Da Márcia Frozza, que mora em Lages. Professora de Português, revisora, e contista das mais mió.
Para poder fazer meus trabalhos sem interferências, mandei o marido para Belo Horizonte e Recife. E ele foi. Mas me deixou sem dinheiro, sem talão de cheques, cartão de crédito com limite estourado e sem nada na despensa. Pelo menos a geladeira do Clóvis tem alguma coisa para ficar verde. Na minha, nem isso.
Aí, como não achei nenhum nome interessante para meus móveis, resolvi conversar comigo mesma, por e-mail. Recebi uma mensagem que dizia assim:
Parabéns pelo esforço de agüentar o traseiro nesta cadeira o dia inteiro, depois de tê-la deixado às duas horas da madrugada e, com certeza, só a deixará novamente amanhã, lá pelas duas da madruga.
Estou orgulhosa de você. Mas sei que vai doer quando levantar daí. Boa Sorte!!
Não agüentei, xinguei a pessoa e desisti da brincadeira. Mas resolvi olhar minha caixa de correio. Tenho uns amigos que me ajudam pra caramba. Mandaram mensagem informando que há na praça uma nova cerveja, importada, japonesa, chamada NoKu e me convidaram para tomar com eles.
Até aceitaria o convite se já não estivesse tomando a dita a semana inteira.
Estava eu no meu silêncio quando percebo sons estranhos entrando pela janela. Prestei atenção. Meus vizinhos, que já acabaram as aulas e com certeza já entregaram as monografias, se divertiam cantando “Dormi na praça” e não sei mais quê. Fechei a janela, o calor aumentou. Ainda não sei o que é pior, se fuscão preto, a dama da noite ou esse calorão que faz aqui dentro.
Para terminar: dia desses alguns alunos pediram para eu contar uma história que não fosse literatura. Não perdi tempo. Contei aquela que vivenciei quando vim para Lages e fui naquele psiquiatra maluco. Acredite, um dos alunos é sobrinho do cara. Felizmente ele conhece a peça e, para meu alívio, me informou que o homem está internado: no hospício.
É mole?



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