Archive for May, 2008

Dropes da semana

Este é meu post número 300… AFE!

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Dona Ida, vizinha cá do condomínio, fez aniversário e me convidou. Não podia ficar, mas levei-lhe presentinho, um cachecol de pashmina, bem colorido, bem bonito. Hoje ela me esperou passar, e me levou até seu apartamento. Me deu tigelinha com canjica, bem grossa, muito, muito apetitosa, uma delícia!

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Remédio em falta nas farmácias da Trindade, fui até a Farmácia Popular, na avenida Mauro Ramos. Uma guria muito simpática, chamada Amanda, me atendeu. Tudo arrumado na cestinha, me levou até a fila do caixa: eu gostaria que a senhora tivesse preferência, mas não vai ser possível…

Caí na risada: cinco velhinhos na minha frente, e eu atrás de uma quarentona. Comentei: puxa, só dá velho nesta fila, inclusive eu… Todo mundo riu, e a quarentona me deu a vez…

Cheguei à conclusão de que farmácia é programa preferencial pra velhos, pois havia mais uns dez participantes da “melhor idade” no balcão… E eu, como sempre na contramão, preferindo ir ao cinema, vê se pode!

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Amigo recebeu, no calçadão da Felipe, duas propagandas ótimas:

1. Venha trocar o óleo!!! Ambiente climatizado

Loiras e Morenas. Hotel, Motel e residência.

2. Delirius

Novidade!!!!

Venha se deliciar na mais nova casa de massagem da ilha

Com as garotas mais bonitas, sensuais e carinhosas

Aqui você terá ambiente climatizado

Para homens de bom gosto

Entre a explicitação da primeira oferta, e a eufemização da segunda, qual escolher? Ser um homem de bom gosto, ou ir direto ao assunto?

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Ontem, caminhando do CFH/UFSC até o Iega, na Carvoeira, pra nossa happy hour, uma surpresa maravilhosa: que noite estava fazendo! Um frio de congelar cusco, mas uma atmosfera muito limpa, um céu azul-marinho, e estrelas muito nítidas… Vontade de sentar por ali, e ficar só curtindo, sem pensar, sem falar, só me embebendo daquela noite bonita demais.

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Vida de junkie

O ano era 1962,e eu acabara de completar 16 anos. Namorava um colega de classe, e ele achava lindo mulher que fumasse. Foi quem me deu o primeiro cigarro, foi quem me ensinou a fumar. As “moças direitas” não fumavam em público, mas essa era a única restrição, ao que me lembre.

Na época, nada se dizia do cigarro. Como, aliás, nada se disse durante muito tempo, ainda. Os professores fumavam na sala de aula, e na universidade os alunos também podiam fazê-lo. Tanto isso é verdade que, durante anos, as carteiras tinham cinzeiros no braço.

A primeira restrição encontrei na gravidez do primeiro filho: fui aconselhada a diminuir o número diário de cigarros; não foi proibido fumar. Na verdade, porém, eu andava sempre tão nauseada que nem me passava pela cabeça acender um cigarro. Já na segunda gestação foi diferente: após o terceiro mês, as náuseas passaram, e eu só poderia fumar cinco cigarros por dia. Mas era permitido, sim.

Não sei fazer nada fumando – só leio ou escrevo ou bato papo. Qualquer atividade mais “física”, digamos, sempre foi feita sem cigarro. E só passava de uma carteira diária nas festas ou nas insônias. Nas festas, porque a cerveja IMPLORA por um cigarro. Nas insônias, porque o cigarro distrai …

Aos poucos os danos que o cigarro causa foram sendo desvelados e divulgados, e os fumantes mais esclarecidos foram sendo levados a se livrar do vício. (Usamos a palavra vício, mas não com muita seriedade: é difícil encarar assim aquilo que é socialmente admitido – embora não mais bem visto! - e cuja venda é livre). Alguns conseguem isso com mais facilidade – amigos meus largaram com rapidez, porque já havia comprometimento dos pulmões. Um deles sofreu horrores, precisando até se internar em clínica especializada. Eu encontro muitas dificuldades para fazê-lo. Sou, como dizem em algumas regiões, “patife”…muito frouxa pra agüentar. No entanto, já passei cinco anos sem fumar…

Tinha feito tratamento, sofrido com a abstinência – noites de insônia, depressão e crises de choro, incapacidade de me dedicar a alguma atividade intelectual , y otras cositas más. Uma crise pessoal me fez recorrer novamente ao cigarro como suporte e consolo. Depois disso, várias outras tentativas infrutíferas. Ouvindo as piadinhas comuns dos fumantes: parar de fumar é fácil, todos nós já paramos mil vezes…

Só que eu não desisto de mim: mais teimosa que a mulher do Piolho, dou um tempo, e faço nova tentativa. Cada tentativa frustrada ensina lição nova, e desta vez estou no caminho certo. Medicada, resisti uma semana ao uso dos adesivos de nicotina, porque já os usei, e deixam um cheiro horroroso na gente. Foi uma semana sem dormir. O remédio tira a compulsão pelo ato de fumar, mas o corpo fica exigindo nicotina. Durante o dia, a gente arranja serviço, vai caminhar, vai olhar vitrines, bate papo com amigos – consegue ultrapassar o impulso. Quando ficamos a sós com os travesseiros, porém, fica difícil.

Percebi que estava sendo teimosa e burra, rendi-me às evidências,e coloquei os adesivos. Foi uma diferença brutal! Tem efeito complementar ao do remédio e, melhor que tudo, com seu uso voltei a dormir.

Não sou pessoa que goste de mentir pra si mesma. Também não minto para meu médico, pois a grande prejudicada sou eu mesma. E a preocupação dele é com o fato de eu GOSTAR de fumar. Pois gosto, de fato.

Só que não posso mais negar que levei este tempo todo de ensaio e erro até chegar a este momento e, de público, declarar: sou viciada em nicotina. Sou uma adicta, sou uma “junkie”. E não quero mais isso pra mim.

(publicada no Anexo do AN, 29/5/08. p.3)

A Antropóloga

O filme do Zeca Pires tem já um clipe no you-tube.

Dêem aí uma olhadinha!

http://www.youtube.com/watch?v=ibkhpOjMTwU

Mudei eu!

Pronto, Carol, já estou pronta para falar das mudanças. Não precisas mais brigar comigo.

Preâmbulo no. 1: faz exatos um ano e vinte dias que me aposentei. É mudança brusca demais, mesmo quando a gente se prepara o tanto que eu me preparei, e se deseja isso com a mesma força com que o desejei. Não me aposentei para sentar no banco e fofocar, ou pra ficar sem fazer nada, esperando a morte chegar. Me aposentei para me dedicar a uma nova etapa de trabalho, o literário. A adaptação não foi fácil - mas eu estava  preparada para enfrentar.  Só que há poucos professores tão populares quanto eu,  e  a solidão (bem sei que é exagero, né? Mas em relação ao que havia antes, dá para considerar assim!) chegou a doer. Pra minha sorte, sou ardidinha, impulsiva, braba,   mas sou também  afetuosa, alegre e expansiva, faço amizades com facilidade, vou à luta e resolvo os problemas com a rapidez que for possível. Estou adaptada, e feliz com isso.

Preâmbulo no. 2: somos uma espécie animal não muito diferente das outras, por mais que achemos isso. Mas temos uma tendência a esquecê-lo. O intelectual, então, costuma esquecer que tem um corpo, e se torna sedentário, e junto com o sedentarismo cotidiano e continuado fica-se preguiçoso demais para as atividades físicas. Tenho superado isso com vagar, e o personal foi de grande ajuda. Agora continuo por minha conta - e pretendo fazê-lo da forma mais adequada para meu jeito, sem exigir demais, pois daí se desiste logo, passada a fase de entusiasmo.

Pois, como já disse em post anterior, as mudanças vieram se gestando, sem que eu mesma as percebesse bem. Não são nada de extraordinário, mas são direcionamentos um pouco diferentes daquilo que tenho feito até agora. E se processam em três setores diferentes. Vou organizar por eles.

1o. setor: a produção literária/intelectual.

A intelectual tem ido melhor, pois depende menos de meus humores, e mais de um pouco de disciplina de leitura, análise e escrita. E isso tenho tido, mesmo que com certa frouxidão, que estou achando excessiva.  Mas a literária está sendo deixada de lado, e isso está me doendo.  Achei o início da historinha da sereiazinha do Ribeirão da Ilha, preciso continuar e acabar: é bem bonitinha. Não mexi mais no romance policial, e sinto falta dele. Desisti do narrador masculino, pois cabeça de homem é uma naba: a Marta vai continuar contando sozinha, vai ser apenas seu ponto de vista. Tem um jeito mais leve de narrar, e isso faço com facilidade, né não? E tenho cometido poucos poemas, não reorganizei o livro - preciso dar uma boa faxinada nos meus “cometimentos”, jogar alguns fora, substituir por outros, dar-lhes seqüência para montar um livro. Pensado isso, pesado isso, organizei agenda de trabalho, e vou tocar ficha.

2. setor: o blogueiro.

O blog foi uma experiência válida, me ensinou montes de coisas,  mas está superado. Não, não vou parar com ele, vou  dar-lhe  nova  estrutura. Vai virar site- blog, para que sejam incluídos os sapos e algumas outras cositas, como aquela aula que o tio Clóvis montou, aproveitando as minhas, das Oficinas, sobre personagem.  Escrever para o blog me liberou muito a escrita, criou  um à-vontade muito grande, como se o computador e eu estivéssemos conversando, aquelas conversas de cozinha, bem relaxadas… Agora passa a ser atualizado três vezes pro semana, e é melhor pra todo mundo. Quinta-feira é dia de crônica; nos outros dias, provavelmente segundas e sábados, uma resenha (que pode ser  de livro, filme, show ou CD) e o outro, o que der na telha.

3o. setor: o afetivo.

Quero mais tempo para os amigos, quero mais tempo pra namorar. Terei! Tenho ido pouco ao cinema, de que gosto tanto; não tenho feito visitas, quase. Isso vai ser mudado. Vou gastar mais tempo comigo, cuidando do corpo, cuidando da saúde, buscando o equilíbrio físico e mental, que nunca se pode perder de vista. É tarefa pra todos os dias, ainda mais quando se é indisciplinada feito eu. Pois estou conseguindo trabalhar com essa indisciplina, aceitando-a numa boa, mas aproveitando-a para o meu bem-estar. Não gosto de seguir rotinas rígidas, nem horários rígidos, como não gosto de comer todo dia  a mesma coisa.

Acreditem se quiserem: parei de brigar comigo mesma por causa disso, e tenho usado a característica em meu próprio benefício, e em benefício da minha produção. E está dando surpreendentemente certo!

O novo programa começa a vigorar hoje mesmo, e me dêem licença, que tenho muito o que fazer!

Eu amo sapos!

Amo os sapos de verdade… mas amo mais os de mentira, já se sabe. Aqueles que vou inventando e fazendo pros amigos e amigas!

Pois olhem o presente que me mandaram ontem, sapo pra tudo quanto é gosto, alguns lindíssimos, outros horríveis… Mas sempre interessantes, tão interessantes quanto os amigos-sapos, hehehe… Foi presente da filha da Fátima. E achei a coisa mais linda, naturalmente.

Taí o link: http://bichos.uol.com.br/album/sapos_album.jhtm

Dropes dum domingo

* A previsão do tempo dizia que choveria, esta manhã. Como sempre, a área oceânica é imprevisível, e desmente as previsões. Tá um dia exatamente igual aos anteriores, maior céu de brigadeiro… E quente!

* Sei lá por que razão, não tenho noção de tempo. Teoricamente, sim: tempo é um medida convencionada, dentro do sistema duodecimal, para medir a duração entre um nascer do sol e outro, e um ciclo completo do sol  no céu, algo assim. Na prática, nunca sei que dia é hoje, embora me localize melhor nos dias da semana. Nos dias do mês, é um vexame: tenho que olhar no jornal, no computador, no celular…

* Assim, sabia que hoje era domingo, de certeza. Não sabia o dia do mês, e não me preocupei em ver. Depois do almoço, resolvi ir ao Big, no Iguatemi, ver uns breguetes. Não era a hora mais aconselhável pra andar na rua, bem sei, mas achei que não haveria aquele povaréu todo que costuma ir ao supermercado aos domingos. Me enchi de protetor solar, calcei os tênis, e fui. Ao chegar na Beiramar, uma surpresa: ciclistas e mais ciclistas… Daí lembrei: é dia de Ironman! O Detran sinalizou bem as pistas, pôs cartaz lá no elevado, mas não juntei coisa com coisa - sou sempre assim, quando o tema é o tempo. Energéticos sendo distribuídos pros participantes, guerra entre as marcas: Gatorade, aqui! Banana, ali! Me deu uma baita peninha do pessoal, se esforçando tanto nessa soleira toda. AFE!

* Daí me lembrei: Marcelo, do Café dos Araçás, tava treinando pro Ironman. Cinco horas por dia, no maior pique. E eu planejava lhe enviar email desejando boa sorte! Puxa, Marcelo, very sorry! Mando email perguntando se sobreviveste, e esta semana vou ao café, pra contares direitim como é que foi!

* Não tinha muita gente no Big, mas também não tinha o que eu procurava. Olhei as vitrines, lojas ainda fechadas, mas fui namorando os casacos e casacões, friorenta como sou. Mas sou mulher de bom gosto: aqueles de que gostava custavam nada mais nada menos que 499,00… Ser pobre é foda! E gastar tudo isso pra nunca ir a lugar nenhum onde caiba roupa assim chique é mais foda ainda!

* Na volta, vim namorando a tarde. Os ciclistas continuavam passando; afinal, quantos são? Fico olhando os prédios novos e os prédios em andamento, pensando em sair com a máquina e fotografá-los todos, para a filha da Paraíba não se assustar muito quando vier… Na rua Presidente Gama Rosa, a Prefeitura não terminou a reforma, tá na cara. Tão começando a colocar a brita. Os comerciantes vão ter mais uma semana de sofrimento, podes crer.

* No meu quarteirão, encalorada, suada, cansada. Boa desculpa pra passar na Padaria Metrópole, a do Júnior, e comprar uma Eisenbahn. É, UMA Eisenbahn, só umazinha , oh dor! Fico olhando todas com olho bem comprido, e saio com uma de trigo, como sempre… Que saudades do Tadeu e nossos domingos de almoço no capricho, e muita cerveja! Mas Tadeu fuma, e está no exílio, este mês… e com ele , a Sabrina, namorada mais puxa-saco! Sinto falta, puxa, fica mais duro o sofrimento todo.

* A goiabeira do condomínio mostra suas novas folhas, no lugar das podas, de um verde bem suave, coisa mais linda. É, sempre há um renascer, sempre há um recomeço, e isso é muito bom!

Crônica da Martha Medeiros


(Recebi da jornalista Sônia Pillon, amiga lá de Jaraguá do Sul. Obrigada, guria!)

Tempo

Eu não sirvo de exemplo para nada, mas, se você quer saber se isso é possível, me ofereço como piloto de testes. Sou a Miss Imperfeita, muito prazer. Uma imperfeita que faz tudo o que precisa fazer, como boa
profissional, mãe e mulher que também sou: trabalho todos os dias, ganho minha grana, vou ao supermercado três vezes por semana, decido o cardápio das refeições, levo os filhos no colégio e busco, almoço com eles, estudo com eles, telefono para minha mãe todas as noites, procuro minhas amigas, namoro, viajo, vou ao cinema, pago minhas contas, respondo a toneladas de e-mails, faço revisões no dentista, mamografia, caminho meia hora diariamente, compro flores para casa, providencio os consertos
domésticos, participo de eventos e reuniões ligados à minha profissão e ainda faço escova toda semana - e as unhas! E, entre uma coisa e outra, leio livros.

Portanto, sou ocupada, mas não uma workaholic. Por mais disciplinada e responsável que eu seja, aprendi duas coisinhas que operam milagres. Primeiro: a dizer NÃO. Segundo: a não sentir um pingo de culpa por dizer NÃO. Culpa por nada, aliás. Existe a Coca Zero, o Fome Zero, o Recruta Zero. Pois inclua na sua lista a Culpa Zero. Quando você nasceu, nenhum profeta adentrou a sala da maternidade e lhe apontou o dedo dizendo que a partir daquele momento você seria modelo para os outros. Seu pai e sua mãe, acredite, não tiveram essa expectativa: tudo o que desejaram é que você não chorasse muito durante as madrugadas e mamasse direitinho.
Você não é Nossa Senhora. Você é, humildemente, uma mulher. E, se não aprender a delegar, a priorizar e a se divertir, bye-bye vida interessante. Porque vida interessante não é ter a agenda lotada, não é ser sempre politicamente correta, não é topar qualquer projeto por dinheiro, não é atender a todos e criar para si a falsa impressão de ser indispensável.
É ter tempo. Tempo para fazer nada. Tempo para fazer tudo. Tempo para dançar sozinha na sala. Tempo para bisbilhotar uma loja de discos. Tempo para sumir dois dias com seu amor. Três dias. Cinco dias! Tempo para uma massagem. Tempo para ver a novela. Tempo para receber aquela sua amiga que é consultora de produtos de beleza. Tempo para fazer um trabalho voluntário. Tempo para procurar um abajur novo para seu quarto. Tempo para conhecer outras pessoas. Voltar a estudar. Para engravidar. Tempo para escrever um livro que você nem sabe se um dia será editado. Tempo, principalmente, para descobrir que você pode ser perfeitamente organizada e profissional sem deixar de existir.
Porque nossa existência não é contabilizada por um relógio de ponto ou pela quantidade de memorandos virtuais que atolam nossa caixa postal. Existir, a que será que se destina? Destina-se a ter o tempo a favor, e não contra.
A mulher moderna anda muito antiga. Acredita que, se não for super, se não for mega, se não for uma executiva ISO 9000, não será bem avaliada. Está tentando provar não-sei-o-quê para não-sei-quem.
Precisa respeitar o mosaico de si mesma, privilegiar cada pedacinho de si. Se o trabalho é um pedação de sua vida, ótimo! Nada é mais elegante, charmoso e inteligente do que ser independente.
Mulher que se sustenta fica muito mais sexy e muito mais livre para ir e vir. Desde que lembre de separar alguns bons momentos da semana para usufruir essa independência, senão é escravidão, a mesma que nos
mantinha trancafiadas em casa, espiando a vida pela janela.
Desacelerar tem um custo. Talvez seja preciso esquecer a bolsa Prada, o hotel decorado pelo Philippe Starck e o batom da M.A.C. Mas, se você precisa vender a alma ao diabo para ter tudo isso, francamente, está precisando rever seus valores. E descobrir que uma bolsa de palha, uma pousadinha rústica à beira-mar e o rosto lavado (ok, esqueça o rosto lavado) podem ser prazeres cinco estrelas e nos dar uma nova perspectiva sobre o que é, afinal, uma vida interessante.
(Revista d’O Globo)

Eu e o rio

Usei um verso desta canção na crônica dessa quinta, 22/5, e por causa disso fiquei com ela rodando na cabeça… Acho muito bonita!

O autor é Luiz Antônio, e quem cantava era Miltinho.

Eu e o rio

Rio, caminho que anda

que vai resmungando

talvez uma dor

Ah, quanta pedra levaste

quanta pedra deixaste

sem vida e amor

Vens lá do alto da serra

o ventre da terra

rasgando sem dó

Eu também venho do amor

com o peito rasgado de dor

e tão só…

Não viste a flor se curvar

teu corpo beijar

e ficar lá pra trás

Tens a mania doente

de andar só pra frente

não voltas jamais

Rio, caminho que anda

o mar de espera

não corras assim

Eu sou um mar que espera

alguém que não corre

pra mim…