Archive for May, 2008 Page 2 of 6



Um jornal que é Rascunho

O pessoal do Paraná elogia muito, na hora tu até te interessas, mas dali a pouco esqueces. E há sempre tanta coisa pra ler e pra comprar, em termos de leitura, que dás de ombros e deixas pra lá. A isso se deve somar um certo tédio causado por anos de leitura obrigatória e continuada de todo e qualquer tipo de periódico, e vai-se compreender perfeitamente minha relutância…

Mas Ben-Hur não deixou passar, e me empurrou uma assinatura do jornal Rascunho goela abaixo. Deixou alguns exemplares aqui, levou meu endereço e email pra eles, não tive mais desculpas: assinei (pelo menos é mensal, a assinatura não é cara…) Recebi o primeiro exemplar “ontônti”, e é jornal, sacumé? Tamanho, cheiro, obrigação de dobrar pra poder ler ou de abrir bem os braços, tudo que um jornal DE VERDADE deve ter… Uma delícia. Pus na bolsa, pra ir lendo pelaí, nas esperas, no ponto de ônibus (mesmo correndo o risco de nem ver o ônibus passar…), nas mesas de café.

Faço leitura seletiva. Não leio, por exemplo, resenhas sobre livros que pretendo ler , mas ainda não pude fazê-lo, para que não dirijam minha opinião. Deixo pra ler depois. Mas leio os ensaios e a opinião sobre o que já li - aprofunda, sedimenta. Às vezes concordo, às vezes discordo, mas isso faz parte. E - lamento, Ben-Hur! - pulo o caderno dos textos literários. O livro é que é o lugar deles, acho horrível um conto grande num jornal, aquele tijolaço, mesmo com ilustração… Poema ainda dá, mas prosa de ficção, num güento. Mesmo que o título do caderno seja Dom Casmurro, e seu símbolo seja lindo sapo, hehehe…

Acabo de receber o número de maio, e devo agradecer a insistência do menino que veio de Ponta Grossa, PR: ex-aluno é cultura, ajuda bastante, mesmo os cronistas peripatéticos…

Rascunho é bem diagramado, e as pautas são variadas. Este número, por exemplo, tem boa entrevista com o jornalista Fernando Molica - que lança seu terceiro livro de ficção. E a entrevista com Antônio Carlos Viana, escritor sergipano e professor preocupado em trazer os alunos para o mundo da leitura, tarefa compartilhada por mim, e encarada do mesmo jeito, me fez um bem danado.Tem ótimo ensaio sobre poesia , do Pedro Lira, especialista na área. Discordo dele num monte de coisas, mas é muito bom ler - sedimentam-se opiniões antigas, aprendem-se algumas coisas novas, revêem-se teorias e conceitos.

E há aqueles montes de resenhas, e eu pulando as que são sobre livros que ainda não li… O Paulo Krauss, de Curitiba, fala do último livro do Milton Hatoum, Órfãos do Eldorado. Paulo não gostou muito do livro, embora ache que não desmerece a obra do Hatoum. Pois eu AMEI o livro, achei danado de bom, especialmente o emprego que faz dos mitos da região amazônica, explícita e implicitamente. Considero as críticas que Paulo faz ao livro como críticas de alguém cujo viés de leitura passa mais pelo jornalismo do que pela literatura… Mas já concordo plenamente com ele, quando considera que a obra-prima do escritor amazonense é Dois Irmãos. E Paulo Krauss fecha com muita graça esse texto:

Órfãos do Eldorado é um bom livro de um bom autor. O mito de melhor escritor brasileiro, no entanto, cabe sempre na piada de Cristovão Tezza, que diz não ser nem o melhor escritor de seu bairro, onde também mora Dalton Trevisan.” (no. 97, C1, p. 6)

“Mudaria o Natal…

… ou mudei eu? “, perguntam os versos de Machado. Pois posso responder que não sei do Natal, mas eu mesma estou em franco processo de mudança. E acho interessante como isso vem se gestando, devagarinho, um germe de mudança que vai se formando e crescendo lá dentro, até se manifestar plenamente, não sei ainda se borboleta… ou se lagarta. Só posso adiantar que não estou fumando, não estou bebendo, não estou namorando… só falta me converter a alguma seita esdrúxula, hehehe. Mas ainda é cedo pra falar disso, porque ainda não sei o que vou aprontar pra mim mesma. Falarei quando souber dereitinho como é, o que é, como foi…

Hoje saí pra caminhar um pouco antes das seis e meia. Lua cheia ainda no céu, a lembrar aquele famoso jantar na Lagoa com João Bosco e Nico Assumção, vocês se lembram, Samuca, Cláudia, Celson? Pela Lauro Linhares, em direção à Penitenciária, na rua apenas eu e os vigilantes da Back, uniformizados, em direção à sede da empresa, que fica na Trajano Margarida. O ar está fresco ainda, neste veranico de maio, e o passo vai se acelerando sozinho, prazeroso. A lua me vigia, maldosa, e eu nem aí…

Pego a passarela do CIC pelo lado do trevo, e subo e desço sem mudar o passo, como o Daniel ensinou, todas as quatro rampas, descendo em definitivo pela de lá. O sol, que ameaçava em vermelho, já se acalmou, e corro um belo pedaço, também como Daniel ensinou. Há outras pessoas, poucas, caminhando, a maioria afável, dando bom dia ao cruzar com alguém. Nenhum ciclista, nem mesmo os taradinhos que vão participar do Ironman, este domingo.

Saí sem MP3, pra poder pensar - ouvir música me desativa a mente, canto junto, sigo o ritmo da melodia, não consigo juntar duas idéias… Os funcionários da prefeitura já estão trabalhando na reforma da Rua Presidente Gama Rosa, reforma que anda enlouquecendo o pessoal que tem comércio ali. Um deles me disse que ligou, desesperado, pra Secretaria de Obras, e de lá garantiram que entregam a obra prontinha até o final da semana. Pelo estado da obra, ele duvida - e eu, também…

As padarias já estão abertas, os mercadinhos vão abrindo, e o feriadão deixa a Trindade tranqüila, sem os estudantes a caminho da escola, sem os universitários a caminho da UFSC, só os trabalhadores de sempre, a caminho do paraíso… O porteiro do dia é o Alemão, com suas eternas piadas sobre o Lula. Pego minhas chaves com ele, pego o jornal, e a lua continua me vigiando, maldosa, como se me dissesse: Dona Regina, veja lá o que a senhora vai fazer… E eu respondo, sorrindo: nada, madrinha, nada! Ando que é uma santinha…

Canibalizando Roberta!

Roberta, não é que ” o nome dele ERA Scotto”. O nome dele ainda É Scotto…

Roubei do blog da Roberta (nós duas somos ladras assumidas…) não porque elogia meu blog, como sei que vocês vão pensar, mas porque conta uma historinha ótima do Scotto, na qual me encaixo perfeitamente: na minha alma faz frio a toda hora, hehehehe… AMEI! E avisei Scotto, naturalmente. Afinal, não se traem os amigos, ou não serão amigos por muito tempo. E eu ADORO tio Scotto, tanto quanto os ex-alunos dele!

Quinta-feira, 22 de Maio de 2008

Todo artista é um canibal

Hoje um amigo me disse que sempre tem a impressão de que eu escrevo para ele, mas eu não escrevo. Uma outra amiga me disse que sempre lê nas entrelinhas do que eu escrevo o que eu disse para ela, conversando no msn ou por scrap, mas que não está dito aqui, e que quando ela lê o que eu escrevi ela sabe como tudo se encaixa. E eu fiquei meio assustada, falei “nossa, mas fica tudo tão na cara assim?” e ela disse que não, mas que está ali para quem souber procurar. E daí ela me disse que gostou da poesia que eu escrevi e eu comentei que nem me entendo escrevendo poesia.

Eu sempre achei que não gostava de poesia, eu gosto de alguns poetas específicos, Drummond, Pessoa, Ana Cristina César, Manuel Bandeira e só… Mas sempre preferi prosa, só que de vez em quando eu sento e escrevo e o que sai poderia ser chamado de poesia. E eu não consigo evitar. Nem escrever e nem me criticar por ter escrito aquilo.

E daí eu lembro daquele primeiro professor do jornalismo, aquele que dizia para a minha turma que se ele poderia ensinar até um bando de macacos a escrever, ele nos ensinaria. O nome dele era Scotto e basicamente ele dava porrada para a gente aprender a apanhar, e entender que o texto não é você, é só seu texto e sim, ele pode e será criticado. Ele dizia que quando a gente escreve alguma coisa, o primeiro impulso era se apaixonar por aquilo e daí o senso crítico ficava afetado e não conseguia identificar as falhas, e ele queria distanciamento e humildade com relação ao texto. Na primeira aula a turma tomou tanta mijada que eu eu tive a nítida impressão de que os macacos iam se sair melhor do que a gente. Uma das coisas que ele dizia virou piada entre os amigos: faz frio dentro de mim.

Era isso que ele dizia dos poetas, que eram pessoas que tinham essa sensibilidade exacerbada, uma certa veadagem interior, nem um pouco jornalística. Coisinha ridícula ficar escrevendo coisas meigas e românticas, e o exemplo dele era sempre esse: blablablá blablablá faz frio dentro de mim. E quem escrevia poesia até ficou com vergonha de escrever mais. Não era meu caso, eu concordava com ele, esse negócio de escrever poesia, tenha dó… Seja homem (não no sentido literal, mas no de coragem) e diga com todas as letras, eu achava que poesia só insinuava as coisas.

Bom, daí hoje depois de relembrar esse passado não tão longínqüo com a amiga ela disse: todo artista é autobriográfico. E eu concordei, acho que faz todo sentido, mas na hora não percebi que ela estava falando de mim. E muito tempo depois eu ainda estava relembrando a conversa e tentando entender o que ela tinha me dito e pensando se um dia eu me veria como ela teve a audácia de me ver: como artista.

Por enquanto vou só agradecer a amiga do fundo do coração. Tanto por me ler nas entrelinhas e por fazer meu discurso subentendido ter sentido, como por me fazer elogios nas entrelinhas e me dar razão para refletir.

Ultimamente não se passa um dia na minha vida sem coincidências estranhas, mudanças inesperadas e decisões importantes, e mesmo assim meu coração está em paz.

E eu sei que é porque eu tenho trabalhado na direção em que eu quero ir, escrevendo minhas baboseiras inesperadas, fazendo meus desenhos, cultivando meus amigos e minhas paixões.

E daí me ocorreu que eu fiz esse blog mas que eu não leio blogs e eu resolvi usar aquele botão ali no alto e ver quais eram os próximos blogs. Bom, confesso que fiquei decepcionada. Os blogs dos meus amigos são atualizados de vez em nunca. Eu acabo desistindo de acompanhar porque é chato entrar todo dia e ver que nada mudou (sem ofensas povo). E os blogs de desconhecidos são muito esquisitos… Tem vários que são como álbuns de família virtual, do tipo “veja como o Jimmy cresceu” ou “olha que bonitinho ele dormindo ajoelhado” e não me interessam. Tem uns que são sobre esportes. Não dou a mínima para o Manchester ser campeão. Tem muuuitos em chinês, ou seja, ilegíveis… E tem muuuitos com um post ou dois. A pessoa fez o blog e provavelmente não teve retorno e desistiu. O único que está sempre ali, atualizado e me dizendo coisas importantes é o blog da Regininha, que eu leio mais do que jornal e consulto mais do que o google…

O banheiro do Papa

O Carrión mora no prédio em frente ao meu, e seu quarto dá para minha sacada. Cortinas azul-escuro, sempre fechadas. Por razões que desconheço, Speck e ele trocaram de quarto. Agora as cortinas estão sempre abertas - ou quase sempre. Hoje vi Speck ali,e fui falar com ele, pois combinamos discutir um CD do João Bosco. Só não poderia ser hoje, porque eu estava saindo pra ir ao CIC ver este filme, O banheiro do Papa, que ia passar às 18:15.

Ontem vi o Meireles recomendar o filme na TV, e me animei. Speck também recomendou: um belo reforço.

É uma co-produção Brasil-Uruguai, mas é um filme uruguaio, cuja história se desenrola em Melo, perto da fronteira dos três países do cone sul. O Papa vai visitar a cidade, e as pessoas fazem planos mirabolantes, esperando mais de 20.000 brasileiros, depois 40.000, depois 60.000, que iriam até lá para ver Sua Santidade. Ignoravam que o papa já estivera no Brasil, e entre Melo e uma grande cidade brasileira, os fiéis do Brasil iriam vê-lo por aqui, mesmo…

As pessoas pobres de Melo resolvem investir na visita: se endividam, se aplicam, vão fazer lanches para vender, ganhar algum dinheiro e melhorar de vida. Como diz o Negro, continuarão pobres, “pero con plata”…

Beto, o protagonista, um muambeiro, tem brilhante idéia, mais uma: os visitantes vão precisar de banheiro. Em sua casa o que existe é uma “casinha” daquelas mais antigas. Vende a alma ao diabo, e consegue construir. Mas falta o vaso sanitário, e ele vai a Aceguá comprar, no último minuto, sacrificando o futuro da única filha. A cena mais patética do filme, patética mas comovente, é vê-lo aparecer na TV, aos olhos de mulher e filha, atravessando a multidão com o vaso nas costas - a bicicleta confiscada pelo policial atrabiliário…

Comovente também é ver aquele povo , que mal tem pra comer, olhar desolado para os montes de pastéis , de lingüiça, de pão, tudo sobrando, e ainda fazer piada: vamos ter lingüiça até o Natal… E no dia seguinte começam a se reerguer, reiniciam a vida, e, usando o banheiro novo, Beto tem mais uma de suas brilhantes idéias… Que lugar poderia ser mais adequado?

Lindo, lindo filme, com alusões interessantes - como aos Diários da Motocicleta do Chê - boa fotografia, atores adequados pro seu papel. O ator que faz o Beto tem uma semelhança extraordinária com o Belchior… O Meireles recomenda, o Speck recomenda, eu recomendo. Não percam!

Do outro lado do rio…

Pro Zé da Dorli

Assim é a vida: estar vivo é estar sempre do lado de cá, pés plantados no aqui e agora, sonhando, esperando,desejando o lado de lá, a outra margem.. . Às vezes com saudades do passado, às vezes desejando que o futuro chegue logo, uma outra margem, o lado de lá. A galinha do vizinho é mais gorda, seu gramado é mais verde, amanhã será outro dia… O outro lado acompanha nossos passos, acompanha cada passo, cada momento, nos vigia, nos arma ciladas. O outro lado do rio está sempre presente, atraente às vezes; ameaçador, outras: não existe rio com uma margem só, e o rio da vida, com suas águas ora calmas, ora tumultuadas, suas cachoeiras, seus remansos, não é diferente. É uma imagem batida, clichezão imenso, mas é bem adequada, sim. E o rio, nas palavras de um João pernambucano, o Cabral, é um cão sem plumas: jamais se abre aos peixes, ao brilho, à inquietação de facas que há nos peixes. Jamais se abre em peixes.

Mesmo sem peixes, há pontes, barcos, balsas, e há o nadar paciente e firme de quem gosta de se arriscar.E há mais ainda: como na canção, que minha vida é toda pautada pelas canções, para quem quer se soltar, existe o cais… Ou, como canta um João mineiro, o Bosco, meu rio à beira do teu cais…Ou, como canta outra ainda, rio caminho que anda, o mar te espera, não corras assim…

As pontes são para os que não se arriscam, e gostam de atravessar para o outro lado, curtir o outro lado de dentro de seus automóveis ou do selim das motos ou das bicicletas, ou até mesmo para os caminhantes, os que visitam o outro lado no conforto de tênis batidos e familiares – acima das águas, longe das águas. O barco é para os mais aventureiros um pouco, para os que querem se ver/ se imaginar no meio das águas, turbulentas ou remansosas, sem se molhar, no entanto. E nadar é para os atrevidos, para os fortes, para aqueles que afrontam as águas e as correntezas, experimentando suas próprias, temerárias e solitárias forças.

Há sempre uma forma de se chegar ao outro lado do rio, lado que anda paralelo a este, par e passo com este, e é muitas vezes tão diferente dele. Lá há margens macias e gramadas, ciprestes se mirando na água, narcisicamente, o soprar do vento nas casuarinas, flores silvestres beijando a superfície da água. Cá, são praias pedregosas, barrancos inclinados e escorregadios, rochedos difíceis de escalar… Podemos estar num lado ou no outro, e nossa vida-rio tem um pouco de cada uma dessas coisas.

Só que a vida do escritor, meu irmão, não é do lado de cá nem do lado de lá, a vida do escritor é o avesso da vida, é a terceira margem do rio, como no conto de outro João mineiro, o Guimarães Rosa … Nossa canoa flutua nas águas dia e noite, sem jamais atracar em cais algum… Navegamos num rio de dramas, risos, palavras, letras, letras e mais letras, intertextos, metáforas, metonímias, aliterações… Não sofremos com o mito da caverna de Platão, porque ele não existe pra nós. Pra nós as pessoas são postas num microscópio, são vistas em detalhes, são analisadas,sentidas, sofridas, transformadas em palavras. Pra nós o mundo é apalpado, cheirado, classificado, estudado… e transformado em palavras.

E peço licença ao Guimarães Rosa para fechar como ele fecha seu conto “A terceira margem do rio”: Mas, então, ao menos, que, no artigo da morte, peguem em mim, e me depositem também numa canoinha de nada, nessa água que não pára, de longas beiras; e, eu, rio abaixo, rio a fora, rio a dentro – o rio.

Coisas de Noel Rosa

Esta história é contada pelo violonista Henrique Cazes, no CD Sem Tostão - a crise não é boato (Canções de Noel Rosa), editado pela Kuarup. Cazes , neste CD, acompanha a cantora Cristina Buarque, irmã do Chico.

” Sendo Noel um grande boêmio, um cara que gostava de viver nas ruas, nos botequins, ele fez logo amizade com muitos motoristas de táxi, que às vezes levavam ele pra casa, às vezes emendavam com outra farra, ou às vezes levavam ele pra namorar alguma moça no Juá.

E Noel foi percebendo aos poucos que havia um motorista de táxi chamado Malhado, e o Malhado era cantor de serestas, era metido a dar o famoso dó de peito, e gostava de cantar falsas canções com palavras difíceis, rebuscadas e tal, que ele não entendia absolutamente o que significavam.

Noel foi percebendo aos poucos o estilo do Malhado, e compôs uma canção especialmente pra ele, ensinou, e combinou com ele pra lançar numa seresta pras duas filhas de um coronel lá em Vila Isabel. Chegaram embaixo do sobrado do coronel e Noel disse que ia ficar lá do outro lado da rua, pra dar o devido destaque à voz do Malhado.

Feriu o tom, e lá saiu o Malhado:

Saí da tua alcova

Com o prepúcio dolorido

Deixando teu clitóris gotejante

De volúpia emurchecido

Porém o gonococos da paixão

Aumentou minha tensão…

O coronel levantou atirando , Malhado saiu correndo, chegou na esquina lívido. Noel já estava esperando, e perguntou pra ele:

- O que houve, Malhado?.

- O cara saiu atirando, não entendi nada…

E Noel, sem perder a pose, disse pra ele:

- Pra você ver, Malhado, o que é a falta de sensibilidade das pessoas!”

Ben-Hur e Artur da Távola

O Ben-Hur fez belo artigo sobre Artur da Távola.

Taí o link: http://www.jmnews.com.br/?acao=ler&id_nots=16259&cat=5

Felicidade existe!

Agora só faço diário… Isso me transforma em “diarista”? Paroli, paroli…

O Jair e a Silvana vieram hoje, e montaram o guarda-roupa novo no meu quarto. Eu já tinha tirado tudo do quarto pela manhã, e o apartamento ficou que era uma zona, cheio de roupas empilhadas, caixas, malas, sacos de lixo de 200 l. com roupas, sapatos,  lençóis, a caixa com o aspirador…  Tinha monte de coisas até na sacada, afe. Ficaram livres o computador (era o dia de redigir a crônica pro Anexo e depois acabar o arquivo sobre o Bosco, lembram?) e o sofá pequeno, pra eu poder ver TV, se quisesse.

Eles terminaram a função às oito da noite, exaustos, e ainda levaram embora o armariozinho e a cômoda que havia no quarto - vão dar para uma vizinha que precisa. Comecei o dia indo  a pé até a UFSC, para entregar um material na editora, e quase morri de calor na volta… Tirei tudo do quarto. Escrevi a crônica em etapas, ficou uma crônica bem diferente das que faço habitualmente, fiquei meio insegura… Tem meu estilo, mas não tem muito meu jeito, sacumé? Daí fui terminar João… Com aquela confusão pela casa.

A Silvana ainda varreu todo o quarto, deixou bem limpinho. Jair volta hoje: esqueceu de trazer os puxadores das portas… E houve um problema inesperado: o piso é tão irregular, que ele perdeu muito tempo acertando o armário, nivelando as portas. Pior: aquele rodapé que deveria encaixar na lateral não coube, ele vai ter que refazer…

Quando eles saíram, eu também estava exausta, e lhes disse que arrumaria o armário só depois  de Jair instalar  os puxadores… Mas comecei a arrumar o que estava no box do banheiro, pra poder tomar banho, e tudo foi ficando tão bonitinho, o armário ficou tão bom, tão cheio de lugares pra tudo, que quando vi tinha arrumado quase tudo, faltam só os maleiros, porque não quis ficar subindo e descendo da escada àquela hora da noite… E me bateu crise de infantilidade: fico abrindo as portas só para olhar, orgulhosamente, os pertences tão arrumadinhos ali dentro, coisa mais bonitinha…

Depois que o Jair acabar tudo, hoje, ainda vou fazer foto do bichinho, pra mandar pra Cris e pro Inácio, que estão loucos pra saber como ficou…  Faceira, faceira!