Archive for December, 2007 Page 2 of 6



Coisas do Curso - 2

Ainda sobre o concurso:

1. alguém me pergunta como é que fomos aprovar alguém que só tem graduação.

Muito fácil, a resposta. O candidato leciona desde que estava no segundo grau; fez todo o curso de Letras lecionando, e atualmente é professor de cursinho.

E mais do que este desempenho de animador de programa de auditório - que não é o caso, embora ele tenha ótimo domínio de classe - que os professores de cursinho desenvolvem, ele tem conteúdo, também.

Aprovar alguém, independentemente do título, é sempre um risco. Mas se este guri não der conta, eu quero ser mico de circo! Se ele é bom assim na saída da graduação, a tendência é que melhore… se tiver o incentivo certo e for bem encaminhado de início.

2. outro comentário que me fizeram foi sobre eu “estar me explicando”. Não, não estou me explicando sobre o concurso e seu resultado. Só estou querendo deixar bem claro que fiz o que estava ao meu alcance fazer, com o máximo de honestidade possível, e agora quero apenas que me deixem estar aposentada em paz… Falei?

O Natal dos sapos - 2

A Sapinha Cor-de-Rosa, que quer tudo à moda da Barbie, reclama, reclama de ter que usar vermelho em tudo, mas enche tudo de laçarotes e fitinhas, bem a carinha dela! E consegue lantejoulas, brilhos, strass, glitters mil, pra deixar tudo brilhando!

E é ela mesma quem faz o presépio da praça, e vai lá longe buscar palhinha seca, pra ajeitar bem bonito o menino-sapinho na manjedoura, e fez no seu tear um manto bem bonito, com fios coloridos das plantas, enfeitado com flores do charco, pra mãezinha-sapinha usar. Ficou lindo de morrer!

Os reis magos são sapinhos bem comportados, e ela teve que caprichar muito em cada um, especialmente em Baltazar, o rei Negro – mas tem sapo de todas as cores e tem um que é pretinho, e ela conseguiu copiar um, a danada.Ela é muito caprichosa, e não desiste enquanto não fica como ela quer!

O presépio ficou tão lindo, que toda noite, depois do jantar, os sapinhos passam lá pra ver. E durante dez noites, antes do dia 25, ainda tem o coral dos sapinhos cantando as músicas de Natal, as que foram feitas pelos sapos, e são cantadas em coaxo-coaxo…

E o som se espalha pelo ar da noite, e tem sapinho que fica tão comovido que chora, daí fica com vergonha, e disfarça, e dá um jeito de esconder as lágrimas, pra ninguém ver, e achar que ele é muito babaca…

Durante o mês de dezembro, Verde Charco fica naquela correria e naquela animação. Os sapinhos fazem seu trabalho durante o dia, à noite dão uma espiadinha no presépio,pra ficar dentro do espírito, e depois vão pra casa, trabalhar nos seus presentes. Todos eles feitos com carinho… e com humor, muito humor.

A véspera de Natal é um dia muito especial, o melhor de todos, eles acham! (continua)

O Natal dos sapos - 1

O Natal dos Sapos
(por Regina Carvalho)

O lugar mais famoso em que moram os sapos se chama Verde Charco.

Os sapos falam uma língua chamada coaxo-coaxo e, na língua deles, Verde Charco é um nome que soa muito bem, muito bonito. Em português, não muito, né?

E os sapos de Verde Charco fazem tudo que nós fazemos, festejam todas as festas que festejamos, mas… à maneira dos sapos, do jeito lá deles.

E o jeito deles pode ser também um jeito muito legal de festejar.

O Natal é, sempre, como não podia deixar de ser, a festa mais bonita do ano, em Verde Charco.

Primeiro, lá pelo início de dezembro, eles começam a enfeitar tudo. Fazem guirlandas coloridas para pendurar nos galhos das árvores, procuram pedras e contas brilhantes para embelezar os caminhos e as casas, começam a fabricar seus presentes.

Sim, porque em Verde Charco a única loja que tem é uma livraria, a livraria da sapinha Vevê. Não tem mais loja nenhuma.

Assim, quem quiser dar presentes, tem que fazer seu presente, o que é muito, muito mais bonito do que ir na loja comprar, ‘cês não acham?.

Daí Verde Charco fica parecendo a fábrica de Papai Noel, no Pólo Norte… Tá todo mundo trabalhando nos presentes, imaginando o que seria melhor pra cada amigo, cada pai, cada irmão, cada primo…

Tem sapinho gozador que apronta um bocado até mesmo nos presentes. O sapinho Rinaldo é um: primo do sapinho Rechonchudo, fez pra ele uma gaiola cheia de mosquitinhos gordos, de dar água na boa e pôs dentro… duma ratoeira, pro primo ter bastante trabalho pra conseguir pegar as moscas, e emagrecer um pouquinho, enquanto tentava! (continua)

Domingo é dia de poema!

Palavras

palavras são palavras:
sons
ar
letras
símbolos
dizem tudo
ou nada
quase tudo
quase nada
palavras são palavras
só palavras
a alma é minha
ou tua.
minha alma é que está
em cada letra
decifra-me
não
te devoro…

Um homem chamado Flávio

Costumo dizer, leitora habitual de biografias, que quem lê biografia gosta de fofocas. E estudos recentes encaram a fofoca como um mecanismo social da maior importância, de modo que podemos assumir o gosto por ela sem grandes culpas ou vergonhas. E estou aprendendo, pelos retornos - sempre simpáticos, felizmente - às minhas crônicas, que leitor de crônica também é grande apreciador… Ficaram me cobrando: agora explica porque o nome do cavaquinho é Flávio.

Não custa nada, contarei. Mas aviso que é íntimo e pessoal…

Estou trabalhando num livro de contos, ainda sem título. Pretendo que seja composto por histórias de amores que não deram certo. Acho que são as melhores, que esses são os melhores - não se desgastaram pela rotina, pelo desamor, são casos que terminaram no “alto”, por assim dizer.

Um dos contos era autobiográfico, mas como a história real estava em curso, ainda não sabia como terminaria. Dei ao conto o título de “Um homem chamado Flávio”, que não é, obviamente, o nome real dele… Flávio e eu estávamos em crise, à beira da ruptura, e no auge da paixão. E eu ficava mal, me questionando se não conduzia o namoro para isso. Ao escrever, ia revendo o início, os primeiros momentos, descrevendo a figura dele. E ia percebendo, também, que aquele Flávio que descrevia era o homem ideal. Não que fosse perfeito, mas havia uma compreensão, uma cumplicidade, uma aceitação de defeitos entre os dois, já maduros, difícil de se achar. Uma forma de lidar bem humoradamente com a vida muito semelhante, o que deveria reforçar a relação com ele, é claro.

Mas à medida que ia escrevendo, ia acontecendo o imprevisto: o Flávio de verdade perdia o contorno, e ia me apaixonando pelo de mentira … Quando o Flávio de verdade ligava, me irritava, porque, apesar das compatibilidades todas, ele não estava de acordo com o “script” traçado para ele… Era a autora/narradora e, portanto, Deus… E estava gostando disso. Ao mesmo tempo, o Flávio de mentira tinha uma certa autonomia, se inventava, sempre baseado no de verdade, mas com toques que não são dele (escritores dizem sempre isso: personagens tomam a rédea da história, por sua própria lógica, que não pode/deve ser contrariada).

Aquilo que começara como um conto curto foi se estendendo, pois não queria me desligar dele, e vivia em função dele. Conversava com ele para inventar seus diálogos, criava e descriava as falas, começava de novo, brigava, desbrigava, tecia inserções de fatos reais, de momentos vividos. Só que também fantasiava outros…

No conto, acabava preferindo o Flávio de mentira, e me afastando do Flávio de verdade. E brincava com isso: tenho sempre em casa um Flávio à minha espera… Que só faz o que eu quero, que se comporta como desejo, o homem ideal - e podia ainda acrescentar, sendo literal da forma mais exata: é uma personagem…

Quando comprei o cavaquinho maravilhoso de que falo na crônica anterior, voltava sempre para ele, fazia carinhos nele, tinha longas conversas, muitas vezes musicais, com ele, e nada me pareceu mais adequado do que lhe dar o nome de Flávio. Muito, muito justo.

E podia continuar a fazer as mesmas observações anteriores: tenho em casa um homem chamado Flávio… Só que este, diferentemente do de mentira, foi aquela paixão de me partir o coração e fazer sangrar os dedos, um Flávio malvado e duro.

Temos então três Flávios… O namoro com o Flávio terminou; a paixão pelo cavaco jaz no reino da impossibilidade. E o conto? Ih, o conto continua inacabado!

(publicada no Anexo do AN, no dia 20/12/2007)

Coisas do Curso

Hélio Schuch, o amado ex-chefe, me pediu para encarar a banca de seleção de meu substituto, que seria contratado para Redação VI (da VII, a Daisi tá dando conta lindamente…) e uma optativa. Criei uma optativa na mesma área, pois Criação Literária seria complicado pra alguém da área de Lingüística lecionar.

Discutimos o encaminhamento do concurso, e chegamos à conclusão de que deveríamos escolher quem fosse melhor professor, e não nos importaríamos com a titulação. Assim, abrimos pra gente formada em Letras - Português, que nem euzinha, ou em Jornalismo, mas não exigimos título. Por conta disso, apareceram 27 candidatos. Foram três dias analisando currículos e assistindo às aulas. Cansativo à beça.

Pois sabem que foi um bom critério? O primeiro colocado deu uma aula fantasticamente boa, um guri brilhante, e guri mesmo: formando de Português. Construiu uma aula de 30 minutos, toda amarradinha, muito bem apoiada teoricamente, mas nada de exagerar, e CRIOU uma teoria, baseada nos Formalistas Russos, Antônio Candido e Muniz Sodré (a audácia da criatura!) para classificar o Jornalismo como gênero literário. Ainda não absorveu os vícios horrorosos da academia, que vocês conhecem bem, melhor do que eu, até, porque os sentiram na pele: a falta de animação, o exagero da teorização, a arrogância de quem sabe mais do que lhe permite o saber humano, sabe de tudo e mais um pouco…Pior que isso: está sempre certo…

E aprovamos mais três, os que entraram direitinho no tema, e não interpretaram Gramática do Texto Jornalístico como sendo o estudo das regras gramaticais, oh dor!

A “sargenta” Baldessar já me intimou a prestar as orientações necessárias sobre a disciplina, o que farei com gosto. E farei mais que isso: explicarei também as diferenças entre o jornalismo e o não-jornalismo, entre os cursos de Letras e o de Jornalismo, entre os alunos de cada curso.

Ajudei a garantir um substituto legal, que ficará na Redação VI os próximos dois anos. Agora, permitam que me aposente DE VEZ, faz favor!!!!!O  próximo aluno que sequer SUGERIR que eu volte pra dar Redação VI pra turma dele será esfolado vivo!!!

(Mas o melhor episódio daqueles dias foi ver o Hélio ali no corredor, cantando TENHO, do Sidney Magal, e dançando loucamente… O Schuch é uma parada! Só por isso já valeu a pena o esforço, hehehe…)

Milagres acontecem!

Meu milagre se chama Champix, e o santo milagreiro, ‘cês lembram, foi o Dr. Marcos Zaleski.

Pois faz quinze dias exatos que não fumo, vontade alguma de pôr cigarro na boca. Saí com amigos, noite dessas, e um deles fumava um atrás do outro, bem a meu lado - nem pensei no assunto, e tava tomando uns chopinhos…

Não sei como opera o tal remédio, mas tira a compulsão, sem dúvida. Só que o corpo EXIGE a nicotina - e tenho tido insônias ferozes. Pago o preço - apesar de não ser de muito boa vontade - porque considero um investimento. Mas ando meio exausta.

O fôlego está ficando legal, minha voz está mais clara. Em compensação, exigente com os cheiros como sou, ando desagradada do meu próprio cheiro (ODIAVA cheirar a cigarro, também; não me venham com esse argumento, faz favor!)(Pior que isso: odiava o cheiro de cigarro na casa… Que já saiu, uma beleza!).

A nicotina vai sendo eliminada pelos poros e pela urina - e tudo fica com cheiro estranho. O processo de desintoxicação dura cerca de trinta dias; assim, falta pouco… Logo estarei cheirosinha traveis! E dormindo decentemente, aleluia! Sem fumar, mas ainda adepta duma cervejinha… Danada de faceira!

Sílvia, a aventureira

silvia-pavesiSílvia Pavesi é ex-aluna do Jornalismo/UFSC.

Quando estava no curso, ia muito lá em casa, e eram papos e vinho e filmes noite adentro. Se formou, foi cuidar da vida e, ao que parece, tá fazendo isso muito bem.

Ela e seu companheiro, Eumano Silva, fazem roteiro pela América Central (dá pra acompanhar pelo blog Fotos e Fronteiras - link ao lado) e tenho dado uma olhada, de vez em quando. Me apaixonei pela foto do Mosteiro de Santa Catarina, no Peru, que divido com vocês.

Sílvia também acompanha meu blog, e seu último post veio de Suchitoto, na Nicarágua. E mereceu piadinha dessa “mestra”: tens o pior agente de viagens do mundo! (Suchitoto, vê se pode! Depois quero ver as fotos!)