1. O beija-flor entrou na sala três vezes no mesmo dia, e ficou se debatendo contra a vidraça. Peguei-o com cuidado, soltei-o lá fora. Como dizer do que senti, daquele coração pequeno e lindo a palpitar na minha mão? Três vezes no mesmo dia, e na terceira briguei com ele: “Olha, passarinho, gosto muito da tua visita, mas não faz mais isso, não! Podes te machucar!”
2. Ao levantar, abro a janela para um jardim de dálias, depois o pomar, e ao fundo o arvoredo, com uma araucária antiga e enorme, que me faz lembrar os quadros de que o Velho, meu avô Tito Carvalho, serrano do pé da Serra do Rio do Rastro, tanto gostava… A trilha sonora é o som do riacho…
3. No almoço, macarronada al sugo. O hospedeiro me trouxe vegetais frescos: beringela, pimentão, pepino. Fiz a beringela ao forno, com mil temperos frescos, azeite, sal, pimenta. Por cima, parmesão ralado. O resto virou salada, com aquele meu molho famoso. Maravilhosa refeição!
4. Duas horas de caminhada por dia, em duas vezes, pela manhã e no final da tarde. Pela estrada bucólica, MP3 com João Bosco, mais um capítulo do livro se gestando cá dentro. A estrada é solitária, só verde pra todo lado, raramente um automóvel, uma bicicleta, mais raramente ainda alguém a pé. Na volta, umas flores silvestres daqui, uma hortência dali, dálias dacolá: lindo vaso sobre a mesa, a alegrar leituras, escrituras, estudos. E de grátis!
5. Um bando de beija-flores rodeia as flores brancas da pata-de-vaca, álacres, velozes. Fico olhando, encantada: qual deles és tu, beija-flor cordial? Vem me visitar de novo, tou com saudades, não tava brigando a sério…
Gostei muito deste passeio. O texto é mesmo uma lufada de
ar fresco. O beija-flor me fez lembrar Vinícius então vamos lá:
“A um passarinho” (Vinícius de Morais)
“Para que vieste
Na minha janela
Meter o nariz?
Se foi por um verso
Não sou mais poeta
Ando tão feliz!
Se é para uma prosa
Não sou Anchieta
Nem venho de Assis.
Deixa-te de histórias
Some-te daqui!”
(Parabéns Regina, e obrigada por nos trazer tão boas sugestões culturais de leitura, música e cinema !
Abraço da Fatima desde a terra de Aninha, a do Garibaldi)
Obrigada, Fátima!
(tava sentindo tua falta…)
Mas tou me idenficando com o poetinha: “não sou mais poeta/ Ando tão feliz!”… Como se…precisasse ser infeliz pra ser poeta.
Um amigo acaba de ligar pra me contar que tem aquela melancia redondinha, que parece melão, e que adoro, lá no Comper da Praça Santos Dumont, na Trindade, vê se pode…
Tou indo até lá, só por causa duma hipotética melancia, hehehe…
(que talvez nem haja mais…)(cruzando os dedos!)
bj,
Regina
PS: a coluna melhorou?
Ai que delícia, Regina! me deixou com vontade!!! hehe! Bjus!
Tem tempo, tem tempo…A gente vai lá, qualquer dia!
Vou organizando as fotos para ensaios temáticos, podes te distrair com elas, hehehe..
bj.
Antes que encham meu saco, e venham dizer que escrevi errado:
Beringela ou Berinjela?
“No Brasil há muita dúvida e erros de ortografia sobre a escrita deste nome. Segundo o Dicionário Aurélio da língua portuguesa, no português brasileiro o correto é berinjela (com J). Já em Portugal o correto é beringela (com G)”. (da Wikipedia, que às vezes até acerta…)
O Aurélio tá seguindo a regra, que diz que nomes “estranhos,exóticos, orientais” e tal são escritos com J. O que há de estranho numa BERINGELA?
Só na cabeça dos tolos, e tolos vão aonde anjos temem ir, canta João…
Pois é, sabes que tem até um livro de receitas chamado “Berinjela é com J”? Deu uma aguadinha na boca ler tua receita, hm, delícia. E o Tornatore, sabe que ontem quase-quase fomos no CIC ver esse filme? Só que pra variar nos enrolamos e perdemos o horário - achei que era às 21h. =))
beijos
Não perde, Aninha( espero que já tenham ido, tá quase na hora, hehehe…)!
Pois a receita foi o amigo que forneceu, e olhei meio desconfiada - fácil demais, pô! - e tive que pedir perdão: fica muito bom , MESMO.
Ele faz cortada na metade, eu fiz picada, pois é mais fácil de eu separar as pequenas porções de que preciso; pois posso garantir: dos dois jeitos fica ótimo!
Seja com J ou com G, que é o que menos importa, afinal…
Tou a fim de um frango com quiabo, à la mineira. Alguém aí tem um quiabo bem fresquinho?
bj.
Beringela e Berinjela:a explicação do uso do j e do g já foi dada.Foi a mesma que encontrei ao participar de um concurso promovido pelos bananicultores de SC e o Jornal
“A Notícia” no ano passado. Criei uma receita de bananas com beringelas e ganhei um kit gourmet que veio em SEDEX pelo correio: Um avental e uma luva térmica de
“cano comprido” ehehehehe.A receita inclusive foi publicada num site com a foto que fiz das bananas e beringelas.Pois! E agora mesmo passando da meia noite, tô fazendo doce de figo… hummmmmm o prédio todo está invadido pelo cheirinho maravilhoso…
Regina, esse teu texto me lembrou várias músicas de bandas de rock rural, como os conterrâneos do Expresso Rural e os novatos da Supercordas, do Rio de Janeiro. Nas manhãs do sul do mundo, sabes?
Então, mudando completamente de assunto, li o último livro do Garcia-Roza. Não sei se é o fato de ter visto como a coisa funciona de perto, mas não me empolguei muito com a obra não… Logo depois emendei com “Os insones”, último do Tony Bellotto. Ele é um cara que, apesar da quantidade enorme de clichês - na construção dos personagens, na forma de escrever -, consegue fazer a trama funcionar bem. Não é “alta literatura”, mas também não chega a ser “pulp fiction”.
Beijos
Obs.: achei que o teu miniperíodo sabático terminava hoje…
Rê:
venha me visitar minha beija-flor, porque já sei o seu codinome.
Se é com “j” e com “g”, que me importa. Quero mesmo é comer essa tal beringela.
Você acha que vou deixar de comer uma pizza, porque não sei se é muçarela ou mussarela? Demorou!
E antes que me chamem de troglodita a ser um gramático normativo!
Dá licença MEU!
bjs.
p.s. visitei o Museu da Língua Portuguesa em Sampa. Nada demais, prefiro a Pinacoteca.
ZÉ:
No Museu da Língua Portuguesa eu adorei aquela aula de Variação lingüística projetada na parede, muito, muito boa.
Ver autores virarem instalação me DÓI!!! (Odiei a do Rosa, ninguém merece, pô!)
O resto é o óbvio ululante pra nós, mas não pros leigos no assunto.
E não sei se gosto de pinacotecas, elas me deixam com dor no pescoço, hehehe…
Ora, como és abusado, Zé: se queres comer a tal berinj(g)ela, FAZ, tax pensando o quê!
Mário, orientando querido:
mania de jornalista, essa, de mirar tudo no real, vou te dar uns pés de ouvido, menino…
A obra tá bem construída? Pois tá, sim, e Espinosa em nova etapa da vida. Gostei do Garcia-Roza. E também do Belotto - na ficção aquela loucura toda até parece suportável, e na vida real é muito duro de agüentar. (Pelo menos pra mim).
E me fez bem, ainda, ver o Toni retornando à ficção, depois de anos ausente.Como se fosse um amigo querido, sacumé?
Tudo bem aí no planalto central? Depois me conta do carnaval daí, se vais ficar aí, mesmo, pode ser?
beijão.
Fátima:
beringela com G fica mais gostosa, achas não?
Já te xinguei pelo doce de figo, sua malvada (adoro!)
Manda um vidrinho por sedex, faz favor!
Comerei com creme de leite!
bj.
dizem que o bater de asas do beija-flor é tão frenético. os batimentos cardíacos não seriam em igual escala?
eu gosto da vida no campo, é tão tranqüila, melhor do que uma insossa praia (insossa?)
Cheia de sal, mas assim mesmo insossa…
O bater das asas do beijaflor, ou colibri, ou cuitelinho, dentro da tua mão, é inexplicável, cara!
A vida no campo não é tão tranqüila, pois depende dos acasos do clima, mas assim mesmo é mais lenta, e te permite coisas, e tempos, e vagares que podem ser muito produtivos.
E é bom a gente ver que pode ser diferente, e comparar…
abraço,
Regina
Gosto de tudo que tu escreves, mas este, ai, vontade de fazer minha mala e morar num lugar assim. Não me importaria de deixar uma leitura ou escrita pelo meio, primeiro os beija-flores.
Obrigada pela visita ao Borboletras.
Alegria!
Nada como essa “fãzice” mútua, né, Suzana?
Te visitarei sempre, podes deixar… Tem sempre algum poema lindo à espera, por lá!
bj.
Belezinhas da Regininha.
Flãvio:
Oi, meu guru das crônicas!
É bom receber tua visita!
grande abraço!