Tristeza não tem fim/ felicidade, sim, diz Vinicius, em canção famosa, intitulada “Felicidade”…
Pois Heitor leu minha crônica Ser feliz, e resolveu me pedir que falasse da tristeza, provavelmente por ele mesmo estar triste, naquele momento, e não entender muito bem minha alegria toda. Achei que cabia, só duvido da minha capacidade de fazê-lo, sou sincera ao dizer.
O que acho que seja tristeza? Já passei por muitas, como todo mundo, e há montes de coisas que me deixam triste. Não por muito tempo, felizmente …. Então não vou falar de ser triste, mas de estar triste ou ficar triste, das coisas da vida ou do mundo que me deixam assim.E são muitas, e são tantas…
Fico triste quando interpretam com maldade alguma coisa que eu tenha dito por brincadeira, pois levo as brincadeiras às últimas conseqüências, e me divirto com ambigüidades e malicia – sou dessas pessoas que perdem o amigo, mas não a piada;
Fico triste quando vejo amigo triste, enrolado com problemas que não consegue resolver, de mal com os outros e consigo mesmo;
Fico triste quando vejo gente sem rumo na vida, batendo cabeça, sem se achar , sem coragem de procurar alternativas, sem possibilidades de achá-las;
Fico triste com o mangue poluído, ocupado, cheirando horrorosamente, e lembro que ali se reproduzia muita espécie marinha, especialmente o camarão, e agora só há sacos plásticos, garrafas, lixo e o deságüe de esgotos clandestinos e casas e shoppings;
Fico triste quando vejo ou ouço proselitismo de qualquer espécie, pessoas tão autoritárias que se acham donas da verdade e acreditam que deve haver só uma fé, um só pensamento ou um só comportamento na sociedade humana;
Fico triste quando vejo gente mentindo, se escondendo em falsidades, sendo
hipócrita;
Fico triste com as pessoas absorvendo a atual cultura do medo, sem nem perceber que estão fazendo isso, esquecendo que a notícia é formada, normalmente, por fatos desagradáveis, e a imprensa tenta alertar para eles, mas não assustar tão cabalmente ;
Fico triste com as injustiças da vida, com crianças sofrendo, com fome, miséria, guerra, violência, fundamentalismo de qualquer espécie, preconceito, dor;
Fico triste quando converso com alguém que só encontra aspectos sórdidos nas outras pessoas, e mesmo nas mais generosas só encontra razões mesquinhas;
Fico triste quando vejo as pessoas que nos ajudam, nos servindo de alguma maneira, sendo olhadas como se fossem transparentes, sem nome, sem identidade, de tal maneira que podem ser destratadas por qualquer motivo;
Fico triste com o machismo, com aqueles homens que acham que as mulheres são inferiores, menos inteligentes, menos aptas, e não passam de objetos a serem consumidos, ou que existam apenas para servi-los;
Fico ainda mais triste com o machismo embutido nas mulheres, e vejo que elas mesmas se acham inferiores, menos inteligentes, menos aptas, e se tratam a si mesmas como objetos a serem consumidos, ou que existem apenas para servir a algum amo e senhor…
Pode-se ver, pois, que não me faltam razões fortes e cotidianas que me tirem do sério – e meu “sério”, aqui, é a capacidade da alegria dos fatos simples, de ver que os filhos estão bem, que os amigos crescem com a vida e são felizes, que há gente generosa e competente, que podemos ter esperança no amanhã, que há perspectivas na vida.
Acredito, e faço questão de continuar acreditando, nos versos de Oswald de Andrade: “a alegria é a prova dos nove”. Assim seja, AMÉM!
(publicada no Anexo do AN, no dia 28/02/2008.p.3)
Você é baita sensível, mulher! Tão bela esta quando a da semana passada. É assim que conquistas os leitores ^^
sempre bom lê-la. Encontrar um pouco do que penso que sou nos seus escritos.
beijos,
Í.ta**
Italo:
que bom que também pensas essas coisas, né?
E um elogio faz bem pra vaidade da gente… e motiva pra seguinte.
Ao mesmo tempo, é uma baita responsabilidade!
bj
O cordão dos puxa-saco cada vez aumenta mais! DIM-DOM!
HAHAHAHAHAHAHAHAHAHHAHHHA.Brincadeirinha o Ítalo tá certíssimo. Depois volto aqui só pra contar o que me deixa
triste. Ah! Zizina e tem tambem o que deixa a gente
“P DA VIDA” eheheheheh. Bj. Fatima - da tribo dos fatímidas…
O que me deixa pê da vida?
Ah, nessa não embarco pra crônica, não, hehehe…
Vou cantar Noel Rosa:
“Pras pessoas que eu detesto
diga sempre que eu não presto
que meu lar é um botequim
E que eu arruinei sua vida
e não mereço a comida
que você pagou pra mim…” (Último desejo)
Só me deixam pê da cara as pessoas que detesto,e, como Noel, tou pouco ligando pra elas!
bj
O engraçado Regina é que em nossa sociedade se cultua a alegria de um tal jeito que acabamos nos esquecendo que o ser humano tem seus momentos de fraqueza, sim. Muito se diz por aí que devenos levantar a cabeça, fingir que nada aconteceu diante de um problema (taí os livros de auto-ajuda que não me deixam mentir), quando na verdade devíamos mostrar nossos sentimentos verdadeiros para que somente então possamos enfrentar as verdadeiras adversidades em nossas vidas.
Stella, que bom saber de ti, guria!
lembras que eu costumava dizer, quando vocês vinham se queixar de seus problemas, “ih, menina, fica fria, que coisas piores virão”?
Vocês ficavam danadas por eu não levar muito a sério, mas problemas de estudante não são nada, perto dos que a vida nos apresenta…
E a vida é cheia de altos e baixos, mesmo.
Só que acredito, como os chineses, que a alegria habita o território do público, mas as lágrimas são do terreno do pudor, do privado…Não sou de chorar, não, é muito raro, mas que fico triste de vez em quando, sem dúvida que fico. E por isso a alegria é tão preciosa! E ser autêntico é qualidade sem igual!
beijão.
Noel estava certo e tambem O Nelson Cavaquinho em
“quando eu e me tornar saudade”
Vamos lá:
“Sei que amanhã
Quando eu morrer
Os meus amigos vão dizer
Que eu tinha um bom coração
Alguns até hão de chorar
E querer me homenagear
Fazendo de ouro um violão
Mas depois que o tempo passar
Sei que ninguém vai se lembrar
Que eu fui embora
Por isso é que eu penso assim
Se alguém quiser fazer por mim
Que faça agora.
Me dê as flores em vida
O carinho, a mão amiga,
Para aliviar meus ais.
Depois que eu me chamar saudade
Não preciso de vaidade
Quero preces e nada mais”
(Nelson Cavaquinho/Guilherme de Brito)
Bj da Fatima.
Pois tem gente que um dia vai se chamar saudade… e outras, nem isso.
E SENTIR é glorioso, e poder falar do que se sente, em crônica,em poema, em música, em pintura, e ter com quem partilhar isso, é mais glorioso ainda!
Mas, como disse Bandeira,bendita a morte, que é o fim de todos os milagres. Por enquanto, porém, aproveitemos cada milagre que a vida nos oferece, né mesmo?
beijo.
(vou à dentista, tirar os pontos. Mais medo disso, do que da cirurgia, pode?!)
Ora… ora Zizina… que bobagem! Lembra do problemão que aconteceu comigo ao tirar os pontos?
Meniiiiiiiiiiiiina! Não imaginas!!!
Foi HORRÍVEL!!! Queres que eu conte agora ou na volta?
Deixa pra volta, sua sádica!
Não sabes que MORRO de medo de dentista?
E fico triste quando judiam de mim desse jeito, hehehe…
bj.
Zina eu tava aqui pensando: “Meus deuses, que bobagem a Zizina com medo de puxar um simples cordão…da cirurgia.
Menniiiiiiiiina, o máximo que pode acontecer é a doutora
puxar o lado contrário e o nó engalhar no meio da gengiva…
Então daí o que acontecerá? Nada alem de vir um pedacinho de carne viva junto com o cordão. Vai escorrer apenas
uns 600 ml de sangue e ela vai tacar mais uns 3 pontos.
Viu só que simples?
A minha única preocupação quando vc vai ao dentista é que quando ela disser: Pode cuspir! Daí fico imaginando que vc não alcança naquela pia. E depois … bom depois fico aqui nervosa te imaginando quando a doutora diz: pode descer!
Daí fico penso: Meus deuses como é que a Regininha desce daquela cadeira altona?
Ai! Zizina por favor, quando voltares nos avise.
Beijinho da Fatima - da tribo dos fatímidas, filha de Maomé.
Mas Fafá, os dentistas da Laguna, pelo jeito, ainda estão na Idade da Pedra, hehehe…
Os da capitar usam sugadores, a gente não precisa cuspir, santa!E a cadeira é regulável, eu que não sou, tenho que ir escorregando lá pra cima do encosto da cadeira, hehehe…ou a dentista não tem como mexer na boquinha pequeninha dessa mulher pequeninha…
Meu medo não é retirar os pontinhos: meu medo é ela descobrir que deu alguma coisa errada, e tenha que fazer mais isso e mais aquilo…
Mas ter saúde é uma maravilha, né? Tá tudo que é uma beleza!
Só mais uns dias de bochechos, e pronto. Tudo em ordem, traveis, com este meu sorriso que faz tanto sucesso pelaí.
E OBRIGADA pela preocupação!
bj
Rê:
muito interessante você dizer que a alegria habita o território do que é público e as lágrimas são do terreno do pudor, do privado… Choramos sozinhos, quase sempre. E as lágrimas, nem sempre, vêm acompanhadas pela solidariedade esperada.
A morte é o fim de todos os milagres! Grande Bandeira!
Parabéns pela crônica
bjs.
Zé:
nós temos mesmo pudor das lágrimas, né? Tem coisa mais aflitiva do que ver alguém chorando? A gente não sabe o que fazer…Há alguns aspectos de
nossa cultura que deveriam ser melhorados, não achas? Podermos mostrar nossos sentimentos reais, raiva, dor, paixão, sem constrangimentos; ter respeito pelos velhos e pelos doentes; ter vergonha de ter preconceitos…
E Bandeira é mesmo grande,o essencial tratado com aquela singeleza, as coisas mais profundas ditas como se fossem brincadeira…AMO a poesia do Maneca!
Obrigada por ter gostado da crônica!
Ó, Regininha, fico triste em não conseguir escrever todos os dias, assim como você faz. E fico triste por não ir mais morar em Floripa, como eu achava que ia. Mas fico feliz por ler as suas croniquinhas bonitinhas e felizes, mesmo quando falam de coisas tristes.
Oi, minha flor da cidade das Flores!
Tou procurando a pauta da semana que vem.
Tens alguma sugestão?
Coisas normais,nada de ser feliz ou de ficar triste, faz favor!
E como vai a dieta? Sofrendo muito?
bj.
quase desnecessário dizer que concordo com tua tristeza, infelizmente
beijo
Não concorde, não concorde!
Me deste uma idéia,de tentar subverter o triste, e ver o que há de alegre no que é triste… Vou tentar, vou tentar!
OBRIGADINHA!
bj.
Bom dia Regininha!!!!
Adorei. Lindão! Já me inspirou o dia e aprendi um bocado!
Beijos e um lindo dia pra vc
Ai, que coisa!
Sou professora até nas crônicas, é?
Mas é bom que tenha algo pra ensinar, sempre…
Tá um sábado muito lindo, aproveita e vai dar uma bicicleteada, linda!
bj
Vou sim! beijos