Chegada de viagem, cinco dias fora, nada pra comer
Sem pressa, achei melhor descongelá-la no forno a gás, a bandeja dentro de uma assadeira metálica, como mandam as instruções. 45 minutos depois, já com o estômago soando o alarme, fui retirá-la. A assadeira entortou um pouco… e a bandeja com a lasanha começou a escorregar, e foi lasanha pra todo lado, especialmente pela porta do forno (tão limpinho!) adentro, um desastre completo. Ainda tentei segurar, mas só o que consegui foi encostar as costas da mão direita na assadeira pelando. Linda queimadura, oh dor!
Tive que deixar esfriar, e foi uma trabalheira insana limpar aquilo, o queijo derretido grudando em tudo, inclusive nas esponjas e panos de limpeza, depois de frio. Meia hora de esfregação (e alguns palavrões pra desabafar, que desabafar é preciso) e consegui dar jeito…
Mas como dizia a Velha Tida, minha vó, com seus provérbios onipresentes, desgraça pouca é bobagem: o vaso sanitário resolveu entupir. Ninguém merece! Mão queimada, lambuzada de ungüento de picrato de butezim, andava eu de Diabo Verde em punho, lidando com aquilo… Um frasco e meio de desentupidor e dois panelões de água quente depois, consegui, consegui! Mas ainda era preciso limpar aquela sujeira mal-cheirosa, e o que não tem remédio, não tem remédio, né? Sapóleo líquido, desinfetante, escova…mais palavrões (preciso aumentar meu vocabulário deles, não sei em número suficiente!). Maravilha! Limpo, cheiroso, desinfetado.
Daí tomei belo banho, fiquei eu limpa e cheirosa, e fui dar pulinho na editora da UFSC, para buscar os convites de papel para o lançamento da coletânea do novo conto catarina que organizei, lançamento que vai ser dia 29 próximo.
Me disseram: estão com o Fernando, na sala dele. Fui até lá e Fernando, menino carinhoso, vem me dar um beijo, e me pega na mão. Justo onde? Na queimadura, é claro. Lei de Murphy, Lei de Murphy…Vi estrelas, e ele deve ter saído com a mão meio cheia de ungüento, também…Bem, pode se queimar hoje, já está medicado com antecedência.
E esses dias assim tiram a gente dos esquadros, um acidente se mistura com outro, porque fica-se irritado e cuidadoso demais… A tábua de passar roupa não quer abrir, e quando abre é com tal sofreguidão que derruba toda a roupa da cadeira, que embola toda e tem que ser dobrada outra vez. Mas tudo bem: dois palavrões, dos velhos e já batidos, dão conta… O janelão da sacada emperra, força daqui, jeitinho dali… e ele se abre lindamente pro dia azul e ensolarado, mas levando a cortina junto. Imagino a amiga costureira dizendo: já te disse que esta cortina está comprida demais, vai dar problema… Bem, ela tem razão, mas gosto da cortina assim, meio que se amontoando pelo chão… Dois ganchos se soltaram, escada em ação, com medo, porém: será que me arrisco a subir, num dia assim, de um sol assim? (e de um azar assim?) Mas me arrisco, subo, e… nada aconteceu, não deu problema, não.
Já arrumadinha a cortina, se embolando lindamente pelo chão, começo a pensar: isso dá uma crônica. Tem dias em que a gente nem deveria se levantar da cama, dizem… Só que os desastres acontecem DEPOIS que estamos levantados, né mesmo? Como saber ANTES?
E nem é meu inferno astral, ainda…
(publicada no Anexo do AN, 24/4/2008)
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