um CSI que também sabe tudo: é Grissom, do CSI original, que se passa em Las Vegas. É um entomologista, um especialista em insetos, feito aquela criatura maravilhosa que foi o compositor Paulinho Vanzolini. E isso significa que gostar de insetos não depõe contra ninguém; afinal, eu sou essa Regininha maravilhosa que ‘cês conhecem, e adoro filmes de terror… O problema é que abusam um pouco das anatomias, dos cortes, recortes do legista, um humor que é meio nojento, e que ninguém merece. Quem gosta daquilo, faça o favor de ir se tratar, pois tem problemas MUITO SÉRIOS!

Fugindo disso, porém, dos policiais, fui um dia cair, por acaso, em série nova da HBO bolada e dirigida por Rodrigo García, filho do Gabriel García Márquez. Os roteiristas são muitos, e variados. O guri tem feito ótima carreira na terra do tio Sam, e já vi um longa seu simplesmente bom demais. Tinha visto já algumas propagandas da série, mas franzi o nariz e não fui assistir. Chama-se Em tratamento, In therapy, e fugi de início porque já fiz muita psicoterapia, neurótica assumida que sou, e não estava com saco. Um dia parei ali de paraquedas, sem saber o que era. O diálogo era muito bom, a atuação dos atores muito especial e sensível, e descobri que são quatro clientes, cada um em seu dia fixo da semana, e um dia para o terapeuta fazer seu acompanhamento com sua própria terapeuta, a atriz fantástica que é Dianne West. Isso sem contar que o terapeuta é o ótimo Gabriel Byrne que, além da competência, é homem pra lá de charmoso.( Aliás,não espalhem, mas eu o acho lindo!) Não vejo todos os dias, mas acompanho sempre que posso, e tenho adorado…

E notaram que horror: não vejo nada nacional, oh dor! Acompanho filmes hispanos no Cinemax, até uma série belga, eventualmente, no Eurochannel ( Septième Ciel) e muito pouca coisa a mais… Podem me recomendar algo nacional bom, sim, mas que tenha horário pra começar e pra terminar, ou nem toquem no assunto…