Meus poemas de domingo, uma série metida a besta que comecei a fazer, começam sempre (ou quase sempre…) com bentevis cantando… Pela simples razão de que, em meu condomínio, são os bentevis que me acordam, todo santo dia, enxeridos que são. Se não forem eles, serão os ônibus do terminal, de modo que sou mais os bentevis…Ainda mais quando me lembro do grande amigo Flávio (José Cardozo) e seu infanto-juvenil e da crônica da Cecília Meireles, todos os dois tratando de um bentevi gago… (querem bem-te-vi? Tudo bem, tenham!)(sim, pode escrever dos dois jeitos, não me chateiem!)
Estive durante cinco dias em Barão Geraldo, distrito de Campinas onde se situa a Unicamp, em encontro com a filha, que veio de João Pessoa trabalhar num projeto, em suas férias escolares. Conheço Campinas desde a década de 1960, uma cidade bonitinha que era, a maior da região, mas muito agradável.(Hoje tem mais de dois milhões de habitantes, e não está lá muito agradável…) Conheci Barão Geraldo apenas quando a Cris se mudou pra lá, pro seu mestrado, e continuou por lá pro doutorado - faz cerca de dez anos.
Como aconteceu com a Trindade, que cresceu em função da UFSC, até se tornar o bairro mais populoso da Ilha, “Barão” (como eles chamam) foi se formando ao redor da Unicamp. Não vai crescer como aqui, porque a maioria dos professores não mora por lá, mas é um lugar agradável, arborizado, bem classe média, com casas bonitas e jardins tratados, mais os altos muros, imensos muros, preço que a paulistada paga pela prosperidade… Gosto de Barão. Não tem nada pra se fazer, diriam os jovens animadinhos, mas tem bons restaurantes, padarias ótimas, a pizza da Estação Santa Fé é divina (a de coração de alcachofra, então, nem se fala!) e os botecos são bons,segundo o pessoal (não fui a nenhum…) E alrededor existem aqueles shoppings ótimos, pra quem gosta - o Dom Pedro se gaba de ser o maior da América do Sul, desbancando o Iguatemi- Campinas. Imaginem se não me esbaldei nas livrarias. A Cultura, pra variar, é uma graça!
Ficamos na casa da Vera e do Fábio, que estão em Cornel, pro pós-doc dele. Tem jardim gramado, árvores, cachorro, pra felicidade da Cris: é uma cachorrinha vira-lata muito medrosa e feinha, chamada Leca, que se desmanchou de amores por mim apenas quando comecei a lhe dar uma fatiazinha de presunto, depois do café, escondida da “tia” dela… A casa foi projetada pela mãe da Vera, que é arquiteta - é bonita, up-to-date, mas é um exemplo daquilo que Domingos chamava de “achado de arquiteto”, pois não é nada aconchegante.
E no fim as cidades universitárias se parecem, isso é engraçado. Pouca gente na Unicamp (férias, né?), mas é um pessoal à vontade, relax, e ainda peguei o finalzinho do movimento da SBPC, fazendo questão de ficar bem longe… A Livraria do IFICH é legal, a atendente simpática, gastei um pouquinho lá - meu vício mais irrevogável…(Não posso ver livraria, crux! Mas comprei o Cinemateca, do poeta Eucanaã Ferraz, que li com o maior deleite, no vôo de volta… )
Em Barão conheci um casal de amigos da Cris e sua filha despachada, a Ana Luísa (”Ana, posso tirar uma foto tua?”, perguntei. E ela, saindo ligeirinho de perto de mim: “Não!”), pra quem tou mandando uma sapinha meiga… E o pai dela me fez o melhor, isso mesmo, O MELHOR elogio que já recebi na vida. Em email pra Cris, depois de um jantar e uma cervejinha no Tilly, disse assim: “tua mãe é a prova de que há pessoas que a academia não consegue estragar…” Fiquei louca de faceira, é claro! Isso é elogio, o resto é conversa!
Mas o que mais estranhei em Barão foi… a ausência de bentevis. Bem sei que a terra é de andorinhas;os bentevis, porém, são onipresentes em Catarina, minha Santa, e seu canto (?) fez falta… Havia uns passarinhos discretos pipilando discretamente na madrugada, e o bit-bit dos morcegos durante a noite, e só… Esta madrugada, quando ouvi os danadim dedando todo mundo na madruga, sorri e pensei: ah, estou mesmo em casa…
Realmente, ainda bem que a academia não conseguiu te estragar… Que lindo esse elogio! E merecidíssimo! Você faz elogios tão generosos, merece receber tb.
Bjos
Ora, Roberta, que bom que seja uma ex-aluna dizendo isso…
O Danilo disse tal coisa porque me achou fora dos padrões habituais de professor universitário (é doutorando da Unicamp, conhece bem o tipo…E também é do métier.) Mas nunca foi aluno meu, né?
bj,