Um poema pro domingo

É do Emanuel Medeiros Vieira, que anda com a corda toda…

INVENTÁRIO

Aquela manhã posterior:

qual?

Não a verei canto da cigarra matutina

morango na relva

grama orvalhada

O espelho me leva a outros espelhos.

Cumpri os rituais: afiei o lápis, contemplei a folha

branca

(ah, pureza inatingível/impureza inaceitável).

Palavra arrancada da pedra: esta a memória que ficará.

Não, não verei meus olhos no momento derradeiro,

nem o novo dia sendo fundado.

As guerras que vivi?

Já não importam.

(Aquele que foi feixe de ossos e de emoções,

segue – pacificado – o rio.)

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