Porto Abrigo

(Este soneto é da Sandra Fonseca, que conheci através da Ilaine. Tem um blog chamado A solidão das mulheres poetas. Muito, muito bom!)

Recebe a minha alma navegante
Cansada de vagar de sonho em sonho
E o corpo a levitar tão delirante
Lançado a um mar imenso que suponho.

Um corpo de mulher, um barco à vela
No ardor de atravessar dias e noites
Em nau de insensatez, a caravela,
Alheia aos ventos maus, aos seus açoites

Se nada além dos mares me importa
Senão as tuas mãos abrindo a porta
No abraço sem igual de um cais amigo

Que sejas um farol, a luz mais forte,
Brilhando além do mal, estrela e sorte,
Pra ser depois do mar meu porto abrigo.

4 Responses to “Porto Abrigo”


  1. 1 clarmi

    Tua contribuição tem-me feito repensar meu olhar sobre Poesia. Obrigada.
    Dá um passeio em http://recordacoesesentimentos.blogspot.com . É um blog lusitano. É uma delícia acompanhar o ritmo da língua.
    Um abraço atrasado pelo teu aniversário; quem recebe o presente somos nós por ter teu entusiasmo ao alcance da mão.

  2. 2 Suzana

    Belo, soneto, iluminou meu domingo.
    Beijo

  3. 3 regina

    É bom descobrir poetas novas, né?
    E assim boas, então, deixam o coração aquecidinho…Na solidão da mulher poeta nunca estamos tão sozinhas.
    bj

  4. 4 regina

    Clarmi:
    teu comentário tinha ido parar no spam, tive que desbloquear…(não dá pra entender isso, pois já tinha aprovado comentário anterior teu…)
    Vou dar uma olhadinha no site português, depois comento.
    E se puderes, não perde o Cidade Contada, amanhã.
    bj.

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