Aceitei o desafio, e contribuo com meus dez favoritos. Espero a contribuição de vocês…(não estão em ordem de preferência, não…É uma ordem aleatória!) E, na apresentação dos filmes, há alguns trechos “chupados” do Google… Preguiça faz coisa, já dizia vovó!
1. Os Inocentes (The Innocents, Jack Clayton,1961)
Nem todos os filmes feitos com esta fórmula de sutileza eram fracos ou com pouco terror. Os Inocentes (The Innocents), de 1961, dirigido por Jack Clayton, tornar-se-ia uma honrosa exceção. O filme era baseado no livro A Volta do Parafuso (The Turn of the Screw), do escritor norte-americano Henry James, publicado em 1898. A temática principal desta obra (e da maior parte da produção literária deste autor) era a de mostrar a perda da inocência: a história gira em torno de uma governanta que, destinada a tomar conta de duas crianças num casarão no interior da Inglaterra, começou a desconfiar que fantasmas as estavam corrompendo. No conto nunca temos certeza da existência ou não dos fantasmas (que poderiam ser apenas frutos da imaginação da governanta) mas, no filme, cujo roteiro ficou por conta dos brilhantes William Archibald e Truman Capote (com diálogos e cenas adicionais do não menos brilhante John Mortiner), os fantasmas efetivamente existem.Deborah Kerr faz a governanta, Marlon Brando faz o mordomo…
O diretor (e também produtor) Jack Clayton, até então apenas uma promessa do cinema inglês, trabalhou nos famosos Shepperton Studios da Inglaterra para conseguir os climas soturnos e atmosfera claustrofóbica típica das mansões e castelos ingleses. A escolha não poderia ser melhor, pois estes estúdios permitiram que o diretor conseguisse captar os inúmeros detalhes e climas soturnos de um casarão velho e assombrado. Ao contrário dos cineastas que se utilizaram das técnicas expressionistas, ou seja, sempre enfatizando as diferenças entre o preto e o branco de maneira brusca, com as sombras carregando o mal para conseguir um clima “pesado” (vide os clássicos Drácula e Frankenstein), o diretor Clayton também apresentou estas diferenças, mas com leveza e suavidade. As sombras são suaves, mas carregadas do mal, como uma pena flutuando no ar, mas uma pena escondendo segredos terríveis - a leveza nos engana, pois carrega o peso do terror. Dentro desta atmosfera leve e aterrorizante, o mal se espalha pela casa, para as crianças e para a visão da governanta.
O número de cenas antológicas é enorme: a primeira vez que a governanta vê um dos fantasmas no alto de uma torre e, depois, numa inocente brincadeira de esconde-esconde, quando ela o confronta diretamente dentro da casa; o encontro da caixa de música que evoca um dos fantasmas, música esta (”O Willow Wally”, de Paul Dehn) cantarolada pela menina por quase todo o filme; a governanta perdida durante a noite, com uma vela acesa, no corredor dos quartos, entre muitos e aterradores barulhos; e o fantástico confronto final entre a governanta, o menino e o fantasma, produzindo um terror magnífico e um dos finais mais tristes da história do cinema.
2. Nosferatu ( Nosferatu, Murnau,1922)
O filme invoca em suas imagens trêmulas, as exóticas paisagens da Alemanha que muito se aproxima da beleza exuberante das regiões desconhecidas da Romênia, a antiga Transilvânia onde viveu na Idade Média o Drácula histórico Vlad Tepes Dracul.
Neste pitoresco cenário, o diretor F. W. Murnau encontrou todos os ingredientes básicos que invocam o vampirismo, montanhas, florestas densas, riachos, pontes, capelas, castelos em ruínas, aldeões ciganos, lobos, carruagens e, é claro, o talento de Max Schreck, que faz o papel do vampiro Nosferatu. E desta forma, a primeira versão para o cinema da obra de Bram Stoker revive todas aquelas imagens do horror de Drácula contidas nas páginas do livro. Tanto o horror como o erotismo são apenas sugeridos - o público da época não estava ainda corrompido pelo “realismo” do cinema americano, e usava a imaginação…
Quem for assistir Nosferatu na esperança de ver cenas fortes de violência e sangue num exagero aloprado e até ridículo, caracterizado pela idiotice da ideologia americana, vai com certeza ficar decepcionado, afinal Nosferatu é uma obra do expressionismo alemão e assim o caráter do horror dá-se num clima de sonhos maus e pesadelos.Tanto o horror como o erotismo são apenas sugeridos - o público da época não estava ainda corrompido pelo “realismo” do cinema americano, e usava a imaginação…
3. O Iluminado (The shining, Kubrick,1980)
Baseado no romance homônimo de Stephen King, o fime é mais Kubrick do que King, a ponto de King tê-lo refeito, à sua maneira, mais tarde. Mas o de Kubrick é uma obra-prima, e o de King, uma bobagem, versão literal do livro. (E sou fã do King escritor, ‘cês sabem…)
Jack Torrence (Jack Nicholson) consegue um emprego de vigia em um hotel no Colorado durante a temporada de inverno, e leva a sua família para lhe fazer companhia. Devido à baixa temporada e ao isolamento, Jack começa a ter visões e coisas estranhas passam a acontecer naquele lugar assombrado. Considerado por muitos o mais fraco dos filmes de Kubrick, para os adeptos do gênero é um filme genial…A cena da onda de sangue invadindo o corredor é simplesmente antológica…
4. Hellraiser - Renascidos do Inferno ( Hellraiser, Clive Barker, 1987)
Filmagem de um livro de Cliver Barker, custou 1 milhão de dólares, arrecadou 20 milhões apenas nos States.Os efeitos especiais estão superados, mas é filme com “clima”. Sofro até hoje, ao revê-lo…
Em Hellraiser, um homem inescrupuloso, Frank (Sean Chapman), comprou uma misteriosa caixa mágica e num ritual de magia negra ele descobriu uma forma de abri-la, permitindo dessa forma o contato entre o nosso mundo e uma dimensão paralela habitada por criaturas infernais chamadas cenobitas, que tinham como função capturar almas e proporcionar experiências fora da compreensão humana, através de horríveis torturas na carne, com o uso de correntes e ganchos pontudos, misturando dor e prazer.
5. O bebê de Rosemary (Rosemay’s baby, Polanski,1968)
1968 não foi apenas um ano de grandes agitações políticas e sociais, mas também de grandes momentos para o universo do terror: George Romero fez levantar, literalmente, os mortos para atacar os vivos no clássico A Noite dos Mortos-Vivos (Night of Living Dead), mostrando que o horror explícito e orçamento mínimo poderiam gerar uma obra-prima do cinema; os Rolling Stones colocavam Satã na ordem do dia com a música “Sympathy For The Devil”, onde o “Príncipe do Mal” era retratado como um Anti-Herói e suas maldades serviam como contraponto à ordem social “careta” e ao Establishment, imagens típicas da Contracultura da época; e o diretor polonês Roman Polanski trouxe nada mais nada menos do que o filho do Demônio, o próprio anti-Cristo, às telas no clássico O Bebê de Rosemary (Rosemary’s Baby).
Filmagem de um romance homônimo de Ira Levin, lavra a seara da Demonologia, que não é aminha favorita Mas aqui, ah, aqui tá simplesmente genial… E com atores pra lá de bons!
6. A Noite dos Mortos-Vivos (Night of Living Dead, George Romero, 1968).
É filme B, com baixo orçamento, atores desconhecidos, muitas vezes beira o ridículo. Mas tem rimo, tem clima, é absolutamente perfeito… Há refilmagens e nenhuma passa perto…
7. Coração Satânico (Angels’s heart, Alan Parker, 1987).
Pra variar, eu já tinha lido o livro, quando assisti ao filme. Os dois são bons, mas o filme - híbrido de policial com terror - é fantástico. De Niro faz o demônio, e é antológica a cena em que descasca o ovo, rolando-o devagarinho - e lembremos que o ovo é o símbolo da alma… Passou meio despercebido, pouca gente viu, o que é uma pena. Rourke faz Angel, e ainda era grande ator, antes de se meter a lutador de boxe e ficar todo deformado.
Detetive trabalha para estranho cliente, que o incumbe de localizar um músico desaparecido. Ele segue pistas que o levam a vários personagens, que morrem de forma violenta à medida que ele se aproxima da verdade, levantando a desconfiança da polícia. Baseado em romance de William Hjortsberg.
8. Alien, o Oitavo Passageiro ( Alien, Ridley Scott,1979)
Também tinha lido o livro, antes…
Tripulantes de uma nave espacial são obrigados a desviar a rota para inspecionar um planeta. Lá encontram uma estranha plantação, de onde sai uma criatura que se agarra a Kane (John Hurt), um dos membros da equipe. De volta à nave, Kane parece ter se livrado da criatura, até que um alienígena sai de sua barriga, foge e começa a atacar humanos, espalhando morte e terror. Agora os tripulantes têm de enfrentar esta repugnante e perigosa criatura assassina.
E vamos dar uma folguinha pras comédias que fazem paródia dos filmes de horror, e são ótimas:
9. A Dança dos vampiros (The fearless vampire killers, Polanski, 1967)
Simplesmente imperdível!
10. Pânico (Scream, Craven 1996).
Divertido demais, divertido demais! E olhem que sou chata com comédias!
A minha resposta a esse post está no blog. Mas posso dizer que concordo com 40% do que está aí.

És um abusado, Mário Ignácio!
Irei ao teu blog conferir os 60% discordantes…
Mas somos de gerações bem distantes uma da outra, em termos de idade e em termos de filmes, já que crescemos assistindo a tipos e estilos bem diversos.
Olho minha lista, e vejo que na classificação das locadoras eles estariam mais como suspense do que como terror…
Comento tua lista depois!
bj
Alguns eu não vi, já anotei pra ver…
Ora, Cristine! Não és mais a mesma, hehehe…
E se tiveres sugestão, manda. Slasher, nein! Me recuso!
beijão aí pra cidade das flores!