Na Natureza Selvagem

Jon Krakauer é um jornalista americano, especializado em esportes, principalmente alpinismo. (Não, não errei na grafia de seu nome: é JON, mesmo, sem o h). Sendo eu mesma fascinada pelas expedições ao Everest, leio com imenso deleite tudo que sai sobre elas ( se for pro K2, também serve…) Assim, devorei NO AR RAREFEITO em dois dias, e adorei. E, obsessiva como sou, quando gosto de alguma coisa, vou acompanhando o que foi traduzido depois: Sobre Homens e Montanhas, Na natureza selvagem e Pela bandeira do paraíso.

Escritor classificado na seara do Jornalismo Literário, Krakauer é muito bom de se ler. Houve uma reportagem sua sobre a expedição ao Everest, em revista americana de alpinismo, em que atribui boa responsabilidade das mortes daquela temporada relatada em In thin air, a um guia russo da equipe. Em sua defesa, o guia deu uma série de entrevistas para um jornalista francês, que fez muito bem a averiguação toda, e saiu um outro ótimo livro:não lembro os nomes, sorry!

Li Na Natureza selvagem quando saiu no Brasil, e com muito prazer, como sempre, sempre que leio Krakauer. Mas não passou disso, a história de um jovem idealista sonhando em levar uma vida de aventuras como a que fora levada por escritores do passado que tinham vivido em comunhão com a natureza (Jack London, Thoreau), sem se dar conta de que seres urbanos de hoje não têm preparação para enfrentá-la, a menos que se preparem adequadamente para isso. E ele , sonhador por excelência, gauche ao extremo não o fez: achou que bastava sonhar…

Na Natureza Selvagem, o filme, porém, me causou impacto emocional muito grande. Porque não sei se o Sean Penn - bom demais, seja como ator, seja como diretor - forçou a mão, ou se a redução a que o filme obriga, aquela condensação maior, tornaram muito mais cruel o que houve com o guri. Alguém gauche, tão despreparado para a vida como sempre fui (fator fodido de identificação), mas que acabou morrendo por causa disso.
Um jovem recém-formado na uniersidade, daquela boa classe média americana, decide viajar pelos Estados Unidos, em busca de liberdade e aventura, e acaba indo para o Alasca. E é aí que a coisa complica. Paisagens lindas, raciocínios lindos ( o diário que o menino escreveu acaba sendo utilizado aqui), mas uma tristeza, uma tristeza, que não tem tamanho! Talvez porque a vida seja uma puta que nunca cede aos nossos apelos, e exija suas próprias condições, sei lá… Que desperdício: de inteligência, de talento,de emoções, porra! Não me conformo!

PS.: para uma mulher inteligente, às vezes consigo ser bem burrinha… Mas a diferença toda entre o livro e o filme é que o livro é grande reportagem, impõe um certo distanciamento (mesmo  com aquele traço literário que o JL dá…) e o filme é uma ficcionalização, com bons atores VIVENDO ali, na nossa frente…

Dirigido por Sean Penn e com Emile Hirsch, Marcia Gay Harden, William Hurt, Catherine Keener, Jena Malone e Kristen Stewart no elenco, este filme recebeu 2 indicações ao Oscar.

FICHA TÉCNICA:

Título Original: Into the Wild
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 140 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 2007
Site Oficial: www.intothewild.com
Estúdio: Paramount Vantage / Art Linson Productions / River Road Films / Into the Wild
Distribuição: Paramount Pictures / UIP
Direção: Sean Penn
Roteiro: Sean Penn, baseado em livro de Jon Krakauer
Produção: Art Linson, Sean Penn e William Pohlad
Música: Michael Brook, Kaki King e Eddie Vedder
Fotografia: Eric Gautier
Desenho de Produção: Derek R. Hill
Direção de Arte: Domenic Silvestri
Figurino: Mary Claire Hannan
Edição: Jay Cassidy
Efeitos Especiais: Entity FX
Elenco
Emile Hirsch (Christopher McCandless)
Marcia Gay Harden (Billie McCandless)
William Hurt (Walt McCandless)
Jena Malone (Carine McCandless)
Brian Dierker (Rainey)
Catherine Keener (Wayne Westerberg)
Kristen Stewart (Tracy)
Hal Holbrook (Ron Franz)
Zach Galifianakis (Kevin)
Robin Mathews (Gail Borah)
Bryce Walters (Christopher McCandless - 4 anos)
Steven Wiig (Steve Koehler)

7 Responses to “Na Natureza Selvagem”


  1. 1 maria josé

    Estava pensando no que ler- que não fosse jornalismo online ou outra espécie, quando li o post. Fui na livraria, comprei um PDJames, que me parec ótimo, e depois vou atrás de um desse ai de cima. Bj e bom final de semana

  2. 2 regina

    PDJames é sempre boa demais, a lady do crime. Mas O Krakauer também é, e pode ler, que vais gostar.
    beijo, boa leitura!

  3. 3 Xande B.

    Assisti ao “Into the Wild” ontem (17.08) e fiquei fascinado. As pessoas que viram comigo exclamavam “Que filme parado!”, “Bela fotografia”, “Interessante, mas devagar demais”. Ao contrário, talvez por ser uma manteiga derretida, achei o filme maravilhoso, com pensamentos, reflexões e mensagens realmente tocantes (que me fizeram pensar em muita coisa).
    Vale ressaltar que fiquei em prantos em algumas cenas: (1) entrega da boina pela mulher hippie ao “Supertramp” (para mim foi emocionante); (2) o pedido de adoção; (3) a reflexão final do filme sobre felicidade… enfim em váááááários momentos…
    Exagero? Pode até ser… mas o sensível aqui adorou meeeeeeesmo!

  4. 4 regina

    Xande:
    que bom que somos dois sensíveis, amadinho!
    Achei aquele banho de mar dele com a hippie muito lindo, de tão significativo que é, e a fez recuperar-se de uma grande dor, a perda do filho.
    E tu, combina com a japinha pra virem almoçar comigo no domingo, que tal?
    Tou com saudades dos dois!
    beijão
    (Emy anda em Floripa, ou tá na sua hometown?)

  5. 5 leilócks

    Regininha!!
    seu post é tudo o que senti tbem!! Fiquei chocada com o filme, uma semana pensando no rapaz. um sonho acabado…
    cenas lindas, trilha sonora de arrepiar.
    tbem devorei o ar rarefeito. muito bom, né?
    beijos e saudades

  6. 6 Aleph Ozuas

    [spoiler, só leia o comentário se viu o filme]
    O filme e muito bom. Eu e a Leila assistimos e causou-nos certo impacto também. Mas a verdade é que achei o rapaz meio bobão depois de um tempo. Um detalhe alterado no livro e repetido pelo Sean Penn no filme é que não foram as sementes que causaram a morte do rapaz, foi pura imperícia de viver no mato mesmo. Ele perdeu peso rapidamente e sua alimentação não supria as necessidades, pois se alimentava de carnes muito magras, como coelhos, por exemplo (em inglês, este tipo de desnutrição é chamada de rabbit starvation). Krakauer foi muito criticado por colocar isso no livro, pois a planta que ele cita nem mesmo é mortalmente venenosa, como lá aparece. Outra coisa interessante é que o cabeça-de-bagre do rapaz não levou nem mesmo um mapa, senão saberia que meia milha à frente, no ponto que ele tentou mas não conseguiu atravessar o rio, existia uma ponte utilizada pelos caçadores. Existe um verdadeiro culto a ele na Internet, mas principalmente os moradores do Alaska criticam muito a atitude que ele tomou e os panacas que se arriscam a copiá-lo. Mas o filme tava bom. Bela receita de sucesso e as sementes tinham que estar lá. Mostrar o McCandless apenas morrendo de fome não tinha graça, né? Tinha que ter um final catártico e não mostrá-lo como alguém que, no final morreu por não tomar o mínimo de cuidados necessários para manter sua integridade.
    [se preferir, depois delete o comentário, acabei contando coisas demais, hehe]

  7. 7 regina

    Ora, Aleph, ele era um sonhador, apenas, não uma pessoa prática - o que fez com que me identificasse tanto com ele.
    Um filme não consegue dar toda a amplitude que o livro pode dar, tem que sintetizar, escolher um viés mais definido.E este viés acaba passando pelo que der uma cena melhor. Justifica-se filmicamente.
    Acho que foi boa escolha - definir-se apenas pela gauchêrie talvez empobrecesse o filme.
    bj

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