Archive for August, 2008

Sem medo da vida

Na adolescência eu era muito “cinemeira”. Lembro claramente da sessão de estréia do Cine São José, em Floripa. Passaram aquela obra linda do Vitório de Sica: Milagre em Milão. Em preto e branco, com aquela estética que apenas os filmes em preto e branco conseguem ter.(Hoje os cinemas estréiam não mais com filme de arte, mas com algum grande sucesso de bilheteria. Sinal inequívoco dos tempos…) Mais tarde assisti a um filme do qual recordo muito pouco, mas cujo título, pela beleza e pelo significado, jamais esqueci: O que a vida nos tira…

E de tanto em tanto, nos balanços pessoais da vida, é necessário que me ponha a contabilizar isso. Aprendi, com o tempo, que se tira muito proveito da vida ao se admitir que ela é o que ela é, e não lhe exigirmos coisas impossíveis. Para isso declamo o poema preferido do Fernando Pessoa, na voz do heterônimo Alberto Caeiro: “Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo./ E gosto  porque assim seria, mesmo se eu não gostasse.”

Acredito piamente que, em sua trajetória normal, a vida é aquilo que acho que ela seja - ou, em outras palavras, não há outra forma de alguém encarar os acontecimentos que não seja com a subjetividade de cada um. Vemos com nossos olhos, processamos com nosso conhecimento de vida, e tentamos alguma objetividade, tanta quanto nos seja possível. É óbvio? Sim, é o óbvio ululante, como diria Nelson Rodrigues. Criamos um repertório próprio, uma filosofia e uma psicologia que seja adequada a nós, e tocamos em frente.

E cada dia é um dia…

Há fatos que fogem ao controle, mas há que enfrentá-los. Uma amiga me disse uma vez, ao me ver de baixo astral: não fica triste! E olhei-a meio escandalizada, como se tivesse dito uma grande bobagem,e eu não esperasse isso. O que, aliás,  a meu ver, tinha feito. Apesar de todas as mensagens enviadas pelos livros e gurus de auto-ajuda, não se é feliz o tempo todo. Os nirvanas - exceção feita aos monges budistas, talvez - são momentâneos e esporádicos.

Há coisas que nos deixam tristes, há coisas que nos deixam zangados(as), há coisas que nos causam revolta. Há coisas que nos deixam completamente impotentes, e isso paralisa a gente … por uns tempos. Porque não está morto quem peleia, e somos lutadores. E alegres. Mas não o tempo todo, que não somos doidos nem nada…

Restaurações de dentes caem, o banheiro do vizinho de cima vaza no meu, alguém passa conversando alto pelo corredor,na madrugada e me causa uma insônia zangada… O 13º. salário não é pago na data certa, perdemos ação na justiça - e lá se vai uma parte do salário, uma grana que estamos recebendo há 17 anos… “Não existe direito adquirido”, argumentam… E ficamos muito indignados, mas se o estupro é inevitável, já se sabe. Cortam-se refeições fora, não se compra roupa nova, diminui-se o gasto com livros - só se diminui, porque livro é essencial, e roupa nova não é…

O que sobra do salário dá pra passar o mês, e há os projetos que estão sendo encaminhados, e os dias azuis, bentevis gritando no jardim, a vizinha doceira indo entregar suas caixas para os clientes, sempre animada e ligeira, violetas florescendo na sacada, o cheiro bom da muda de tomilho, e Suzana falando com graça, na crônica desta semana, do sapinho de 2 reais que lhe dei. Há este carinho que se manifesta de maneiras muito diversas, do jeito de cada um, sem que precisem dizer “gosto de ti”, ou “te amo”. E que bom que eu perceba e valorize!

A vida é o que  a vida é, e Oswald de Andrade tinha toda a razão: A alegria é  a prova dos nove.

(Publicada no Anexo do AN. 28/8/2008. p. 3)

Estação Melodia

Tinha show do Luís Melodia no teatro Ademir Rosa, no CIC. Tadeu não quis ir, fui com Sabrina, “fazer programa de menina”, segundo seu gentil namorado… Mas ele vai ficar arrependido por ser tão CDF com seus horários: tava demais de bom!

O show tem o objetivo de divulgar seu novo CD, que se chama justamente Estação Melodia. Nele, o cantor e compositor carioca grava sambas da velha guarda: Jamelão, Geraldo Pereira, Cartola, Zé Kéti, Osvaldo Melodia, seu pai… Seus mesmos, no show ele canta “Estácio, Holly Estácio”, em lindo arranjo, e uma outra cujo nome esqueci. Mas Sabrina me pergunta: essa eu conheço, de quem é?” (é que daquelas “velharadas” todas ela não conhecia nada… ) Tive que rir, né? “É dele…” Ele parece estar em fase daquilo que Chico Buarque batizou ” de brochice”. Espero que passe. Enquanto não passa, vai se alimentando da fonte inesgotável de nossos compositores populares.

Melodia, carioca nascido e criado no Morro de São Carlos, como Gonzaguinha, homenageia seu povo cantando “Gente Humilde”, em interpretação comovente. Lindo, lindo!   E de Geraldo Pereira cantou “A cabritada”, bem crônica carioca, divertida… À tarde, hoje, não sei por qual razão, fui lavar  a louça do café cantando “O negrinho gostou da filha da madame/ que nós tratamos de Sinhá/ Senhorita também gostou do negrinho/ mas o negrinho não tem dinheiro pra gastar…”  E quando ele canta justo isso, do Noite Ilustrada, fiquei faceira, com a coincidência.

O público em Floripa é receptivo e quente. Bate palmas, grita, assobia, até ele voltar pro bis. E ele volta bem: Jorge Veiga, “eu sou o samba/ a voz do morro sou eu mesmo, sim senhor/Quero mostrar ao mundo que tenho valor/ Eu sou o rei dos terreiros…” E o final foi uma apoteose, fantástico: evoluções dele com os músicos pelo palco, mostrando samba no pé. Quando acabou “A Voz do Morro”, saiu ” O Bafo da Onça” e nós de pé, sacudindo e cantando junto.

Dessas noites de deixar a gente de alma lavada, e que fazem um bem danado.  Que venham outras… Cantando, na espera: “se alguém quer matar-me de amor/ que me mate no Estácio…” Que conduz a Noel: “Já fui convidada/ para ser estrela do nosso cinema/ ser estrela é bem fácil/ sair do Estácio é que é/ o X do problema…” E viva esse crioulo lindo que é Luís Melodia!

Rubens tá demax!

Descritura

(Rubens da Cunha)

“Descritura”, palavra inventada por um aluno. Ou melhor, errada por um aluno. Queria tanto a palavra pra mim. Ter sido eu a inventá-la, a misturar descrição com escritura e sair por aí me gabando de ter inventado uma palavra. De ter feito o verbo delirar, conforme sugere Manoel de Barros.

Mas não, a palavra me veio pelo descuido de um adolescente. Descuido ou descaso, sabe-se lá. Pior é não conseguir explicar para ele a força de sua palavra errada, a dimensão sempre inovadora que acontece na gramática, na língua, na poesia, quando alguém inventa uma palavra.

Não que ele não possa compreender, ou perceber, o jogo que fez. Não é isso, falo da não intencionalidade. Do estar escrevendo algo padrão, “acadêmico”, para o professor, como a escola exige e, de repente, distraidamente, incorrer no delicioso “erro” de criar uma palavra. E não saber disso. Não perceber o poder que tem nas mãos. Imagino os muitos que apagaram seus erros criativos, sob a pena de uma nota baixa. Apagaram suas invenções, intencionais ou não, porque a ditadura do gramaticalmente correto corrói em muito a criatividade.

Mexer com as palavras, reordená-las, é ato de coragem, ato que muitos tentam e pouco atingem o objetivo com precisão. Em português, o exemplo máximo disso é João Guimarães Rosa, seguido por Manoel de Barros e pelo moçambicano Mia Couto. Existe muitos outros que embasam suas escritas nesse terreno de desconstruir/reconstruir a gramática com resultados díspares. Porém, isso é literatura. Há em sua essência a necessidade de alterar, redimensionar a linguagem. O que me encanta realmente é pensar na “literatura” diária que começa assim, pelo “erro” de um aluno, ou por um daqueles achados lingüísticos que as crianças nos brindam, geralmente por falta de experiência com a linguagem. A falta de experiência faz bem porque retira os medos e freios. O medo de errar abafa a poesia natural que temos quando usamos a linguagem.

Não prego o erro gramatical pelo erro gramatical, mas a consciência do poder de alterar a linguagem para produzir novos significados. O ensino da escrita nas escolas deveria passar por esse viés também. Deveria inserir no aluno não somente a escrita dentro da norma culta, mas os caminhos possíveis para ultrapassar a norma culta. No entanto, na maioria das vezes em que o aluno ultrapassa, esbarra na insensibilidade do professor-corretivo. Aquele que apaga não somente as, digamos, “imperfeições imperfeitas”, mas faz toda uma limpeza nas imperfeições perfeitas, aquelas que geram novos caminhos, estabelecem novas relações com a linguagem. Seja por incapacidade de explicar ao aluno que ele conseguiu ir além da gramática, seja porque o próprio professor desconhece as fronteiras do “além da gramática”.

Enfim, num mundo ideal, a linguagem fluiria, provocaria sensações, escorreria farta pela criatividade humana. Porém, são tantos os cerceamentos, tantos os cortes, que só nos resta brindar o invento-susto de um aluno distraído. Longa vida à “descritura” e a qualquer outra palavra “errada” que nasça por aí.

(no Anexo do AN, 27/9/2008. p. 3)

A bronca do Amílcar

Fui citada na crônica do Amilcar Neves desta semana, usando uma frase de discussão que tivemos, via email.

Uma honra, sem dúvida! Mas nada ofendida!

A honra ofendida

Se eu publicar algo assim, “O Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra é, hoje, um dos mais notórios torturadores da ditadura militar brasileira”, corro o sério risco de ser processado por injúria, calúnia e difamação, podendo ser condenado a pagar expressiva indenização pelos danos irreparáveis que terei causado à sua honra. E se eu não tiver - como não tenho - o dinheiro necessário para, sem cinismo, “honrar” essa pálida reparação do estrago que deliberadamente provoquei, irei preso por um bom tempo, até aprender a não ficar falando mal das pessoas, porque isso, além de ser muito feio, é coisa tal de não restar impune. Deverei dar-me por muito satisfeito quando, preso, não for “interrogado” pelo Coronel, agora na reserva, com os métodos que ele usava e de que abusava durante aquele negro período da vida nacional.

Se, porém, ocorrer a desgraça com que a vida às vezes nos surpreende e o Coronel Brilhante Ustra vier a falecer (sem que, por hipótese, eu tenha qualquer participação no insucesso), minha situação haverá de ser muito pior e bem mais triste. Porque aí haverá de surgir ao menos um neto dele, ou uma sobrinha, ou algum descendente qualquer, que não se conformará com o impacto que as minhas irresponsáveis palavras terão causado em sua vida pelo abalo emocional indescritível que terá sofrido ao ler coisa tão ultrajante sobre o seu amado e carinhoso ancestral - sujeito que, morto, já não mais poderá defender-se por si mesmo, coisa que o distinto fazia de forma tão desabrida e corajosa durante a ditadura militar (chamada também de “regime de exceção”) contra presos políticos algemados - e alegará desconfortos inenarráveis sofridos no convívio com vizinhos, amigos e colegas de trabalho por conta das minhas aleivosias, das quais eles todos indubitavelmente terão tomado conhecimento, estabelecendo de pronto a relação familiar e passando a olhar de lado para o já tão sofrido parente.

Como se sabe, indignação de parente é causa para verdadeira guerra santa, para uma cruzada incansável contra o infiel que conspurca (suja, infama, corrompe) dessa forma a memória do falecido, que mancha assim levianamente, e assim indelevelmente, a sua reputação.

Um processo judicial desses terá boas chances de prosperar e chegar a bom termo (do ponto de vista do proponente, aquele que supostamente se viu ofendido). E por dois singelos motivos: porque o Coronel Ustra já declarou textualmente “Eu nunca fui torturador” e porque, apesar de todas as provas, indícios, documentos, testemunhos, depoimentos, evidências e singularidades, o processo aberto contra ele “ainda não transitou em julgado, esgotados todos os recursos que a Lei permite”. Desta forma, a presunção é que o sr. Brilhante seja inocente. E, se ele é inocente por enquanto, nem eu nem ninguém pode chamá-lo de torturador, encargo que as Forças Armadas, à época, reservavam apenas aos machos das suas fileiras, coisa que hoje procuram dissimular, dizendo que nada houve além de uma “guerra suja” e, simultaneamente, protegendo e homenageando os sádicos que, sob codinomes criativos (grande macho das casernas, de 1970 a 1974 o Coronel, durante o seu comando do DOI, o maior centro de tortura de São Paulo, encarnou o Doutor Tibiriçá), se entregavam com gosto e prazer ao ofício de arrancar confissões como quem arranca unhas - arrancando-as também, en passant.

Como comentava a Regina Carvalho outro dia, sobre a crescente proibição de livros por supostos danos morais, “o que mais assusta nesses casos todos é observar que eles ocorrem não pelo teor calunioso que possa haver nas obras, mas sim para evitar que chegue ao conhecimento público aquilo que as pessoas de fato fizeram”.

Durma-se com uma honra dessas…

Me divertindo…

… e fazendo escândalo! Com quem? Com Hélio Schuch, a quem ainda chamo de “amado chefe”… Ele não é mais Chefe de Departamento,e  eu não sou mais chefiada de ninguém, mas o tratamento permanece.

Pois ontem à tarde saí de casa um pouco antes das duas, e fui pela Lauro Linhares em direção ao CIC - queria comprar ingressos para o Bolshoi de Joinville, que se apresenta aqui na sexta, dia 29. Tem feito dias lindos, e é gostoso caminhar ao sol, com essa temperatura amena.

Num ponto de ônibus, Hélio Schuch, impaciente, por causa do ônibus que não vinha. Ele numa calçada, eu do outro lado. Não me viu, a andar pra lá e pra cá, lançando olhares furibundos pro lado de onde o ônibus deveria vir.

- Hélio Shuch, grito eu, por cima dos carros que passam (a voz, a voz, não eu, hehehe…)

Ele me olha com a fingida cara de desagrado que sempre faz quando me vê:

- Que fazes aí, criatura? grito de novo.

E ele, naquele tom de voz de derrubar paredes que sempre usa:

- Tou indo trabalhar!

E aumentando ainda mais o volume:

- Porque eu trabalho, não sou como este bando de vadios que não trabalham!

E faz eco pra si mesmo:

- Vadios! Vadios! Vadios!

Paro do lado de cá, na pose de mané, mãozinhas na cintura:

- Aposentadinha, meu lindo! Morra de inveja!

E ele gostou do seu estribilho (ele sempre adora seus refrões, né?), e grita, mais alto ainda, se isso é possível:

- Vadios! Vadios!

Uma mulher pára, na entrada da Imobiliária Guerreiro, a nos olhar, escandalizada (quem serão esses dois a se ofender mutuamente? Devem se odiar!)

E eu pego seu mote:

- Ora, por que não vais a pé? Vadio és tu, querendo ir de ônibus!

E ele não desiste:

- Vadios! Vadios!

Saio rindo pra lá, ele fica rindo aqui… E nem nos passa pela cabeça explicar pra espectadora - ainda de boca aberta com o entrevero - que na verdade a gente se gosta muito…Ela que pense o que quiser!

A lista do Mário

The evil of the thriller
É, tava ficando feio já. Mal criei um novo blog e ele fica um bom tempo cheio de teias de aranha, sem novos posts para dar um pouco de movimento à página. Mas, ao ler um texto da minha querida orientadora na UFSC, a Regina, fiquei com vontade de fazer o mesmo. O retorno veio no estilo Rob Flemming, com mais uma listinha para a galera discutir. Desta vez, filmes de terror.

Quem me conhece sabe que eu adoro o gênero, desde os psicológicos até os de zumbis, passando pelos B e sobrenaturais. Então veja bem: essa listinha não tem nada de objetiva. São apenas pensamentos e sensações ao ver as fitas. Ah, também não vai ter ordem, eles estão aqui aleatoriamente formando meu top 5 (afinal, as listas de Rob Flemming tem apenas cinco itens).

5- O massacre da serra elétrica
(The Texas chainsaw massacre, 1974. Direção: Tobe Hopper)
Ele começa com a produção do filme avisando que a história é real e que teria acontecido anos antes nos EUA. Claro, depois de assistir, você sabe que tudo aquilo ali é ficção, baseado muito de leve na história do Ed Gain, serial killer norte-americano do início do século passado. O massacre da serra elétrica é o grande filme do sub-gênero slasher, aquele em que um assassino sai matando todos que vê pela frente da maneira mais sádica possível.

4- A noite dos mortos-vivos
(Night of the living dead, 1968. Diretor: George A. Romero
O grande mérito do Romero é ter conseguido com essa singela fita formar um outro sub-gênero dos filmes de terror: o de zumbis. A pretensão inicial era bem menor: o que ele queria mesmo era fazer um libelo contra o preconceito usando mortos-vivos. De Resident evil a Extermínio, passando por Zombie strippers e Boy eats girl, nenhum deles existiria se não fosse por Romero. É um dos filmes que eu deixo no topo da prateleira, volta e meia pego para assistir. Indispensável.

3- O bebê de Rosemary
(Rosemary’s baby, 1968. Diretor: Roman Polasnki)
Obra-prima do terror psicológico. Não vemos nada, não ouvimos nada. Mas o roteiro, os closes, as sombras e a crescente loucura da personagem principal fazem o clima do filme aumentar a cada minuto. Polanski acertou na mão. E ainda, no fim, deixa uma mensagem que já virou chavão: amor de mãe supera tudo. Mesmo que a criança seja filho do coisa ruim.

2- O iluminado
(The shining, 1980. Diretor: Stanley Kubrick)
A Regina escreveu bem: ele é uma obra muito mais kubriquiana do que kinguiana. As diferenças entre filme e livro se acentuam a partir da metade de cada um. É como se Kubrick e Stephen King tivessem pego bifurcações que os levassem cada vez mais longe um do outro. Para mim, claro, o cineasta entrou na estrada certa. Ele mostra Jack Torrance cada vez mais como vítima do seu meio, enlouquecendo pela pressão de estar isolado no Overlook Hotel em pleno inverno. A cena que eu mais gosto é a de Nicholson arrombando a porta do quarto com o machado, enquanto grita as frases do lobo mau para os três porquinhos e termina com o “here’s Johnny”.

1- A profecia
(The omen, 1976. Diretor: Richard Donner)
MEDO. Esse é o filme mais assustador de todos os tempos. O que dizer do menino, quase sem falas e que assusta todo mundo. A cena final, depois da dúvida de quem morre, é de arrepiar. Já perdi as contas de quantas vezes vi a fita. Mesmo assim, toda vez levo sustos e mais sustos. O que Donner fez está além das palavras.

Mais frases!

Estas foram presentim de segunda - pra alegrar a semana! - do compadre Flávio José Cardozo. Gostei tanto, que trouxe pra vocês. E com uma observação: não pode haver ninguém chamado Frangonildo, acho que Flávio inventou este nome!

- O casamento é o preço que os homens pagam pelo sexo;o sexo é o preço que as mulheres pagam pelo casamento. (Anônimo)

- Não confio em produto local. Sempre que viajo, levo meu uísque e minha mulher.
(Fernando Sabino)

- É graças a Deus que o Brasil tem saído de situações difíceis. Mas, graças ao diabo, é que se mete em outras. (Mário Quintana)

- Só acredito naquilo que posso tocar. Não acredito, por exemplo, em Luiza Brunet.
(Luis Fernando Veríssimo)

- Política tem esta desvantagem:de vez em quando o sujeito vai preso em nome da liberdade.
(Stanislaw Ponte Preta)

- Muitas mulheres consideram os homens perfeitamente dispensáveis no mundo, a não ser naquelas
profissões reconhecidamente masculinas, como as de costureiro, cozinheiro, cabeleireiro,
decorador de interiores e estivador. (Luís Fernando Veríssimo)

- Ninguém faz tudo bonito sempre. Até Deus. Ele fez o cavalo e também o rinoceronte.
(Vinicius de Moraes)

- O primeiro economista do mundo foi Cristóvão Colombo: quando saiu, não sabia para onde ia;
quando chegou, não sabia onde estava. E tudo por conta do governo.
(Ronaldo Costa Couto) (BOA DEMAIS, BOA DEMAIS!)

Democracia neste país é relativa, mas corrupção é absoluta.
(Paulo Brossard)

- A corrupção não é uma invenção brasileira, mas a impunidade é uma coisa muito nossa.
(Jô Soares)

- Nunca se ache demais, pois tudo o que é demais sobra, tudo o que sobra é resto e
tudo o que é resto vai para o lixo. (Anônimo)

- Fiz um acordo de coexistência pacífica com o tempo: nem ele me persegue, nem eu fujo dele.
Um dia a gente se encontra. (Mário Lago)

- Fuja das tentações, mas devagar, para que elas possam te alcançar…
(Anônimo)

- O homem é um ser tão dependente que até pra ser corno precisa da ajuda da mulher.
(Anônimo)

- O isopor é meu pastor e a cerveja não faltará.
(Anônimo)

- Existem três tipos de mulher: as bonitas, as inteligentes e a maioria.
(Anônimo)

- Época triste a nossa… mais fácil quebrar um átomo do que o preconceito!
(A. Einstein)

- Uma mentira pode dar a volta ao mundo… enquanto a verdade ainda calça seus sapatos.
(Mark Twain)

- A família é como a varíola: a gente tem quando criança e fica marcado para o resto da vida.
(Jean Paul Sartre)

- Nunca se explique. Seus amigos não precisam, e seus inimigos não vão acreditar.
(Anônimo)

- Se meus inimigos pararem de dizer mentiras a meu respeito, eu paro de dizer verdades a respeito deles.
(A. Stevenson)

- Não se ache horrível pela manhã:acorde ao meio dia!!!
(Anônimo)

- Em dia de tempestades e trovoadas o local mais seguro é perto da sogra, pois não há raio que a parta.
(Anônimo)

- Se um dia, a pessoa que você ama lhe trair, e você pensar em se jogar de um prédio, lembre-se:
Você tem chifres, não asas… (Anônimo)

- A mulher deve sempre sonhar com um homem fiel e obediente…Só não deve querer transformar o sonho em realidade. (Anônimo)

- Não gosto de enterros. Se eu for no meu, vou a contra gosto. (Frangonildo Barbosa)(NÃO ACREDITO NESTE NOME, PÔ!)

- Errar é humano, persistir no erro é americano, acertar no alvo é muçulmano.
(Autor anônimo)

- Crianças nós somos, a vida toda. O que muda são os preços dos brinquedos.
(Autor Anônimo)

- Roubar idéias de uma pessoa é plágio. Roubar de várias, é pesquisa.
(Autor Anônimo)

- Por maior que seja o buraco em que você se encontra, sorria, porque, por enquanto, ainda não há terra em cima. (Autor desconhecido)

- Só o Ctrl+S salva! (Autor Anônimo)

- Aquele que, ao longo de todo o dia: é ativo como uma abelha, forte como um touro, trabalha que nem um cavalo, e que ao fim da tarde se sente cansado que nem um cão… deveria consultar um veterinário.
É bem provável que seja um grande burro. (Autor Anônimo)

Recadim pros compadres blogueiros

Fui a Blumenau, ano passado, assistir a uma apresentação do João Bosco com uma banda alemã de jazz. Pedi socorro pro compadre (e amigo) cronista Maicon Tenfen, e ele gentilmente tirou o ingresso pra mim,e fez reserva no Hotel Glória - que fica perto do teatro. No dia seguinte, ainda me deu carona pro retorno, pois estava vindo a Floripa.

Chovia que era um horror, e viemos batendo papo animadíssimo, porque é algo que não faz falta a nenhum dos dois: assunto. Maicon tinha acabado de assumir a direção da editora da FURB (Fundação Universitária da Região de Blumenau) e me lançou isca sedutora: que tal fazeres uns livros didáticos sobre a atual literatura feita em Santa Catarina? (Sabia da coletânea de contos que organizei, da qual faz parte - O novo conto catarina, EdUFSC. 2008).  Fiquei de pensar,  mas caí na esparrela,  e topei.

Pensei em três livros, não muito grandes: poesia, prosa de ficção, prosa de não-ficção. Maicon pediu que pensasse num pras crônicas, também, franzi o nariz (não tinha pensado nisso…), mas tudo bem.

Comecei pela poesia, e fui fazendo. Selecionar poetas e poemas foi fácil e prazeroso, mas é difícil comentar, explicar, ser DIDÁTICA em nível de secundário - que nunca foi minha praia, porque sempre fui professora universitária, sem outro tipo de experiência. Uma “puta responsa”, como diz a gurizada.

Para os cronistas, ofereci parceria para o Italo Puccini, que mora em Jaraguá. Ele aceitou, trabalhamos juntos: faço os daqui, do litoral, ele faz os de lá,os do norte do estado (dos que publicam lá, of course - sou daqui  e publico no AN),  trocamos figurinhas pela internet. E falar de crônicas está sendo fácil e rápido. Escolher as três de cada um, as que entram no livro, é mais difícil, de vez em quando me embanano e peço socorro pro autor. E eles têm atendido prestamente, indicando suas favoritas.

Quero encerrar esta função o mais rápido possível - na pior das hipóteses, até 15 de setembro - pra poder revisar, juntar com  a parte do Italo, e me dedicar aos outros dois livros.  Mandamos este pras editoras interessadas (são duas) e esperamos que saia o parecer dos relatores.Se rejeitarem, partimos pra outras, que não somos de desistir. Mas confio no meu taco (expressão mais sacana!) e acho que está ficando muito bom, não vai dar problemas…

Como vocês sabem, atualizo o blog diariamente - o que demanda tempo,e costumo responder os comentários, mais um tempo. E dou sapeada (linda palavra!) nos blogs de amigos e outros. E tem a crônica semanal pro Anexo do AN, texto com dead-line rígido: escrevo normalmente nas segundas, reviso na manhã de terça e envio pra eles - sai na quinta. Antes tinha sempre algumas de reserva, e ainda tenho, mas acabo deixando lá - não gosto muito das que ficaram guardadas, e felizmente nunca me falta assunto…

Tudo isso pra dizer que vou passar uns tempos sem poder fazer visitinha procês, meus compadres e comadres blogueiros… Mas, quando eu voltar, vou pedir aquele cafezinho fresco e fumegante, e umas fatias de bolo ou cuca no capricho! Beijão, e confesso que vou sentir falta! (se puder, dou umas escapadinhas de vez em quando e apareço de repente!)