Archive for July, 2008

Cidade Contada

Presente pra mim!

Foi presentim do Clóvis Geyer, é claro, pois só ele para inventar tais coisas - e conseguir fazê-las tão legais.

Não sei colocar na página. Mas ponho o link.

AMEI! AMEI! AMEI! (chega?)

http://www.universidadeja.ufsc.br/regina.html

Eu hoje acordei doce…

Esta noite sonhei com o homem que amo. Esta noite, o homem que amo – que não é meu, nem nunca será,e é justamente por isso que o amo, porque ele é o homem de minhas fantasias mais bonitas – veio me ver, e ficou comigo.E em meu sonho eu punha a cabeça em seus joelhos, e ele me alisava os cabelos, meio pai, meio irmão, meio amigo, meio amante, me beijava a testa, fazia cócegas em minhas orelhas. E daí, com vergonha de estar sendo carinhoso, me soprava os cabelos, desmanchava-os brincando, e me fazia as propostas que se diverte fazendo.

Esta noite sonhei com o homem que amo, e ele foi doce comigo E o sonho contaminou de tal forma meu ser inteiro, com seu clima de extrema satisfação e completude, que foi bom demais acordar e ficar me sentindo ainda dessa maneira.

Eu hoje acordei doce… E a doçura por que estou contaminada, hoje vai me fazer também distribuir essa mesma doçura pelo mundo.

Eu hoje acordei doce… E docemente vou prestar atenção em tudo aquilo em que não costumo prestar atenção, nos outros dias: no cheiro do ar, na leveza da atmosfera, no jeito de olhar das pessoas, na sonoridade de cada coisa, sua cor, sua função, sua beleza. E vou tratar de retribuir em dobro.

Assim, como hoje acordei doce, vou gostar da cara do dia, qualquer que seja ela: com sol, chuva ou cerração; com frio ou com calor; com ou sem lindo pôr-do-sol; com agenda infernal, com agenda light;

como hoje acordei doce, vou acreditar que o transporte público vai se tornar mais barato, eficiente e confortável, que motoristas e cobradores serão responsáveis e tolerantes, e os passageiros bem-humorados e pacientes;

como hoje acordei doce, vou sorrir para todas as crianças e lhes contar divertidas e inteligentes histórias de sapinhos, mesmo que as crianças estejam sendo birrentas e chatas e vou lhes cantar o Sapo Cururu se forem alegres e queridas;

como hoje acordei doce, vou acreditar que todos os vôos vão partir e chegar na hora, e as companhias aéreas vão servir gostosos lanches quentes com um café gostoso, nada de amendoins e barras de cereal, e que seu pessoal de terra vai ser tão simpático e gentil quanto o de bordo costuma ser;

como hoje acordei doce, vou crer piamente, feito a Velhinha de Taubaté, que não vai mais haver inflação nem corrupção, que os impostos vão baixar, e os juros, idem;

como hoje acordei doce, vou ter plena certeza de que os agricultores não vão mais precisar usar agrotóxicos nem nada parecido, porque as defesas saudáveis estarão a seu alcance – de seu bolso e de sua capacidade de se responsabilizar seriamente por seu produto e de se preocupar com o futuro do planeta em que vivem, resguardando-o para as gerações futuras e por amor a estas e à Mãe Natureza;

como hoje acordei doce, vou achar que os motoristas não vão beber, quando tiverem que dirigir, e verão que assim é bem melhor – e todos vão achar jeito de se divertir sem pôr a vida de ninguém em risco;

como hoje acordei doce, não vou implicar com a programação dos cinemas, e vou me conformar em ver uma daquelas atoleimadas comédias românticas, estreladas por lindas mocinhas siliconadas e idiotas, e achar que está tudo muito bom, e que a vida é assim mesmo;

como hoje acordei doce, vou achar doce que motorista afoito tente me atropelar na calçada, pedestre indefesa que sou.

Eu hoje acordei doce… Mas tão doce, tão doce, que antes de sair espalhando pelo mundo esta doçura toda, vou primeiro passar pela farmácia mais próxima, e tomar uma injeção de insulina, só pra garantir…

(publicado no Anexo, do AN, aos 31/7/2008)

Sonhando adoidado…

Tem gente que acredita em sonho como premonição. Não acredito em premonições; logo, descreio completamente disso. Se algo que se sonha acontece, é porque o que se deseja, o que nos preocupa ou o que se teme era lógico e possível. Tem gente que lê aquelas baboseiras de significados dos sonhos que saem por aí, e acredita. Ora, como em horóscopo, uma área generalizante, um sonho não pode significar a mesma coisa pra todo mundo. Sua significação vai depender do psiquismo de cada um. Mas quem quiser saber mais, que vá estudar um pouco: não é minha seara. E faça-me um favor: vá estudar cientificamente, nada daquelas bobagens esotéricas…

Pois tive dois sonhos que me intrigaram sobremaneira, e são tão doidins, que vou dividir com vocês.Confesso que me divertiram muito, acostumada que estou a interpretar meus sonhos, justamente porque entendo meu psiquismo (mais ou menos, né?).

O primeiro foi com nosso ex-presidente, o João Batista Figueiredo, um dos presidentes do período de ditadura militar, justamente aquele que achava que o povo não cheirava bem - ele preferia o cheiro de seus cavalos - e ainda achava que o povo não sabia escovar os dentes…No meu sonho, ele era muito meu amigo, e fiz jantar pra ele. Conversávamos amigavelmente, como os amigos conversam, com muito afeto e muita descontração. E no meio do papo, ele se queixa pra mim que estava fechando seu último livro, mas muito magoado com o Xireda, que não queria lhe ceder seu desenho para que entrasse no livro… (E Xireda nem desenha!) Contei o sonho pro Carlos (nome do Schroeder), e ele queria saber onde eu tinha arrumado o Figueiredo… Pois é, aí é que entra o fator mistério dos sonhos: de onde me saiu o Figueiredo? Por que o Figueiredo? Boa pergunta, já sei…

Minha filha ( e muitas mais mulheres pelaí…) é fã do Brad Pitt, a quem não acho lá essas coisas , em termos de beleza masculina. Bonito de rosto, sim, mas magro demais, sei lá - não faz o gênero que me agrada.Pois em outro sonho ele também era muy amigo, conversamos um monte. E gostou de mim a ponto de querer me apresentar a Angelina e os gêmeos… Pode?! Não são pessoas por quem nutra interesse especial, a não ser por serem celebridades e passarem de lá pra cá a todo momento na tela da minha TV. Nem mesmo aprecio o tipo de filme que fazem, no geral (Adoro 13 macacos…). Ando rebuscando cá dentro a simbologia oculta, que não encontrei assim, no primeiro momento,e acho até que estou quase lá… Nos detalhes do sonho, que não vou contar, não! Não sô bexta, sô!…

Querem me dizer onde a gente vai buscar tais coisas? Normalmente interpreto meus sonhos colocando-os direitinho nos fatos, desejos, medos de minha vida. Esses dois aí, hehehe, fogem a qualquer explicação!(ou qualquer explicação mais fácil e simples…)

Mas noite passada tive sonho com motivação perceptível. No início da noite, Alcides Buss ligou, e me propôs inserção num projeto a ser encaminhado futuramente. Explicou o que é, quem faz parte, quem vai coordenar. (O sonho que tive não tem relação direta com isso, mas está ligado a isso, sim). E então sonhei que tinha ingressado no doutorado de História da UFSC, e ia escrever uma História da Literatura Catarinense. O engraçado foi que acordei, e os capítulos foram se desdobrando, cristalinos, à minha frente…Com títulos ótimos! Quero fazer isso, não! Mas estou vendo que até poderia, hehehe…

Casou de calças curtas

(Finalizei o capítulo do Flávio José Cardozo para o livro didático sobre os cronistas catarinenses. E não resisto a dividir esta gracinha de crônica com vocês!)

Manuel Bandeira, passeando pelo interior de Pernambuco, pediu água numa casa e ouviu a mãe gritar para o filho: “Anacoluto, traz água pro moço, Anacoluto!”. O menino obedeceu, Bandeira bebeu a água e saiu dando pulo: não é todo dia que alguém tem a fortuna de dar com um nome desses. Anacoluto é um senhor nome e descobri-lo é quase como descobrir a América. Feliz Manuel Bandeira.

Estou me imaginando na padaria e de repente escuto a mocinha que me atende chamar a colega: “Dispnéia!”. Ou então verifico que o caixa do banco é um sonoro Contubérnio Alves. Ou constato que o guarda que me pede os documentos atende pelo limpo nome de Sapóleo Ferreira. Está no crachá dele: Sapóleo Ferreira. Felicidade. Mas, no meu caso, mera ficção. No duro mesmo, não tenho tido muita sorte. Minhas descobertas são desimportantes: Floripes, Radagázio, uma velhinha Vivência. Apenas nomes diferentes. Nada como Anacoluto, que é pura sofisticação, que é puro arroubo verbal.

Quem se farta mesmo, conforme leio num desses agradáveis almanaques que as farmácias distribuem no início do ano, é o cara que maneja arquivos populosos como o do INSS, por exemplo. O arquivo do INSS é uma joalheria.

Alguns brasileiros veridicamente recenseados pelo almanaque:

Cafiaspirina Cruz. Beleza de imaginação. O sobrenome Cruz é pesado, machuca as costas, lembra sofrimento e morte. Cafiaspirina baixa a febre, corta o resfriado e não ataca o coração. Sutil compensação. Um nome engenhoso, sem dúvida.

Céu Azul do Sol Poente. Um pai que aplica no filho um nome desses é um poetão de merecer vaga de academia. Há coisa mais bonita? Se um dia eu tivesse de mudar de nome, não sei não - acho que seria capaz de partir para uma solução semelhante, tão ao gosto, aliás, dessa gente fina que são os orientais. Que tal Raio de Luz na Superfície dum Balde d´Água Cardozo?

Antônio Três de Julho de Mil e Novecentos e Dezessete. Gostei demais: é um nome prático, informativo, econômico. Na mesma lambada já vai um dado sempre exigido em qualquer ficha de crediário, que é a data de nascimento. Podia ser ainda mais explícito. Podia trazer também o local em que Antônio nasceu, mas quem sabe Antônio nasceu em Santa Rita do Passa Quatro e o pai entendeu que aí também ia ser um exagero.

Na mesma linha, mas com um pouco mais de criatividade, está este: Dezêncio Feverêncio de Oitenta e Cinco. Nas duas palavras inventadas e rimadas há humor dos melhores.

Noutros nomes transparece é um pouco de boa malícia. É o caso duma senhora chamada Graciosa Rodela e dum cidadão chamado Joaquim Pinto Molhadinho. O pai dessas criaturas devia ser um sujeito brincalhão às pampas, amigo de duplos sentidos, trocadilhos e empulhações. Na verdade, porém, um inofensivo. Podia ter sido grosseiro mesmo. Podia ter dado pra rachar. Joaquim Pinto Molhadinho, por mais que se esforce na vida, há de carregar sempre certa aparência infantil.

Inocêncio Coitadinho é um nome desastrado, acredito. O portador pode deixar-se influenciar por ele e assumir na vida uma postura sofredora e passiva. Como pode também, só pra contrariar, revelar-se um salafrário prepotente, nunca se sabe. De qualquer forma, eta mancada, no meu fraco entender.

João da Mesma Data é um tanto misterioso: que data? E João Cara de José é arriscado: que José? Há tanto José espalhado por este mundo. E se a cara de José pai não estiver de jeito nenhum na cara do dito João?

Já este outro nome aprecio muito: Lucas Casou de Calças Curtas. É mentira minha, não existe um Lucas com tal sobrenome? O leitor tem até razão em duvidar, mas o almanaque diz que existe. Como não acreditar num almanaque de boa procedência? Por isso, acredito também em Lança Perfume Rodometálica da Silva, concebida evidentemente durante as alegrias de Momo.

Esta senhora eu queria conhecer: Manuelina Terebentina Capitulina de Jesus do Amor Divino. Deve ser do Apostolado da Oração, cabelinhos na venta, um porte austero, pouco riso, uma voz grossa e mandona. Não é de espantar se bate no marido. De modo que, pensando melhor, mudo de idéia: não quero nem de longe saber de Dona Capitulina.

Leio também que são associados do INSS uma Maria Barba de Jesus e uma jovial Maria Passa Cantando. Bem como uma Pedrinha Bonitinha da Silva, provavelmente de corpo roliço, pernas grossas, toda amiga de se enfeitar, namoradeira. Do INSS não vazou nada além do nome, eu é que estou aqui pintando a moça. Mania minha de intrometido.

Um pouco lúgubre é uma tal Restos Mortais de Catarina. Não entendi a morbidez. Nem atino com a forma ideal de falar com semelhante mulher: será chamando de Restos? Será chamando de Restos Mortais? Restos Mortais, prega um botão na camisa! Não, não funciona.


sumário

Este poema é de Eucanaã Ferraz. Não o conheço, pessoalmente, mas todo e qualquer poeta é um amigo, independente de vertente, jeito, idade… Além disso, foi ele quem organizou aquela coletânea maravilhosa chamada Veneno Antimonotonia… AMO!

sumário

O poema ensina a estar de pé.

Fincado no chão, na rua, o verso

não voa, não paira, não levita,

Mão que escreve não sonha

(em verdade, mal pode dormir à luz

das coisas de que se ocupa).

(IN-: cinemateca. São Paulo: Companhia das Letras, 2008. p.73)

El duende flamenco

A Luíza foi minha aluna, lá no Jornalismo/UFSC. Um dia me convidou para ir ver seu grupo dançar flamenco no Café Matisse e eu, tendo sido aluna de Espanhol da Anita, tinha aprendido com ela a amar essas coisas. Fui, é claro.

Gostei tanto que, saindo de lá, saquei da bolsa a eterna cadernetinha, e fiz um poema pra ela e sua dança. Está exposto aqui, nos posts de maio: “Danza Flamenca”.

Hoje Luíza o achou, e deixou comentário. Fui olhar seu blog, muito cheio de paixão e entusiasmo pelo flamenco, e tudo que ele representa e AMEI. Dêem uma olhadinha: http://duendeflamenco.blogspot.com/(já está linkado, Lu!)

Sistema Operacional

Não sei onde a Magaly, que chamamos de “Maga”, arranja esses textos. É coisa de maga, mesmo. Mas são bons demais!

Sistema Operacional…

Prezado Técnico,

Há um ano e meio troquei o programa [Noiva 1.0] pelo [Esposa 1.0] e verifiquei que o Programa gerou um aplicativo inesperado chamado [ Bebê.exe ] que ocupa muito espaço no HD.

Por outro lado, o [ Esposa1.0] se auto-instala em todos os outros programas e é carregado automaticamente assim que eu abro qualquer aplicativo.

Aplicativos como [Cerveja_Com_A_Turma 0.3], [Noite_De_Farra 2.5] ou [Domingo_De_Futebol 2.8], não funcionam mais, e o sistema trava assim que eu tento carregá-los novamente.

Além disso, de tempos em tempos um executável oculto (vírus) chamado [Sogra 1.0] aparece, encerrando Abruptamente a execução de um comando.

Não consigo desinstalar este programa. Também não consigo diminuir o espaço ocupado pelo [Esposa 1.0 ]quando estou rodando meus aplicativos preferidos.

Sem falar também que o programa [Sexo 5.1] sumiu do HD.

Eu gostaria de voltar ao programa que eu usava antes, o [Noiva 1..0], mas o comando [ Uninstall.exe]não funciona adequadamente.

Poderia ajudar-me? Por favor!

Ass: Usuário Arrependido

RESPOSTA:

Prezado Usuário,

Sua queixa é muito comum entre os usuários, mas é devido, na maioria das vezes, a um erro básico de conceito: muitos usuários migram de qualquer versão [Noiva 1.0] para [Esposa 1.0] com a falsa idéia de que se trata de um aplicativo de entretenimento e utilitário.

Entretanto, o [Esposa 1.0] é muito mais do que isso: é um sistema operacional completo, criado para controlar todo o sistema!

É quase impossível desinstalar [Esposa 1.0 ] e voltar para uma versão [Noiva 1.0], porque há aplicativos criados pelo [Esposa 1..0], como o [ Filhos.dll ], que não poderiam ser deletados, também ocupam muito espaço, e não rodam sem o [Esposa 1.0].

É impossível desinstalar, deletar ou esvaziar os arquivos dos programas depois de instalados. Você não pode voltar ao [Noiva 1.0] porque [ Esposa 1.0] não foi programado para isso.

Alguns usuários tentaram formatar todo o sistema para em seguida instalar a [Noiva Plus] ou o [ Esposa 2.0], mas passaram a ter mais problemas do que antes (leia os capítulos ‘Cuidados Gerais’ referente a ‘ Pensões Alimentícias’ e ‘ Guarda das crianças’ do software [CASAMENTO].

Uma das melhores soluções é o comando [DESCULPAR.EXE /flores/all] assim que aparecer o menor problema ou se travar o micro. Evite o uso excessivo da tecla [ESC](escapar). Para melhorar a rentabilidade do [Esposa 1.0 ], aconselho o uso de [Flores 5.1], [Férias_No_Caribe 3.2] ou [Jóias 3.3].

Os resultados são bem interessantes!
Mas nunca instale [Secretária_De_Minissaia 3.3], [Antiga_Namorada 2.6] ou [Turma_Do_Chopp 4.6], pois não funcionam depois de ter sido instalado o [Esposa 1.0] e podem causar problemas irreparáveis no sistema.

Com relação ao programa [Sexo 5.1 ] esquece! Esse roda quando quer.

Se você tivesse procurado o suporte técnico antes de instalar o [Esposa1.0 ] a orientação seria: NUNCA INSTALE O [ESPOSA 1.0] sem ter a certeza de que é capaz de usá-lo!