… e seguindo a canção…
Depois de me zangar na academia, não fazer a musculação, e jurar só voltar depois que acabassem as Olimpíadas, não tive opção: caminhada de uma hora, no lugar da de meia hora… E saí de casa eram sete e quarenta e cinco. Manhã daquelas em que “cerração baixa, sol que racha”…
À medida que caminhava, a neblina ia sumindo, e o céu se anunciava de um azul perfeito. Terminal Integrado da Trindade, minha trilha para a avenida. Uma parte da classe trabalhadora vai para outros paraísos, mas uma boa parte dela vai chegando pro paraíso trindadense. Muita gente indo para e chegando do Titri. Acho que é o horário de maior trânsito humano naquela ruela que desce do Itaú.
Fui até o cemitério do Itacorubi cantando: vou voltar/ sei que ainda vou voltar/ para o meu lugar… Mas sem prestar atenção na paisagem, desta vez prestei atenção nas pessoas que caminham. Neste horário, muitas, de todas as idades, e de todos os sexos. (Há muitos deles, ‘cês sabem…)
Primeiro, uma senhora de seus quarenta e tantos, que caminhava engraçado: seus braços balançam na frente do corpo, não na lateral, coisa mais engraçada. Pensei: deve chegar em casa com os ombros doendo! Atrás dela, uma trintona, os braços balançando na lateral, mas longe do corpo, engraçado também…Me perguntei: será que os seios são muito grandes, o que explicaria? não, não são… Depois um homem moreno, jeito de operário, com os braços balançando naturalmente, e as mãos bem duras, bem esticadas - acho que este foi o mais inexplicável.
Homens de cabelos pintados, acho a coisa mais ridícula. Ao sol, a tintura fica evidente, e o desejo de mostrar este índice de juventude se mostra meio patético…Nas mulheres, normalmente de cabelos mais compridos, não é tão escandalosamente evidente, embora se note que é tingido.
Os mais jovens usam os MP3, roupas esportivas da hora e de grife, óculos escuros de último modelo. Nos mais velhos, roupas bem batidas, confortáveis apenas, desviadas para esse uso. Com as temperaturas mais quentes, as bermudas e shorts começam a aparecer. Vai-se andando, o sol se animando, de vez em quando alguém que se banha em perfume pra ir caminhar (à caça? já nesta hora?).
Na ponte sobre o canal do Mangue, um gay faz alongamento (sei que é gay, porque o conheço, não é pela graciosidade, não…). A seu lado, a bicicleta encostada na mureta, e como ele prioriza alongamentos de perna, deve tê-las sentido no decorrer do exercício. Mas seus movimentos são tão graciosos, que fico a olhá-lo com inveja: se alonga como se dançasse, fluidamente. Atrás dele, no canal, as graças das garças se exibem pelas árvores.
Ao lado de uma garça em branco total, um pássaro do mesmo tamanho, mas em cinza: que pássaro será? Saco do meu celular, e saco-lhes uma foto, pra mostrar pra alguém que possa identificar.
A neblina agora se espreguiça apenas nas encostas, e faz calor, afe Maria. Vai ser longo dia, e tenho que ir ao centro, ainda - na Livros & Livros, combinar o lançamento do livro da Jeanne… Aproveito pra passar na feira da Alfândega, e ver Vera e Egídio, e comprar mudas de ervas de tempero, na barraca ao lado, para pôr na janela da área de serviço…
Falando em mudas como vai meu ( quero dizer teu) tomilho. pegou direitinho? Já tenho outra mudinha pronta para o caso de falecimento daquela lá… bjs
Indo na UFSc passa para um beijinho. estou com saudades!!!!
Zezé: lamento informar que acho que andei afogando o pobre. Tou tentando salvar, mas cuida bem dessa mudinha aí, tá bom?
O Idro esteve aqui, domingo, e me deu bronca, e lição, também, de como cuidar de cada planta… mas a sacada tá ficando jóia!
Da feira eu trouxe hortelã, alfavaca, orégano. Desta vez, seguindo bem as lições. E Adriane me deu lindo vasinho de suculenta. Vou virar agricultora de apartamento!
bj.