Eu sou a lenda

Lá na Unicamp há uma tradição bem legal, criada pelos estudantes e encampada pela universidade: “a semana do saco cheio”. Nessa semana, escolhida pelos alunos, as aulas são suspensas, provas idem, e o pessoal aproveita pra fazer o que bem entender. Alguns até estudam, tem CDF pra todo lado, né?

Esta manhã fiz algumas voltas pelo centro, inclusive abrir a conta no Banrisul pra receber a grana das crônicas - o que ainda não tinha feito - e voltei pra casa cansada, e com dor de cabeça. Daí decretei que teria “a tarde do saco cheio”, e fui pro Shopping Beiramar. Andei pelas lojas, pelas livrarias, e fui à sessão das duas, assistir a Eu sou a lenda.

Tinha pensado em ir antes, mas a filha fez tal crítica negativa, que desisti. O livro, da autoria de Richard Matheson, é o meu favorito em termos de Science Fiction. Assisti às duas versões cinematográficas anteriores, preferindo especialmente a que recebeu o título de Omega Man, com Charlton Heston no papel do dr. Robert Neville. Estava curiosa pra ver as atualizações que fariam para este, com todos os novos recursos técnicos, embora ache o Will Smith meio xarope.

No livro, Neville tem mais sentimentos, mais paixão e filosofa mais sobre a questão na qual está envolvido, como o último ser humano a sobreviver. Sai nas empreitadas diurnas, matando vampiros, até que uma mulher aparece, e aos poucos lhe vai sendo revelado que há alguns que não se tornaram vampiros, por uma vacinação especial. O final é muito bom, quando, ao pesar o fato de não pertencer nem a uma espécie nem a outra, nem vampiro nem novo homem, ele é apenas o último ser humano. Na versão com Charlton Heston, o Omega Man. E ele se suicida, tomando pílulas para dormir.

Para minha surpresa, gostei muito dessa versão… até um certo pedaço. Will Smith atua direitinho, sem aqueles trejeitos todos que faz nas comédias, o roteiro é bom, a produção no capricho, mas tem um ponto em que há uma atualização mais que forçada: entram Bob Marley e suas mensagens pela paz, símbolos esotéricos feito borboletas, Deus se manifestando, e o dr. Neville se torna homem-bomba para salvar os “imunes”… Um pouquinho demax, sacumé?

Mas não estragou minha “tarde do saco cheio “, não. Me diverti bastante com o filme - gosto desse tipo de filme, ‘cês sabem - comprei um livro maravilhoso do Geneton Moraes Neto entrevistando Drummond [Dossiê Drummond, pela Globo], inclusive uma em que Drummond fala de coisas mais íntimas (Lygia, sua amante de muitos anos, estava junto) e só foi publicada agora (tem jornalista ético, né?). E ainda vim a pé do shopping até em casa, filosofando. Maravilha!

2 Responses to “Eu sou a lenda”


  1. 1 Fatima de Laguna

    Psssssiu! A Lygia amante do Drummond é a escritora de
    “Invenção e Memória”, “As Meninas”, etc e etc?
    Se é tô abestada… aquela cara de santa, creeeedoooo!
    Sei umas coisinhas dela, mas não conto de jeito nenhum!
    Ah! Tô nem aí, se tem uma contista boa pra cará, é a Lygia!
    Bom mas o tema é “Eu sou a lenda” . Que pena, não vi.

  2. 2 regina

    Não, era uma secretária. E li um bom pedaço do livro, ainda há pouco, e tá uma dilícia…
    bj.

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