Archive for March, 2008 Page 2 of 8



Há insônias e insônias…

Acordei perto das duas, com pernilongo (ou pernilonga?) fazendo serenata. Liguei o aparelhinho inseticida, e vim dar volta na internet. Fui ao orkut, mandei os parabéns pros aniversariantes do dia, respondi  a um email de amiga que dorme tarde, pesquisei Amado Nervo - porque teimei com Adri que ele é chileno, e ela me fez conferir. E ela estava certa (ex-aluno é cultura!)… Nervo é mexicano, e eu me despedi de uma inabalável certeza, hehehe…

Fiquei relembrando o coquetel de lançamento do livro dos jornalistas lá na Saraiva do Iguatemi, de quem estava, do champagne seco e gelado que foi servido, uma delícia… De cronista tinha o Sérgio da Costa Ramos, simpático como sempre. Antes tinha ido ao cinema, assistir a Ponto de Vista, filme de ação americano, cujo título e  propaganda massiva na TV a cabo me chamaram a  atenção. De fato a história é composta de vários pontos de vista, na hora anterior ao atentado que sofre o presidente americano, num encontro de governantes na Espanha. O elenco é ótimo, mas me enchi do habitual corre-corre, daquele ritmo insano, e saí antes do fim.

Pois dei um tempinho pro inseticida fazer efeito, e voltei pra cama. E quem diz que dormia? Nenhuma angústia, não é insônia neurótica, daquelas em que a gente rola na cama com problemas nos espicaçando… Diagnóstico? FOME! Como de pouquinho em pouquinho, ‘cês sabem, feito camundongo, e é comum, isso, o de acordar no meio da  noite porque estou com fome… Tomei um prato da sopa que estava no fogão (adoro sopa!) e me aquieto.

Vim olhar os vizinhos, luzes apagadas, com exceção de um apê no prédio de trás. São três e meia da manhã, amanhã vai ser outro dia, e ainda não é hora de sair pra caminhar, infelizmente - ou eu iria, podem crer… Não estou a fim de ler nada, nem o ótimo e último livro do Milton Hatoum que trouxe da livraria, Órfãos do Eldorado. E nem estou a fim de ver TV. Então o negócio é voltar pra cama, e ver se Morfeu deixa de ser sacana, e me acolhe em seus carinhosos braços… Boa noite pr’ocês!

Agora não, outra hora

Outra vez o blog alimentou a crônica do jornal… Uma retirada das malícias, e até ficou legal…

Agora não, outra hora
Para Cris

Quando meus filhos eram crianças, morávamos numa casa e tínhamos cachorro. Criança, pra convencer os pais, jura cuidar direitinho do animal. Não dura nem 15 dias… Nunca me custou alimentar os cachorros, mas detestava dar banho, por não suportar o cheiro. E ter que fazê-lo me deixava zangada. De modo que minhas listas familiares de tarefas terminavam sempre com: dar banho no cachorro. Não adiantava de nada, mas, pelo menos, tinha tentado. (E, até hoje, quando peço algo pros filhos, termino dizendo: não te esquece de dar banho no cachorro…)

Na adolescência, a preguicite aguda parece piorar. É endêmica. Sou preguiçosa, reconheço, especialmente pra tudo que exija esforço físico. Mas tenho de caminhar diariamente, e houve dias em que, por causa do calor, me levantava às 5 horas, e 5h15 da madrugada, sol ainda por nascer, estava saindo de casa, pra cumprir essa tarefa. Chata, mas necessária. Assim, quando a Cris se queixou de sua preguiça, dizendo que pra tudo ela diz “agora não, outra hora”, ri uma porção. E comecei a escrever esta crônica.

Porque a gente aprende a driblar a preguiça, a ter, como Quintana, a preguiça como método de trabalho. Eu digo: agora não, outra hora, e assim mesmo me levanto e vou passar roupa. Cantando: lavar roupa todo dia/que agonia… (o que no es lo mismo, pero es igual…) Eu digo: agora não, outra hora, ponho um CD do Zé Kéti e venho revisar texto, cantando junto: acender as velas/já é profissão/quando não tem samba/tem desilusão… Eu digo: agora não, outra hora e vou limpar banheiro… E enquanto faço tais coisas, aproveito pra ir pensando… Não deixo a preguiça mandar em mim, não. Minha preguiça é meu método de trabalho!

Minha filha, que também é Cris, vive perguntando: “Mãe, dizes que tens preguiça de fazer trabalho doméstico, mas tua casa tá sempre arrumadinha. Como consegues? “Respondo: é simples, ela não vai se arrumar sozinha, e gosto dela arrumada. Com os textos, é a mesma coisa: eles não se escrevem sozinhos… Tem de pensar, e se pôr a escrever: achar um título, desenvolver, dar formato pra ele, revisar, concluir.

A rotina doméstica é repetitiva, é chata, todo dia tudo sempre igual. Escrever, não: fica cada dia mais fácil, mais gostoso; mais azeitados, os textos vão se formulando sozinhos, se achando, na polifonia dos textos lidos, das conversas trocadas, do visto, do vivido. Entendo agora por que os livros do Lobo Antunes vão ficando cada vez maiores: a cada um ele aprende mais, tem mais coisas pra dizer.

Agora não, outra hora? Nada disso! Como Macunaíma, bocejo e digo: ai, que preguiça! Mas é agora sim: agora eu limpo, passo, penso, escrevo. Agora eu amo, aprendo prato novo, leio poeta argentino, assessoro poeta amiga, leio entrevista de João Bosco, traduzo duas páginas do Byrnes, dois parágrafos de um artigo do Cain, ficho livro do Bataille.

Na caminhada, o cérebro se anima, as sinapses ficam como devem, penso melhor. Quando não estou a fim disso, levo o MP3 e ouço música. Driblo a preguiça… Só não me peçam pra dar banho em cachorro!

E aproveito o som presente pra citar Zé Kéti: podem me prender/podem me bater/podem até deixar-me sem comer/que eu não mudo de opinião E tem mais: hoje, a caminhada vai ser às 8 horas, e até o extremo (quase) do Santa Mônica. Tenho de ir até lá, pagar a dentista. Usando aquela discreta camiseta rosa-choque que diz: I’m not made in China!

(publicada no Anexo do AN, 27/3/08. p. 3)

Da Olivetti à Internet

Lançamento de livro na Saraiva

A Editora Unisul, a Certi - Fundação Centros de Referência em Tecnologias Inovadoras - e a livraria Saraiva convidam para lançamento do livro DA OLIVETTI À INTERNET no próximo dia 27, às 19:30, na livraria Saraiva do Shopping Iguatemi, em Florianópolis.

A obra reúne depoimentos de 22 jornalistas a respeito de política, cultura, economia, transição tecnológica e técnicas de redação.

Haverá um coquetel e o livro será vendido a R$ 15,00.

As viúvas das quintas-feiras

Mais um escritor argentino, desta vez uma escritora: Claudia Piñeiro. É portenha, nascida em 1960: 48 anos, pois. É também roteirista de TV, e colabora na mídia impressa. Este romance recebeu o Prêmio Clarín de Romance em 2005, escolhido por um júri nada desprezível, composto por José Saramago, Rosa Montero e Eduardo Belgrano Rawson. O título é chamativo: As viúvas das quintas-feiras.

O cenário é um condomínio country nas imediações de Buenos Aires, na época inicial da grave crise econômica, quando a Argentina criou o plano de equivalência monetária, invenção do Banco Mundial, em que o peso era igual a um dólar, plano que caiu sobre nós depois…Foi um plano enganador, que nos fez pensar que poderíamos tudo, em termos financeiros, viagens internacionais, consumo de importados, etc, e seu final foi lamentável. Lá e cá…

O esnobismo das criaturas é tão grande que os filhos são postos a estudar no Lakelands, onde o Espanhol é uma disciplina, e todas as outras são ministradas em…inglês. Faz lembrar a antiga e maldosa piada sobre os hermanos: são índios que têm sangue italiano, falam espanhol e pensam que são ingleses… O colégio, originariamente feminino, teve que aceitar os meninos também, mas as classes mistas duraram pouco. Sem saber administrar o convívio, e não admitindo os maus modos que os rapazes passavam para as aprendizes a lady (que ousavam até sentar de pernas abertas, um horror!), traçaram linha separatória literal, pintada em amarelo, separaram as alas…

A narrativa nos é dada através do ponto de vista de três mulheres moradoras do La Cascada, condomínio de classe média alta, mas já decadente. Uma delas, Virgínia, é corretora de imóveis, mas apenas de imóveis do próprio condomínio, e cujo marido está desempregado há anos, amparado pela grande indenização recebida. A outra, Mariana, acaba de adotar duas crianças, uma menina de sete anos, e um menino de meses, irmãos, e se apega apenas a este - nutre secreto desprezo pelo sangue indígena mais aparente na menina. E entre a filha adotiva de Mariana, Ramona transformada em Romina, e o filho de Virgínia, Juani, surge amizade tocante e incompreendida. A terceira é Carmen, mulher sem estudo e sem perspectivas, constantemente traída pelo marido.

Alguns dos maridos se reúnem todas as quintas na casa de um deles, Tano Scaglia, para nadar na piscina, beber e jogar cartas, enquanto as mulheres fazem outros programas. A maioria vai ao cinema. Mas naquela quinta acontece algo diferente: Roni, marido de Virginia, por alguma razão não explicitada, não vai se juntar ao grupo. E, na manhã seguinte, os que estavam presentes aparecem mortos, afogados, na piscina.

A narrativa, distribuída entre as três protagonistas, mas em terceira pessoa, vai e volta no tempo, recompondo vidas, antecedentes, psicologias… E o final é uma absoluta surpresa… Não posso, pois, falar dele. Bom demais, bom demais!

SERVIÇO:

Título: As viúvas das quintas-feiras (Las viudas de los jueves)
Autora: Claudia Piñeiro
Tradução: Joana Angélica d’Ávila Melo
Editora: Alfaguara Brasil
Preço: 35,90 (site da Livraria Cultura)

Passando roupa…

Ninguém pode entender porque faço questão de passar minha roupa… Parece que todo mundo DETESTA a tarefa, e posso garantir que eu, também: inclusive eu. Os amigos perguntam: por que não deixas pra faxineira passar?

Bem, a atual faxineira NÃO passa… As outras, passavam. E, quando deixava a tarefa pra elas, como quando ia viajar, isso significava uma irritação sem tamanho. Desconfio (nunca fui conferir) que não haja curso de passadeira no SESC/SENAC. Caso haja, nenhuma das minhas faxineiras jamais fez… Como sei? Pela razão muito simples de que, se houver dez panos de prato, ou dez toalhas de rosto pra passar, cada uma vem dobrada de um jeito diferente. Criatividade, dirão vocês; incompetência, direi eu, pela razão muito simples de que elas não se acertarão na prateleira do armário.

Uma vez, uma passou uma calça preta minha, e levei duas semanas, QUINZE dias inteirinhos para achar. Pela razão muito simples de que, ao invés de colocar a dita cuja no cabide das calças, guardou-a no fundo da gaveta dos pijamas… Sou míope, e gente míope não enxerga roupa preta no fundo seja lá do que for. Assim, prefiro eu mesma passar. E guardar, e saber onde está, quando preciso…

Não, não sou masô, e não gosto de sofrer; portanto, não gosto de passar roupa. Assim, transformo a função numa função, mesmo… Ponho uma música animada, e mando bala. Às vezes, nem isso resolve. Hoje, por exemplo. Pus Beth Carvalho e um sambão animado, rebolei um bocado ouvindo, mas… dez peças e eu estava de saco cheio. Parava e ia fazer outra coisa, como terminar a crônica da semana, ou parar e ir escrever um artigo sobre eróticos e pornográficos, que me valeu bela briga com amigo…

Mas sou essa criatura briguenta que vocês sabem, e de dez em dez peças terminei o artigo, mas não terminei a roupa… Como? Por quê? Pela razão muito simples de que hoje mais peças de roupa secaram, e há outro tanto de peças me esperando para o dia de amanhã… Ninguém merece! E eu ainda me dou o luxo de detestar tecidos sintéticos, oh dor!

Descendo a serra

Subir a serra é fácil, né? É só se zangar um pouco, com alguém ou alguma coisa. Descer a serra é muito mais complicado, pois significa desopilar o fígado, deixar a zanga passar ou explodir de vez, deixar pra trás algo de que se gosta muito… Mas isso é no sentido figurado.

No sentido literal, subi a serra de Santa Catarina, nesta Páscoa. Fui passar uns dias no sítio de um amigo, e outro amigo viria com o filho e um amigo lá do norte do estado, pruma confraternização amigável, embora não religiosa. Simplesmente - e senvergonhamente - nos aproveitávamos do feriadão fornecido pela crença geral, e poderíamos largar os trabalhos de cada um, para nos vermos com tranqüilidade, matarmos as saudades, botarmos o papo em dia.

É Quaresma e, homenageando a data, as quaresmeiras borbulham em flores. Estão à beira da estrada, estão nas encostas de morro, estão à beira de lagos, açudes, riachos. São plantas nativas, e nascem e crescem com a maior facilidade, sem nenhum esforço. E são lindas. Só pro vê-las, assim esplêndidas, já valeu a pena ter deixado o hogar dulce hogar, e ter subido a serra.

Na sexta-feira fez tarde muito linda e quente, e fomos conhecer uma cachoeira que o anfitrião nos queria mostrar, pois a tinha descoberto recentemente. Fomos até ali perto de carro, deixamos o carro na estrada, e fomos o resto do caminho a pé, uma pirambeira de lascar, com muito barro … e românticas “poias” pra todo lado. (Pra quem não sabe, “poia” - que se diz “pôia”- é bosta de vaca). Ah, mas valeu: duas cachoeiras ao lado uma da outra, lindas que só. E depois de fotos, poses, descanso, depois de esmiuçarmos cada canto daquela maravilha, a tarefa inglória de subir de volta a pirambeira, amassando o barro e escapando das românticas poias… (hoje, segunda, os músculos de minhas coxas ainda estão reclamando, os pobres, habituados a caminhar só no plano…)

Choveu muito na noite de sábado, com muitos raios (e direito a um, especial, quase ao lado da casa, que nos paralisou de susto). Mas hoje, voltando pra Floripa, as cachoeiras da estrada estavam gloriosas, pejadas de água, exibidíssimas. E não só elas: num ponto de ônibus, motoqueiro desavergonhado despejava a sua cachoeira particular, sabe-se lá por que razão, bem em cima do banco onde o pessoal pode ficar sentadinho à espera do coletivo raro e sempre atrasado por seu roteiro pinga-pinga…

Floripa é o vento…

Esta noite eu ouvi a voz do minuano, li certa vez em Júlia Lopes de Almeida. Aqui eu ouço o vento sul… E Quintana dizia que o vento lhe farejava a face como um cão amigo…Pois aqui é o nordeste que faz isso…

Quem nasce e cresce em Floripa não sabe viver sem esse vento Se for mané de verdade sempre sabe, literalmente, de que lado o vento sopra…

Cresci lá no alto da Filipe Schmidt, em tempos em que se brincava de roda no meio da rua, e se corria pra calçada pois o seu Becker vinha vindo – eram poucos os automóveis, sabíamos todos…

Nossa casa ficava abaixo da rua, e quando chegávamos lá em cima, o vento nos rodeava: o vento que veio do sul, o do norte/nordeste, a lestada cruel. Não havia aterros, ainda, e o vento trazia, junto com o salitre, o cheiro e a umidade do mar.

Não vivo na saudade, não gosto disso, de lastimar o que passou, como se tudo fosse maravilhoso, naquela época, e tudo fosse ruim, hoje. A realidade não é assim. Floripa mudou, eu mudei, em muita coisa para pior, mas em muita coisa para melhor, também – semelhantes nisso.

Mas o vento permanece, o vento que vem do sul, o do norte/nordeste, a cruel lestada… Não tem a mesma força de salitre, mas tem a mesma umidade, continua a farejar a face … Continuo aqui, aberta aos ventos, grata a eles, aprendendo com eles, sua doçura ou sua brutalidade.

Meus filhos sempre acharam estranha minha mania de, ao abrir a porta de casa, identificar o vento: “nordeste, hoje…”. Quem é da Ilha situa sempre os pontos cardeais. Como não fazê-lo, se sabe a direção de baía Sul e baía Norte? Daí que sabe de que lado o vento vem , que lembranças lhe traz, de outras terras, de outras gentes…

Já adulto, meu filho trabalhou em Blumenau por um período. Naquele calor abafado durante toda a semana, me contou, um dia, ao chegar de lá: desci do ônibus, ali na Rita Maria, fiquei minutos apenas sentindo o vento, deliciado. E sabia que era vento sul, porque soprava da baía Sul… Foi a primeira vez na vida que entendi perfeitamente essa ligação tua com o vento…

Claro que essa relação não é só nossa, pois não detemos o monopólio dos ventos. Citei dois autores gaúchos porque os li há pouco, mas o Othon d’Eça fala deles, Almiro Caldeira tem um livro chamado O vento que veio do sul , o baiano Dorival Caymmi cantava:vamos chamar o vento… Mil referências podem ser feitas. E ventos característicos têm nome, no mundo todo, sinal de sua importância…

E o vento funciona pra mim como a madéleine do Proust: lembranças de outras épocas, mecanismos da memória, prazeres que estavam esquecidos… Porque o vento é som, é sabor, sensação térmica, lembrança, obstáculo, alavanca. Um vento sul pelas costas nos empurra; um nordestão pela frente, atrapalha; a lestada sacode tudo, vareja tudo, nada perdoa.

E não conheço sensação mais agradável do que a de, numa tarde quente de verão, sentar debaixo de uma amendoeira, sentindo-a ondular levemente, ouvindo marulhar as ondas ali pertinho, poder olhar o Cambirela lá do outro lado da baía, e deixar que o vento me fareje a face como um cão amigo…

Floripa é vento, Floripa é o vento…

(publicada no Donna, do DC, no dia 23/03/2008. p. 10. Dia do aniversário de Floripa.)

Maneca Bandeira, o maior dos poetas simples

Soneto Inglês no. 2

Aceitar o castigo imerecido,

Não por fraqueza, mas por altivez.

No tormento mais fundo o teu gemido

Trocar num grito de ódio a quem o fez.

As delícias da carne e pensamento

Com que o instinto da espécie nos engana

Sobpor ao generoso sentimento

De uma afeição mais simplesmente humana.

Não tremer de esperança nem de espanto.

Nada pedir nem desejar senão

A coragem de ser um novo santo

Sem fé num mundo além do mundo. E então

Morrer sem uma lágrima, que a vida

Não vale a pena e a dor de ser vivida.

(IN-: BANDEIRA, Manuel. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1993. p.252)