Esta, porém, está radicada em Montevidéu, do outro lado do Prata, há muitos anos. Chama-se Carlos María Domínguez. É , além de escritor, jornalista e crítico literário.(Ítalo, tá indo pra ti! Vais adorar!) Vejam outro começo inesquecível:
” Na primavera de 1998, Bluma Lennon comprou numa livraria do Soho um velho exemplar dos Poemas de Emily Dickinson, e ao chegar ao segundo poema, na primeira esquina, foi atropelada por um automóvel.
” Os livros mudam o destino das pessoas. Uns leram O tigre da Malásia e se transformaram em professores de literatura em remotas universidades. Sidarta levou milhares de jovens ao hinduísmo, Hemingway transformou-os em esportistas, Dumas transtornou a vida de milhares de mulheres e não poucas foram salvas do suicídio por manuais de cozinha. Bluma foi sua vítima.
” Mas não a única. O velho professor de línguas antigas Leonard Wood ficou hemiplégico ao receber na cabeça cinco tomos da Enciclopédia britânica, que se soltaram de sua prateleira; meu amigo Richard quebrou uma perna ao tentar alcançar Absalão, Absalão!, de William Faukner, mal localizado numa prateleira que o levou a cair da escada. Outro amigo de Buenos Aires pegou tuberculose nos porões de um arquivo público e conheci um cachorro chileno que morreu de indigestão com Os Irmãos Karamázov, depois de devorar suas páginas numa tarde de fúria.
“Cada vez que minha avó me via ler na cama, costumava dizer: “Deixe disso, os livros são perigosos”. Durante muito anos acreditei em sua ignorância, mas o tempo demonstrou a sensatez de minha avó alemã.”
Dá pra resistir?
(A casa de papel. trad. Maria Paula Gurgel Ribeiro. São Paulo: Francis, 2006. p.9-10)
Que delícia! Já estou no aguardo
O “Como falar dos livros que não lemos” tem-me inspirado a uma nova escrita. Com outras leituras que já tenho sobre essa questão da não-leitura… Mais pra frente divido contigo.
beijão,
Í.ta**
Sou ótima, não sou?
E modesta, hehehe…
Precisas me manter informada do que estás fazendo, sim.Parei de pesquisar na área por não dar tempo de ler tudo que é necessário,
mas ela continua me interessando muito, como sabes.
Prestaste atenção nos nomes que o Domínguez atribui às personagens? São todos nomes significativos, uma graça…
Tou revisando uma tese, vim dar uma descansada, volto a ela.
bj.
Talvez eu vá a Xarraguá nos próximos dias, pegar umas peças que um amigo aprontou pra mim. Se for, te aviso; marcamos uma Original no Meu Boteco, e me contas tudo, timtim por tintim.
comecei ler teu blog e não parei de ler
……
to lendo ainda
……
vou continuar lendo
bjos do teu fotografo
Vieste me ler, nada, Chan!
Vieste foi ver tuas fotos,seu danado, pra confirmar que és mesmo o melhor fotógrafo que existe, ao me deixar tão bonitinha!
Viste o recado pro Italo? Devo ir aí, nos próximos quinze dias, vamos aproveitar e fazer as fotos pro site!
E te convido pra cervejinha, também!Com direito a levar a mulher (o Ítalo leva a namorada, e ela vai cantar pra gente!)
Vem me visitar sempre, tá legal? Bom demais te ver aqui!
bj.
Chan e Italo:
com essa programação toda, acho que vamos “alugar” o Inácio, hehehe…
E preciso conhecer a namorada do Carlos!
bj
Tá valendo.
Avisa se (quando) vier. Já peço pra Nice ensaiar ^^
beijão!
Avisarei!
E que a Nice fique afiadinha, hehehe…
bj
Interessante que o Carlos María tenha omitido o veneno no livro, que elucida e desfecha “ O nome da Rosa”, de Humberto Eco, não é? Tal vez seja para não estragar o mistério para os que não o leram ainda.
E não falar do seu ilustre escritor compatriota; o grande Horacio Quiroga, que teve uma vida atravessada pela tragédia e o veneno, até seu suicídio com Cianureto. Sua mãe e sua filha também se suicidaram.
A definição de suicídio tem origem no latim, na conjunção das palavras “sui” (si mesmo) e “caederes” (ação de matar). Tenho para mim que ler e escrever são maneiras sutis de se matar. E de viver…
Muitos dos grandes escritores norte-americanos também foram suicidas químicos, ao seu modo, tirando ao Hemingway , que o fez com a pólvora do seu fuzil, teve os outros que se envenenaram devagar, com o álcool, pois naquelas bandas, não era escritor de verdade se não fosse etílico. Para lembrar o paradigma: Jack London, que escreveu o lúcido “Memórias dum alcoólatra”, com seu alter ego John Barleicorn, para morrer igual de Delirium tremens, embora alguns falem que foi overdose de morfina .
E o Stefan Zweig e sua Lotta, hein ?
E o Mário de Sá Carneiro?
E a inglesa Virgínia Wolf, que suicidou-se envenenada com…água; pois se jogou num rio? Não é para rir, não.
E, por fim, para que a Regininha não me cobre que sou muito extenso, a fabulosa frase de Fiodor Dostoievski: “ Quem se atreve a matar-se é Deus”.
Fui
Jaez Jarbas.
Oi, amado, que bom te ver de volta…
E seja extenso à vontade, hehehe… Tava com saudades!
Mas me diz uma coisa: e a Alfonsina, não se matou também, e não teve caso de anos (e infeliz) com o Quiroga? Ou tou misturando as coisas?
Não, não conto a história do livro, deixo o gostinho só, que é pra ver se animo o pessoal a ir atrás…
Diz-se, hoje, que não há novas histórias, todas já foram contadas, e o que muda é o jeito de contar as histórias.
bj.