Archive for June, 2008

Os conjuntos vazios

Exagero ao dizer que é um exemplo de vacuidade, e que não diz nada pra ninguém. Sou meio exagerada, ‘cês sabem, mas naquilo que o exagero tem de didático: o pessoal presta atenção no exagero, e por conta de ele ser tão rebarbativo, até acompanha seu raciocínio.

Quando falo em conjunto vazio ou discurso da vacuidade (quando quero ser mais chique e parecer mais culta) estou falando do discurso acadêmico, e aqui, definamos, acadêmico = universitário. E o discurso acadêmico-universitário não chega a ser um discurso da mais completa vacuidade: ele pode significar alguma coisa, sim, mas apenas para outro acadêmico. É besta, chato, tem pouca durabilidade, porque a teoria que se usa hoje vai estar em desuso amanhã, e será substituída por uma nova. Mais, porém, do que susbtituí-la, terei, também, e provavelmente, que abjurá-la e ver apenas seus defeitos, como a gente faz com amante desprezado… E não fala, por exemplo, talvez nem veja, que foi a teoria fora de moda que me deixou apto/a a compreender e utilizar a sua substituta. Do mesmo modo como o amante que desprezei e/ou aquele que me deixou me habilitaram para este novo amor, mais inteiro, desprendido e completo.

A trô de quê? Por causa da palavra OPACIDADE, que li no Cultura do DC, sábado passado. O conceito que o acompanha, em teoria literária, foi emprestado de Paul Valéry, o poeta dO Cemitério Marinho. Mas não se iludam: quem o utiliza vai utilizá-lo emsentido que apenas ele sabe muito bem qual é, pois conhece a palavra “opacidade” através não só de Valéry, mas de vários exegetas e teóricos que o explicaram, negaram, reforçaram o sentido, aprofundaram o conceito, mudaram-no pois. Ler artigo em linguajar acadêmico, assim, exige mais do que conhecer-lhe a semântica habitual e a terminologia específica: exige que sejam conhecidas as variações semânticas, as nuances que acompanham cada termo. 

Quando quero ler artigo acadêmico, vou às revistas da minha área, de preferência às de renome ou bem classificadas no ranking. Quando quero ler artigo mais simples, vou à imprensa. E espero encontrar , nela, algo vazado no que brincando chamo de “língua de gente”. Assim, me irrita um pouco encontrar Valéry e sua opacidade num jornal, mesmo que num suplemento especializado. (Este termo é só um exemplo, poderia haver muitos outros. Foi escolhido porque cai como uma luva, e fica bem irônico.)

Há, me parece, a pretensão de acreditarem que publicar em jornal esse tipo de texto acaba por popularizá-lo. Ora, pretensão e água benta não fazem mal a ninguém? Bem, abençoado seja quem acreditar nisso, vai cair dum cavalo e tanto, belo tombo… Os estudiosos que conseguiram popularidade alcançaram isso SIMPLIFICANDO a sua linguagem, e não popularizando os termos e conceitos mais complexos. Pela razão muito óbvia de que um conceito científico tem uma uma história complexa atrás de si, e é preciso, mesmo que superficialmente, dominar essa história para chegar à plena compreensão do conceito e da utilização do termo.

Mas discurso que não alcança seu público leitor é um discurso vazio, sim. Assim, não é exagero, não, eu dizer isso. E, ao mesmo tempo, acho que os meninos devem fazer essa experiência e tentar alcançar esse objetivo. Pelos comentários que me têm sido feitos, o máximo a que se está alcançando é que as pessoas deixem de ler o caderno: tá chato demais, elas dizem. Nem abro mais, dizem outras. Mas só se chega a uma etapa depois de ultrapassar outra, e se não se está educando a ninguém, talvez se eduquem a si mesmos, e aprendam que há frases bíblicas muito corretas. Aquela que diz “A César o que é de César” pode ser uma delas…

 

   

 

 

 

 

Filme infantil

 

A sombrinha se abre

a um vento que não existe

(nem a saia levanta)

e leva a mundos em que

tudo, tudinho, tudico

só pode ser doce

hasta dolores,

sino dolores…

 

Já se tentou ser

Louise Brooks

Rita Haywoord

Gloria Swanson

Greta Garbo

Heddy Lamar

até mesmo

Beth Davies

a malvada,

canastrona e genial

 

Mas não há physique

nem psique

du rôle:

Julie Andrews

é o par:

Mary Poppins

sou

supercalifratagilist

e nada spiralidoso…

 

Meu lugar é vida

em jardim de infância,

doce, barulhenta

romântica

doces de nenúfar

sonho de beija-flor

gerâneos na janela

e nada

nadica

nadíssima de tormentos…

 

The sound of music

com edelweiss

de música de fundo

e seu adeus

cheio de melancolia:

but always

“happy to meet me”.

supercalifralisticspiralidoso…

I’m very happy to

meet me

dona de mim de novo

 

e de minha vassoura

mágica.

Sem sombrinha que voa…

supercalifragilistic

mas não spiralidoso…

De amor e de respeito

“Qualquer maneira de amor vale a pena”, diz a canção.E virou hino do amor homossexual…Não creio que os autores tenham pensado nisso, ao compô-la, mesmo que sejam gays ( e não sei se o são, ou não, nem interessa). É provável que tenham pensado nele abstratamente, no amor em geral, que é justamente o que torna a canção maravilhosa - e o amor homo cabe dentro dele, também.

Acabo de me indispor com pessoa de quem gostava, mas com quem a convivência era sufocante. E era sufocante porque era desrespeitosa. “Respeito é bom e eu gosto”, dizemos, a repetir velha piada. E esta pessoa me manda email dizendo: quero que saibas que gosto muito de ti. Bem, jamais duvidei disso. E nem de que eu também gosto dela. Só que isso não é o suficiente, nem desculpa tudo, como ela parece pensar: há limites para o afeto, para o amor, para a paixão.

Há pessoas pra quem basta ter quem as ame, e elas ficam à mercê dos comportamentos dessa outra . Se submetem a tudo, ficam passivas, e preferem toda e qualquer humilhação a ficar sozinhas. Há pessoas, por outro lado, para quem basta amar e elas acreditam ter o direito de fazer tudo para saber do outro, para controlar o outro. Nenhuma da duas tem alguma segurança, nem amor próprio, nem noção de limite… Uma amiga vareja milímetro a milímetro a vida do homem amado, fiscaliza sua página do orkut de dez em dez minutos, descobre suas senhas de tudo e pra tudo, e se sente corretíssima ao fazer isso, não se tente questioná-la a respeito. Bem, isso não é amor: isso é doença.

E não é só nas relações amorosas que essa necessidade insana de controle vai aparecer. É até nas relações de amizade, nas relações entre irmãos, nas relações com os filhos. Nosso contatos interpessoais não são seguros, certos, controláveis. Precisamos nos conformar com isso, saber lidar com isso, aceitar isso. “Os corpos se entendem, as almas, não”, diz o poema do Bandeira. Mas se eu sei que a outra pessoa gosta de mim, por que fiscalizá-la? Se eu acredito que ela gosta de mim, por que fiscalizá-la? Se quando estamos uma na companhia da outra temos momentos legais, por que isso não pode bastar? Quando estivermos juntos/as, nos bastamos - é bom, deixe-se que isso seja suficiente.

Não considero um favor alguém tirar pra mim um ingresso prum espetáculo que eu não desejo ver, e querer que lhe faça companhia. Talvez eu até fosse, caso ela tivesse consultado antes, em termos mais ou menos assim: “quero muito ver, e gostaria que fosses comigo. Topas?” A menos que fosse algo muito horrível, por afeto eu provavelmente toparia. Mas comprar primeiro, me avisar depois, em cima da hora, ignorando se eu teria ou não algum outro compromisso (e tinha!) e achar que está me prestando alguma honra, não. Não, não é uma gentileza: é um desrespeito.

Oh, sim, já fiz um dia tudo aquilo que estou condenando aqui e agora. Mas aprendi. Já fiz cenas de ciúmes, já senti ciúmes de me roer toda, inseguranças terríveis, tentei controlar cada segundo da vida do outro, e já fiz até pior, acho: fui pegajosa, chata, insuportável. Afinal, a amiga controladora citada me ensinou alguma coisa…

Mas eu aprendo com os erros, e esta é minha grande qualidade. Aprendi, por exemplo, que a insegurança faz parte, e há que aceitá-la como tal,a conviver com ela numa boa. Aprendi que nenhum afeto, nenhum amor, nenhuma paixão vale a perda da privacidade, o desrespeito pelos limites, a aceitação de autoritarismo(s). Se alguém sai da tua vida hoje, amanhã ou depois outra pessoa entrará - amigo, amante, irmão, qualquer que seja o vínculo. Se não aparecer ninguém? Bem, entre aceitar conviver com quem não nos respeita, com quem não respeita a si mesma/o nem gosta de si mesma/o ( e daí não sabe como respeitar o outro nem gostar dele), e viver só, é melhor ficar só. E bem acompanhada/o.

Eu ontem fiquei doente

Pois é, tem mais de um tipo de doença… Tem aquela que pega pesado e nos derruba, e nada podemos fazer, a não ser nos submetermos a ela, e entregamos os pontos já de início. E tem aquela que é mais light, permite que a gente vá levando. Só que tal “leveza” vai corroendo, estressando, exaurindo.

Comigo aconteceu esta semana, com a tal crise de sinusite… O remédio pra inalação de nome erótico ajudou bastante, mas os analgésicos me derrubam - daí, com muito serviço a ser feito, deixo pra tomá-los só à noite. Durante o dia, há que agüentar o martelar contínuo na fronte. Se tiver que sair, neste frio, também não faço a inalação, só quando volto pra casa, e sei que não terei mais que sair.

Esta semana tive duas bancas de TCC, as duas em texto, e precisava terminar a revisão de um livro. Voltas, compras, pagamentos, preparação de jantar pra amigos. E fui segurando as pontas, como a gente faz também quando fica gripada/o. Ontem pela manhã, a faxineira veio, e ajudei um pouco numa coisa ou outra. Depois saí, fui à farmácia, ao mercadinho (tinha acabado o lustra-móveis), à loja de embalagens, ao banco pra desbloquear o cartão novo, para que ela pudesse arrumar a sala em paz, e eu não estivesse ocupada no computador, atrapalhando.

Depois que ela saiu, lá pelas 13 horas, fiz uma sopa bem quente, fiz uma inalação, tomei um analgésico, dormi um pouco. Em seguida, computador, e consegui terminar a revisão, o capítulo que faltava. Daí decidi: querem saber duma coisa? Hoje vou ficar doente! Pois me permiti isso, sim senhores!

Às quatro fechei a casa toda, pra ficar bem quentinho aqui, tomei banho bem quente, pus pijama, robe grosso, desliguei os telefones (três telemarketings em seguida, ninguém merece…) Peguei meu tricô, liguei a TV, e tava passando CSI-Miami seguido de Law&Order… Maravilha!

E isso tava tão bom, tão quentinho, tão aconchegante, tão sossegado, que periga eu hoje ficar doente de novo, hehehe…

ADENDO: Várias pessoas têm recomendado a buxinha do norte pra sinusite. Mas meu médico des-recomenda: ela destrói  a mucosa nasal ( e é abortivo, lembram?) . Comentava isso com amiga, e ela corroborou, contando de parente seu, que teve que usar um gel dentro do nariz por belo tempo, até a mucosa se regenerar… Deuzolivre! Melhor a sinusite!

Uma mulher como poucas

Aprecio muito as pessoas espontâneas e francas, especialmente as que se aceitam como são, sem grandes frescuras. Se forem capazes de rir de si mesmas, então, me apaixono na hora. Está muito em voga corrente de pensamento positivo, em que cada um se vê como depositário de todas as qualidades do mundo – como se as palavras tivessem o dom de transformar o ser… E como se defeitos, em sendo ignorados, se corrigissem sozinhos, ou deixassem de existir. É uma espécie de politicamente correto em relação à existência, e a matriz americana está voltando atrás, pelo menos nessa história do politicamente correto e das tais ações afirmativas. Mas nós, sempre décadas atrasados, obviamente perseveramos nelas.

Encontrar pessoa que não fale de si mesma só em termos positivos, porque é lúcida e se aceita como é me encanta, mas constrange o povo em volta. Tenho colega que encara meu tamanho como defeito de caráter, por exemplo. Fica constrangida quando brincam comigo por causa disso, mas eu tenho gerações de ilhéus baixinhos atrás, e brinco com isso citando Quintana: sou portátil, como Bruna Lombardi, que é dois centímetros mais alta que eu.

Se digo que sou velha, idosa, então, parece que estou me xingando … Ora, quem tem mais de 60 anos é idoso, né mesmo? Sou velha, vou ficar mais velha ainda, espero que muito mais velha, e sou saudável, produtiva, alegre. A velhice está sendo a melhor fase da minha vida – embora preferisse evitar as rugas e os cabelos brancos, tá na cara.

Pois a velha senhora subiu no ônibus com dificuldade, mas rindo dela:”velha e, além disso, gorda”. Custou a passar na estreita porta do coletivo, alemã alta e pesada que é, carregando mais de uma sacola. Sentou-se a meu lado, na poltrona 4, e um rapaz colocou a seus pés mais uma maleta. Ela agradeceu a gentileza, acomodou-se, puxou conversa.

Éramos duas senhoras entradas em anos, sentadas ali na frente. Gosto de ver a estrada, viajo sempre na poltrona 3, se estiver disponível, e costuma estar: a neura coletiva aconselha que se evitem os assentos da frente do ônibus, para o caso de colisão frontal. Não se pensa nas colisões laterais, ou até nas que vêm de cima: filho de amigo sofreu uma, passando sob um viaduto…

Eu ia até o destino final, Jaraguá; ela ia ficar em Piçarras. Ia se encontrar com um primo que não via há mais de dez anos, e que descia de Curitiba apenas para se encontrar com ela e revê-la.

O nome dela é Hermenilde Boeing de Lima, e tem 83 anos. Nasceu em Armazém, mora em Braço do Norte. Antes morava em Brasília, com o marido paraibano, de Patos. Ela lecionava Enfermagem, ele era funcionário público. Não tiveram filhos, mas adotaram uma menina. Viúva há vários anos, sente muita falta do marido, que morreu no nordeste, numa visita à família; lá mesmo foi enterrado, conforme era seu desejo.

Fala dele com simplicidade, sem grandes exageros, histórias simples, cotidianas. Pelas histórias que conta, porém, percebe-se que eram muito dedicados um ao outro. A idade avançada faz com que tentem impedi-la de viajar sozinha, e ela se sente tolhida por isso. Como eu, que sou vinte anos mais moça, não gosta de se sentir dependente, ou incapaz. Mais ouvi do que falei, mas ela deve ter se sentido aprovada, pois na hora de descer em seu destino lamentou deixar o aconchego de nossa conversa.

Quando o ônibus saiu da rodoviária de Piçarras, pude vê-la sentando-se na lanchonete: uma velha senhora de cabelos brancos rareando, aberta, sincera, despachada. Gostei dela, gostei muito dela, e faço votos de que seja feliz, naquilo que lhe couber a ser vivido: em paz, em liberdade, com saúde, com afeto.

Vai uma dor de cabeça aí?

Sou dessas raras mulheres que raramente têm dor-de-cabeça. Tive muitas, na infância, e sofria adoidado, até descobrirmos que era pura e simplesmente sinusite. Um tio farmacêutico me botava a fazer inalações sei lá do quê, eu me livrava daquele muco horroroso, e ficava livre por uns tempos.

Mas nada de dores de cabeça em TPM, nada de enxaquecas. Sorte, acho. Quando me dá dor de cabeça, já sei: a Dona Sinusite tá de volta… Puxa, mas às vezes ela capricha nesse retorno, parece até A Volta da Velha Senhora… Vem se vingando de meio mundo, e este meio mundo é a pobrezinha de mim. Mas até nisso tenho sorte: ela vai se localizar naqueles lobos sobre (ou sob?) as sobrancelhas, e sai com facilidade. Depois de me botar desesperada, of course, por um bom par de dias…

Hoje tive que ir ao centro, e vocês já sabem que ir ao centro me põe de mau humor. Com dor de cabeça fica ainda pior… Os remédios me deixam pra lá de sonolenta, e seu efeito não é lá muito duradouro. Tenho TCC imenso pra ler, e os olhos parecem que vão se despregar da cara, um horror.

No centro,ali na feira do Largo da Alfândega, paro na barraca natureba do amigo feirante (pão feito pela mulher dele, um pacote de ervilha seca pruma sopa de inverno, com bacon - não, o bacon não compro dele, hehehe… Nem toco no assunto, aliás!) e ele me recomenda inalação com buxinha do norte. E dá indicação: aquele cara que vende ervas ali na esquina da praça tem.

Passei no cara:”me disseram que vendes buxinha do norte”… E ele, meio desolado: “vendo mais não, senhora. Foi proibido, por ser abortivo. Até o sexto mês, em chá, funciona como abortivo…” Tive que rir: “e as senhoras na menopausa, não ficam liberadas da suspeita?” Bem, pelo menos ele riu.

Num güento mais Tylenol ou Neosaldina, quase morro de sono, me deito e durmo em qualquer canto, feito cavalo velho e cansado. Sei que o alopata me receitaria Bactrim - e Bactrim me arrebenta o estômago. Daí resolvi que ia confiar nos meninos da farmácia. Cheguei lá e pedi: alguma coisa pra fazer inalação pra sinusite, pel’amor de Deus!Mesmo eu tendo que desistir do teatro desta noite!

Tudo bem. Olharam um pro outro, o um perguntou pro outro: qual o melhor remédio? O outro respondeu, o um foi buscar. Sabem o nome do dito cujo? PENETRO… Não, ninguém merece!

As preferências da blogueira

E não me venham com maliciazinhas, não, que não vou falar de namorados,seus xeretos!

Vou falar da TV, e dos poucos programas e séries a que assisto. Listados como estarão aqui, vai parecer que não saio da frente da TV, mas minha assistência é meio indisciplinada, assim como eu mesma. Na maioria, policiais, que adoro tanto em livros como em filmes. E, vamos e venhamos, as séries policiais na TV são mesmo ótimas; algumas delas, ao menos. Por causa disso, virei fã do AXN (que repete a programação em blocos diários de oito horas), e alguma coisa no FOX. No A&E também passa, aos domingos, com repeteco no decorrer da semana, série interessante, chamada Numb3ers, muito, muito legal - nela, a Matemática é utilizada, com suas teorias, para auxiliar na solução dos crimes. Não sei se aprendi alguma coisa de Matemática: a forma como ela aparece ali talvez não seja lá muito verossímil prum matemático, mas pros leigos torna o bicho-papão da nossa vida escolar algo pra lá de legal. Simpático à beça, dá até vontade de ir pesquisar aquelas teorias todas…

Há mais de um tipo de série policial - de um modo geral, uma dramática, ou séria, se preferem, e outra apelando mais pro cômico. Às vezes essa variação se dá de um episódio pra outro da mesma série, com a mudança de roteirista, ou mesmo um roteirista só se mostrando… Há umas mais lights: Women Murder Club, por exemplo, ou Bones. E outras mais pesadas. Sou fã de carteirinha de Criminal Minds, que só vejo em repetição, pois passa nas sextas, às 20 horas, meu horário de boteco, na happy hour com tio Clóvis, Tadeu, Sabrina, Adriane, Amanda (que tem sete aninhos, e só vai de refri…) e quem mais aparecer.

Tenho duas favoritas: CSI-Miami, pela feiúra ruiva do David Caruso e seu pescoço torto (uma menina um dia entra lá e quer falar com “o homem do pescoço quebrado”, hehehe… Nada como autotexto gozador!) E pesa também a beleza cheia de mar e rios de Miami, e a qualidade da fotografia e dos cenários. Me divirto com toda a elegância das viúvas que acabaram de enterrar o marido, elas inconsoláveis, mas usando vestidos tomara-que-caia, very sexy, e muita maquiagem e penteados em estilo pirua… Variam muito os casos, alguns envolvendo a própria pessoa dos investigadores, e isso os torna mais próximos do telespectador. De um modo geral são atores canastrões, tornados populares por características não muito previsíveis, que vão sendo aproveitadas ao longo de seu desenvolvimento.

E aquela que me deixa rosnando quando perco algum episódio é Law&Order - Criminal Intent, mas aquela com Vincent D’Onofrio e Kathryn Erbe (tem um outro com Chris Noth, o Mr. Big de Sex and the city). D’Onofrio faz um investigador muito neurótico, Goren, mas brilhante, especialista em comportamento, uma coisa fantástica. Emprega soberbamente Psicologia Aplicada com sua observação de postura corporal, e é absolutamente improvável a maneira como sabe tudo a respeito de tudo - mas é ótimo vê-lo em ação. Em um dos episódios se confronta com uma criminosa tão brilhante em análise comportamental imediata (meio forçado, isso…) quanto ele - e seu duelo intelectual é fantástico, embora cruel ao extremo.

Só que tem um CSI que também sabe tudo: é Grissom, do CSI original, que se passa em Las Vegas. É um entomologista, um especialista em insetos, feito aquela criatura maravilhosa que foi o compositor Paulinho Vanzolini. E isso significa que gostar de insetos não depõe contra ninguém; afinal, eu sou essa Regininha maravilhosa que ‘cês conhecem, e adoro filmes de terror… O problema é que abusam um pouco das anatomias, dos cortes, recortes do legista, um humor que é meio nojento, e que ninguém merece. Quem gosta daquilo, faça o favor de ir se tratar, pois tem problemas MUITO SÉRIOS!

Fugindo disso, porém, dos policiais, fui um dia cair, por acaso, em série nova da HBO bolada e dirigida por Rodrigo García, filho do Gabriel García Márquez. Os roteiristas são muitos, e variados. O guri tem feito ótima carreira na terra do tio Sam, e já vi um longa seu simplesmente bom demais. Tinha visto já algumas propagandas da série, mas franzi o nariz e não fui assistir. Chama-se Em tratamento, In therapy, e fugi de início porque já fiz muita psicoterapia, neurótica assumida que sou, e não estava com saco. Um dia parei ali de paraquedas, sem saber o que era. O diálogo era muito bom, a atuação dos atores muito especial e sensível, e descobri que são quatro clientes, cada um em seu dia fixo da semana, e um dia para o terapeuta fazer seu acompanhamento com sua própria terapeuta, a atriz fantástica que é Dianne West. Isso sem contar que o terapeuta é o ótimo Gabriel Byrne que, além da competência, é homem pra lá de charmoso.( Aliás,não espalhem, mas eu o acho lindo!) Não vejo todos os dias, mas acompanho sempre que posso, e tenho adorado…

E notaram que horror: não vejo nada nacional, oh dor! Acompanho filmes hispanos no Cinemax, até uma série belga, eventualmente, no Eurochannel ( Septième Ciel) e muito pouca coisa a mais… Podem me recomendar algo nacional bom, sim, mas que tenha horário pra começar e pra terminar, ou nem toquem no assunto…

Uma segunda de trabalho

Escrever sobre um assunto faz com que organize o dito mentalmente. Assim também com minha agenda. Vou ter semana pesada, e trato de distribuir tudo de forma adequada, cada tarefa em seu tempo.

Depois de noite bem dormida, fica fácil ter energia pra tocar a segunda-feira. E as tarefas do dia estão na mesa, à espera, mas não gritam, estão esperando, tranqüilas, como estou eu.

Hoje à tarde tenho uma banca de TCC, lá no Jornalismo /UFSC. Júlia Neves fez monografia sobre Clarice Lispector e suas entrevistas (”suas” aqui é ambíguo: as que ela fez, por precisar ganhar dinheiro). Já está lida, tem algumas anotações, mas quero reler o terceiro capítulo e fazer breve roteiro das intervenções, incluindo os elogios, que são vários. É também dia de redigir a crônica da semana, para poder dar mais de olhada antes de enviá-la. Tenho duas preparadas, já escolhi a que vai amanhã pro AN, mas tenho que escrevê-la. Está rascunhada em papel, foi feita em viagem.
Reviso um livro para a Design Editora, quero fechar o terceiro capítulo ainda hoje - e mandar os três prontos pro Schroeder. E penso no artigo sobre o poeta Alcides Buss. Tudo lido, tudo pensando, vão sair dois artigos, um apenas sobre seus dois deliciosos livros de poemas para crianças. Pretendo fazê-lo o primeiro esta semana, ainda, e enviar pro jornal no início da próxima, quando passarei a trabalhar no outro, sobre seus poemas “de adultos” (?).

E vou ter mais uma banca de TCC na quarta, a do Dalmo Borba, e uma última na sexta, a da Fernanda Peres. Terminando a revisão do livro esta semana, também, entram mais duas, que devem ser feitas na semana seguinte. E combinei concerto com algumas amigas, terça à noite, no TAC - com uma cantora e o piano do Heller, homenagem ao centenário de imigração japonesa. Sábado subo a Jaraguá, traveis, pro casamento do João. Mas vou de carona, e isso facilita…

Meu dia começa com o incentivo dado à tireóide aposentada, via hormônio, em jejum. Só meia hora depois é que se pode comer algo, porque o medicamento é em microgramas, precisa ter chance de ser absorvido. Acordo sempre com muita fome, e é duro aguardar pelo café. Me distraio escrevendo, vendo os emails, respondendo os que precisem de resposta, e enquanto faço isso fico planejando o café: torradas que fiz ontem, com manteiga sem sal, meia fatia de presunto, meia de queijo, uma de papaia… E um café feito na cafeteira chinesa, no estilo daquela italiana, mas com design mais moderno, mais bonito… e bem mais fácil de abrir (a italiana trava dum jeito que só mesmo com muita força pra abrir - e não tenho nem força nem paciência…)

Vamos ao dia, ouvindo os ônibus aumentarem seu fluxo, no Terminal da Trindade, ainda escuro, e ainda sem saber a cara que a segunda vai ter… Sabendo apenas que está frio, muito frio…