Archive for November, 2007 Page 2 of 4



João Bosco na city!

O Projeto Pixinguinha traz à cidade o show com João Bosco e PianOrquestra, o grupo em que cinco músicos tocam, simultaneamente, um mesmo piano. Também acompanha João Bosco a banda formada por Kiko Freitas (bateria), Ney Conceição (baixo) e Nelson Faria (guitarra).

João Bosco

Compositor, cantor e violonista, João Bosco lançou seu primeiro disco em 1972, um compacto encartado no jornal O Pasquim com as músicas Agnus Sei de um lado e Águas de Março, de Tom Jobim, do outro. Antes, havia composto com dois companheiros essenciais Vinicius de Moraes e Aldir Blanc.

O mineiro radicado no Rio de Janeiro completa 34 anos de carreira com mais de 25 álbuns lançados. Em 2006, para comemorar seus 60 anos de idade, lançou o primeiro DVD, João Bosco Ao Vivo - Obrigado, Gente!, com sucessos das décadas de 70, 80 e 90 como Memória da Pele, Desenho de Giz e Papel Maché.

PianOrquestra

O grupo surpreende o público com sua performance em que os cinco integrantes - Claudio Dauelsberg, Gisele Sant’Ana, Priscila Mattos, Marina Spoladore e Maira Freitas - tocam, simultaneamente, um mesmo piano.

Resultado de anos de pesquisa de Cláudio Dauelsberg, pianista que já tocou com Plácido Domingo, Toots Thielemans, Chick Corea, Márcio Montarroyos, Hermeto Pascoal e Jacques Morelenbaum, o PianOrquestra foi criado em 2003 para inovar utilização do instrumento e explorar os timbres e sonoridades de dez mãos em um piano.

Com luvas, correntes de metal, baquetas e até sandálias havaianas, reproduzem - sem qualquer efeito eletrônico - sons similares a contrabaixo, guitarra, cavaquinho, além dos mais variados timbres percussivos.

O repertório fica entre o erudito e o popular, passeando por Heitor Villa-Lobos, Claudio Santoro e Milton Nascimento e por ritmos como samba, coco, maracatu e ciranda.

Uma velha amizade

Mais do que ser um poeta, Alcides é O Poeta

Eu faço contos, crônicas, artigos, poesia só quando alguma “baixa”…E fico tão contente que mando o poema em email pros amigos: Felicidade existe!

Alcides só faz poemas, muitos, muitos, cada um mais bonito que o outro… E fico morrendo de inveja!

Olhem só este aqui, por causa de um pote de mel comprado no Mercado Público:

POEMA SÚBITO

Hoje é sexta e fui à cidade
com alguns trocados no bolso.
Havia vento, mas o sol
brilhava nas roupas e nos vidros.
Tomei um café,
olhando o movimento da rua.
Em lojas de disco
procurei uma música
de nome American dreams.
Passei então no Mercado
e comprei um pote de mel
- de flor de maçã.
O pote de mel
- pensei pra mim -
amanhece por dentro.

(IN-: Olhar a Vida)

Contos dos anos de chumbo

anos-de-chumbo

AMOR

Dói, e daí?
A gente sopra
e não passa…

Felipe, o concorrente

Sabem quem agora está “concorrendo” comigo, às quintas-feiras, nas crônicas?

Felipe Lenhart, que está substituindo Maicon Tenfen, e, portanto, está de interino, no DC… Maicon é um bom amigo, mas Felipe, ah, Felipe é um amigo especial… (Concorrência, na prática, não há, pois agora somos todos propriedade da RBS. Eu no AN, ele no DC, mas na mesma casa, por assim dizer).

Ele foi meu aluno na disciplina que dei no curso de Especialização do Jornalismo/UFSC: Jornalismo e Literatura, a questão da crônica. E depois, por compatibilidades mil, fui eu que orientei sua monografia. Que foi sobre como a crônica pode servir como base para o estudo da História, usando como base tanto um livro de Bárbara Tuchman, Os Canhões de Agosto ( trad. de Eliana Sabino, Objetiva, 1994), como exemplificando com as crônicas de Rubem Braga, o Senhor da Crônica no Brasil, Primeiro e Único.

Aquela calma do Felipe, deixando tudo pro deadline, me pôs quase louca, é claro…(orientandos fazem isso com a gente, ‘cês sabem!) Mas ele escreve muito bem,e naturalmente  tirou dez (embora eu ache que poderia ter feito mais e melho, pois tem uma capacidade imensa!).

Mas eu amo Felipe. E além de tudo, ele casou com Jade, e não poderia haver recomendação melhor. E, ainda por cima, faz Jade muito feliz, o que é melhor ainda…

Assim, eu leio ele, ele me lê, e trocamos afagos via internet, felizes que estamos por compartilhar disso: o mesmo dia ao cronicar, que coisa melhor não há!

Meus amigos são umas peças!

Já sei que vocês vão dizer que, em sendo eu uma peça, meus amigos só poderiam/deveriam ser peças também, né?

Mas eles me saem melhor do que a encomenda, abençoados sejam!

Charles Silva, o poeta, comenta do blog: “pensei que eras sapa, e és pavoa!”

E eu, que jamais perco a chance, ainda mais de uma rima idiota: “e das boa!”

E vêm os amigos me aparecendo de todo lado, mandando afeto imenso pela internet, e eu louca de faceira, respondendo tudo! Mandando os afagos de volta, que vocês merecem!

Fui a Jaraguá, semana passada, pro lançamento de uma coletânea de crônicas do pessoal pra quem dei oficina de CONTOS em julho. Me apresentaram esposas, mães, filhos,me paparicaram um monte. E eu dizia: devo ser péssima professora, né? Dou oficina de contos, vocês escrevem livro de crônicas.

E eles, que também são umas peças: agora vens dar oficina de crônicas, que nós fazemos uma coletânea de contos!

Só que dou oficina de contos, e vou ser cronista do AN…Nem eu aprendo o que ensino, né?

Mulher de hoje

As feministas da minha geração –e das outras também, suponho - sempre se queixaram da carga feminina de trabalho, da dupla jornada, isso tudo. Mas eu ria – rio de tudo, ‘cês sabem - porque eu tinha tripla jornada de trabalho, pois ainda fazia militância partidária.

Lembro de famosa charge da Simone de Beauvoir, autora de O Segundo Sexo (segundo porque não é visto como o primeiro, of course, segundo porque é o que vem depois…) em que ela aparece com um monte de livros num braço, e sacola de supermercado com baguete no outro… Enquanto isso, Jean-Paul Sartre, seu companheiro, filosofava à vontade…Não se preocupava com a limpeza da casa, com o jantar, com o súper, só se preocupava com o pensar…

Hoje, não sei se ainda é assim, nem na verdade me interessa muito: cansei disso. E percebo que posso pensar limpando, passando,cozinhando (adoro cozinhar!), e que as tarefas domésticas não me diminuem, antes me ajudam a dar uma refrigerada na cabeça, cansada de tanta leitura e tanta escrevinhação…

E há até um certo erotismo nisso, acredite quem quiser. Faço sexo selvagem com a buganvília da sacada, e saio toda lanhada. Me queimo nos ardores do fogão, ao fazer um pão lindo e cheiroso, mais lindo, quente e cheiroso que o homem amado. Ainda não tenho orgasmos passando roupa, mas qualquer hora chego lá…

Mas o bom mesmo é vir pro computador, escrever alguma coisa, ler o que em escrevem, trocar afagos com esse povo de longe, e depois sentar no sofá com um bom livro. No momento, A PISTA DE GELO, de Roberto Bolaño, um chileno do cará! Quem ainda não leu Bolaño não tá com nada!

movie-junkie

O cineasta Sylvio Back também é poeta (e dos bons!), dos que se orgulham do que fazem, e também é amigo.
Gosto muito de seus poemas, inclusive dos fesceninos, mas serei comportada aqui.
Vejam este, que é a cara dele:

Sylvio Back

movie-junkie

sou um reles
traficante de
fotogramas

antes fazendo fita
do que viver sem
Viveca Lindfors

movies não
há mais timing
livre-se deles

do cowboy que fui
restam furtivas
infância e infâmia

a bala na lua
Méliès de olho
a dor irisada

queimei o filme
queimei o poema
queimei se amei
(IN-: Eurus: Rio: SeteLettras, 2004)