Mudei eu!

Pronto, Carol, já estou pronta para falar das mudanças. Não precisas mais brigar comigo.

Preâmbulo no. 1: faz exatos um ano e vinte dias que me aposentei. É mudança brusca demais, mesmo quando a gente se prepara o tanto que eu me preparei, e se deseja isso com a mesma força com que o desejei. Não me aposentei para sentar no banco e fofocar, ou pra ficar sem fazer nada, esperando a morte chegar. Me aposentei para me dedicar a uma nova etapa de trabalho, o literário. A adaptação não foi fácil - mas eu estava  preparada para enfrentar.  Só que há poucos professores tão populares quanto eu,  e  a solidão (bem sei que é exagero, né? Mas em relação ao que havia antes, dá para considerar assim!) chegou a doer. Pra minha sorte, sou ardidinha, impulsiva, braba,   mas sou também  afetuosa, alegre e expansiva, faço amizades com facilidade, vou à luta e resolvo os problemas com a rapidez que for possível. Estou adaptada, e feliz com isso.

Preâmbulo no. 2: somos uma espécie animal não muito diferente das outras, por mais que achemos isso. Mas temos uma tendência a esquecê-lo. O intelectual, então, costuma esquecer que tem um corpo, e se torna sedentário, e junto com o sedentarismo cotidiano e continuado fica-se preguiçoso demais para as atividades físicas. Tenho superado isso com vagar, e o personal foi de grande ajuda. Agora continuo por minha conta - e pretendo fazê-lo da forma mais adequada para meu jeito, sem exigir demais, pois daí se desiste logo, passada a fase de entusiasmo.

Pois, como já disse em post anterior, as mudanças vieram se gestando, sem que eu mesma as percebesse bem. Não são nada de extraordinário, mas são direcionamentos um pouco diferentes daquilo que tenho feito até agora. E se processam em três setores diferentes. Vou organizar por eles.

1o. setor: a produção literária/intelectual.

A intelectual tem ido melhor, pois depende menos de meus humores, e mais de um pouco de disciplina de leitura, análise e escrita. E isso tenho tido, mesmo que com certa frouxidão, que estou achando excessiva.  Mas a literária está sendo deixada de lado, e isso está me doendo.  Achei o início da historinha da sereiazinha do Ribeirão da Ilha, preciso continuar e acabar: é bem bonitinha. Não mexi mais no romance policial, e sinto falta dele. Desisti do narrador masculino, pois cabeça de homem é uma naba: a Marta vai continuar contando sozinha, vai ser apenas seu ponto de vista. Tem um jeito mais leve de narrar, e isso faço com facilidade, né não? E tenho cometido poucos poemas, não reorganizei o livro - preciso dar uma boa faxinada nos meus “cometimentos”, jogar alguns fora, substituir por outros, dar-lhes seqüência para montar um livro. Pensado isso, pesado isso, organizei agenda de trabalho, e vou tocar ficha.

2. setor: o blogueiro.

O blog foi uma experiência válida, me ensinou montes de coisas,  mas está superado. Não, não vou parar com ele, vou  dar-lhe  nova  estrutura. Vai virar site- blog, para que sejam incluídos os sapos e algumas outras cositas, como aquela aula que o tio Clóvis montou, aproveitando as minhas, das Oficinas, sobre personagem.  Escrever para o blog me liberou muito a escrita, criou  um à-vontade muito grande, como se o computador e eu estivéssemos conversando, aquelas conversas de cozinha, bem relaxadas… Agora passa a ser atualizado três vezes pro semana, e é melhor pra todo mundo. Quinta-feira é dia de crônica; nos outros dias, provavelmente segundas e sábados, uma resenha (que pode ser  de livro, filme, show ou CD) e o outro, o que der na telha.

3o. setor: o afetivo.

Quero mais tempo para os amigos, quero mais tempo pra namorar. Terei! Tenho ido pouco ao cinema, de que gosto tanto; não tenho feito visitas, quase. Isso vai ser mudado. Vou gastar mais tempo comigo, cuidando do corpo, cuidando da saúde, buscando o equilíbrio físico e mental, que nunca se pode perder de vista. É tarefa pra todos os dias, ainda mais quando se é indisciplinada feito eu. Pois estou conseguindo trabalhar com essa indisciplina, aceitando-a numa boa, mas aproveitando-a para o meu bem-estar. Não gosto de seguir rotinas rígidas, nem horários rígidos, como não gosto de comer todo dia  a mesma coisa.

Acreditem se quiserem: parei de brigar comigo mesma por causa disso, e tenho usado a característica em meu próprio benefício, e em benefício da minha produção. E está dando surpreendentemente certo!

O novo programa começa a vigorar hoje mesmo, e me dêem licença, que tenho muito o que fazer!

6 Responses to “Mudei eu!”


  1. 1 Mário Coelho

    Atualizar só três vezes por semana? Pô, Regina, aí é sacanagem! Ehehe, essa cobrança vindo de um cara que atualiza o blog muito de vez em quando. Por sinal, mudou o endereço, viu?
    http://whatmario.blogspot.com

    Beijos

  2. 2 regina

    Mário Coelho, querido orientando:
    vais me enganar que tens lido tudo? Ai, esses meninos, o que não fazem por uma boa nota, hehehe…
    Vou te visitar no endereço novo, pó deixar!
    Mas não hoje: voltei quebrada da musculação… Mas faceira da vida!
    bj

  3. 3 Jonas

    Regina, sua bobona, você ainda não leu o livro da Doris Lessing que eu te falei, né? Ele tem tudo a ver com essa fase de “novos ideais”. Chama-se “Amor, de Novo”.

    Saudades, beijoca

  4. 4 regina

    Ai, Jonas, não briga comigo, ando que é só poesia, quero terminar o livro dos poetas até final de junho, atrasadíssima que estou…
    Mas depois desse incentivo, fiquei curiosa, vou ler, sim.
    Já vou mandar email pra Verônica, encomendando.
    Mas não sei se quero mesmo “Amor,de novo”, hehehe.
    Como cantava o Luiz Henrique: se amor é isso/ vou deixar disso/ nunca mais hei de amar/ ninguém// pois é bobagem/ não dá vantagem/ no fim só nos resta/ a dor// a gente sofre por não ter amor/ mas sofre mais quando ama alguém// se amor é isso/ vou deixar disso/nunca mais hei de amar / ninguém…
    bj, bobão!

  5. 5 Ítalo Puccini

    Toca o barco em frente!
    Adoro este teu jeito de abrir o jogo dessa forma leve e maravilhosa.

    beijos de boa-sorte.
    precisando tâmo aí ^^

    Í.ta**

  6. 6 regina

    Tem um poema da Ana C. em que ela diz que não há mulher mais misteriosa do que essa que se diz com toda a franqueza…(as palavras não são estas, mas o sentido, sim…) Porque fazemos escolhas, podemos mudar de rumo,procurar novos caminhos, fazer novas experiências.Isso surpreende, né?
    E isso é muito legal, mesmo, ainda mais pra quem vive esse “avesso da vida”, resguardada, mais mental que física…
    De físico, só as caminhadas, e as aulas de musculação. O resto do tempo, leituras,estudos, papos (de preferência num boteco, num churrasco,num belo jantar)… E eu e mon cerveau d’or, e o teclado do computador…
    Se precisar, eu grito! E obrigada!

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