Tenho uma camiseta cuja estampa é do filme O Gato Preto, com Boris Karloff. Acho linda, mas tou evitando usar: me perguntam por que não é estampa de sapo, primeiro. (Tenho uma de sapo, já se sabe: beija eu, da Arte na rua, de Sampa, e é uma graça…) Depois perguntam por que gato preto. E levaria beliscão se Clóvis estivesse por perto: ele diz que dou aula até nas festas, até depois de aposentada. Tenho culpa? O pessoal me rodeia e se põe a perguntar coisas, e vou respondendo. Pra mim, tou só batendo papo. Mas Clóvis teima que não…
Pois me perguntam do gato preto, e começo a falar do conto do Poe. Quando vejo, até o homem do frigorífico tá parado, pernil congelado nas costas, e ao invés de entrar pra despejar aquilo no freezer do açougue, fica ali, olhos brilhando, até saber como termina a história. E nem falo do Boris Karloff, nem do cinema mudo, nem do Ed Wood, com medo de juntar mais gente e brigarem comigo, dizendo que não estou deixando que trabalhem. É coisa fantástica o que o pessoal gosta duma historinha… desde que não esteja por escrito, é claro… Por escrito, só notícia policial. Tá na cara que adoram o gato preto do Poe, com sua cena final de irretocável vingança…
Acho que pra próxima preparo “Os assassinatos da Rua Morgue”, um enigma de crime em quarto fechado, mas confesso que gostaria mesmo é de falar da Filosofia da Composição, onde Poe conta como compôs o poema The raven, O corvo… Aquilo, sim, é uma aventura pelo intelecto como poucas.
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O inverno muda tudo, até a Lei de Murphy vira do avesso. A vida passa a ser mais dentro de casa, com cortinas cerradas, horários mais diurnos, um vinhozinho acompanhando as refeições de fim de semana, tricô, TV. E, pra minha surpresa, até o condomínio fica mais silencioso, e o silêncio dura até mais tarde. Hoje eram nove horas quando fui na banca do Afonso, pegar o Estadão de todo domingo, com seu ótimo caderno de cultura, e mais o Anexo- Idéias do AN. Na volta, cruzei com o simpático casal do andar de baixo: saiu cedo, hoje, heim? me dizem. E tem que rir: se fosse no verão, tanto eu como eles já teríamos ido e voltado há horas…
E todo dia olho a programação do cinema do CIC, e me digo: hoje pego um cineminha… Mas às quatro da tarde a Trindade já começa a ficar na sombra, vai esfriando, ponho uma sopinha no fogo, ligo o aquecedor, às cinco começa Law & Order: Criminal Intent, no AXN… Pego o tricô, macunaimicamente bocejo ai que preguiça, e fico por casa, assim, encolhidinha e feliz!
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Na revista portuguesa, linda receita de minestrone. Vou fazer, vou fazer… Mas tem que traduzir: pôr o tacho ao lume é dose… E não sei o que é “courgette”, google nela… E tem gente que acha que falamos a mesma língua, arre égua! [Ah,e antes que perguntem, "courgette" é abobrinha - fui conferir.]
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