O Fernando, lá da EdUFSC, me chamou um dia: vamos lançar o último livro do Almiro Caldeira, teu tio. E como ele faleceu neste tempo, a gente não sabia como fazer. Daí conversamos com o professor Alcides Buss, e ele disse que serias a pessoa indicada pra organizar tudo, pois és a única da família que lida com isso.
Eu adorava Tio Almiro, e respondi que estava bem, podiam contar comigo. Marcamos papo pra quando eu voltasse de viagem e ele das férias, e acertaríamos tudo. Voltei pra casa, anotei o que teria que fazer… e não consegui encaminhar nada. E fiquei me sentindo muito mal com a história.
Fui adiando, fui adiando. O pessoal da editora foi para a Bienal do Livro, em Sampa,e eu dando graças a Deus por mais este prazo. Mas chateada comigo mesma, poxa! Afinal, o tio merece, e o que me custa?
Esta semana, sonhei com o lançamento. Me pediram para apresentar o livro e eu, que jamais chorei em público, me ponho a chorar no meio da fala. Eu e José, o único ainda vivo, dos seis irmãos do tio. Poxa, queríamos que ele estivesse, como é que poderia não estar? Que graça tem, em fazer desse jeito?
Acordei do sonho chorando, e percebi que a dor da perda estava sendo muito maior do que estava querendo admitir. A dor admitida, o que meu consciente não queria fazer, assimilado o fato, agora já posso encaminhar as tratativas todas. Já posso fazer as pazes comigo mesma. Vai doer, sim, mas eu agüento…
E isso sempre me espanta, a capacidade que a gente tem de ocultar certas coisas até de si mesmo(a). Inclusive eu, tão ferozmente analítica, e tão franca sempre sobre meus sentimentos. Há sempre mistérios a serem desvendados, o que torna este convívio conosco e as conversas com nossos botões uma coisa que pode nos surpreender, a cada passo. E isso é muito bom, especialmente para quem escreve. Até dentro de mim há material a ser desvendado, até entrar dentro de mim mesma pode ser uma aventura, trazer descoberta nova…
Não sei por quê, isso me fez lembrar da Clarice Lispector… é que ela era mestre em desvendar o “eu interior” dela e dos outros nas histórias, né? E tinha uma frase do Caio Fernando Abreu (a Jeanne Callegari acabou de lançar a biografia dele, vc sabia, né?) sobre ela que eu adorava… “Eu leio Clarice escondido de mim mesmo”. É muito difícil, às vezes, enfrentar e descobrir a gente mesmo!
Bjs.
Ai, Malu, que maldade! Pudera eu desvendar esses mistérios com a beleza com que a Clarice o fazia…
A biografia do Caio, em sua versão inicial, que foi o TCC da Jeanne, fui eu que orientei… Mas TCC é TCC, um pontapé inicial, texto produzido em poucos meses.
Depois ela incrementou, burilou, aumentou e transformou em livro.
Deveremos fazer o lançamento aqui em Floripa dia 9/7. Estou me mexendo pra organizar.Adoro aquela mineira, e sua bem disfarçada capacidade de trabalho. E escreve bem pra chuchu, a danadinha… (Dizendo melhor, a “danadona”. Jeanne tem quase 1,80 -e dizia que tinha me escolhido para orientadora, porque poderia me olhar de cima, a abusada!)
beijão transoceânico, guria e boa semana pra ti.
Eu acompanhei o resto do desenvolvimento do TCC da Jeanne de perto, porque a gente trabalhava juntas em São Paulo. Mas não sabia que vc tinha a orientado na Ufsc. Que legal, hein! Eu perdi o lançamento do livro em SP e vou perder em Floripa também, mas já reservei um exemplar e um autógrafo me foi prometido, hehe.
Beijos.
O lançamento daqui ficou marcado pro dia 11 de setembro, uma quinta, a partir das 18.
Na Livros & Livros do centro, na Jerônimo Coelho.
Vai ser legal!
bj