Em Brusque

Estive em Brusque a convite da escritora, cronista, poeta… e amiga Suzana Mafra, para participar de eventos do aniversário da cidade: Brusque completa 148 anos. Eu lançaria a coletânea lá, na noite de quinta, já que há duas escritoras da terra que mostram seus contos ali, e daria uma Oficina de Crônicas na sexta.

Minhas passagens por Brusque têm sido sempre relacionadas ao circuito de compras, que aliás é ótimo. Mas minha relação com as cidades são sempre em função de pessoas, que é o roteiro turístico que me interessa. E, antes de Suzana, os brusquenses que conheci e conheço não moram mais lá.

Fui com carro da prefeitura , que veio buscar a mim e a Inês Mafra, irmã de Suzana, poeta das mais boa, escritora também, e também com conto na coletânea. Foi viagem muito agradável, um motorista muito simpático, o Tiago, seguro, tranqüilo, apesar de jovem. A tarde estava bonita, num dia que tinha amanhecido com chuva, e estava quente, mas não demais. Fomos por dentro, por Tijucas, e quando subimos a serra após São João Batista, a neblina se espalhava bonita pelas encostas. Eram seis horas da tarde, estava escurecendo, e eu ia ficar no Hotel Veneza, no centro, e Inês na casa da mãe dela.

O Hotel Veneza é bom, simples, limpo, quartos bem modernizados, ar condicionado, TV a cabo. E TV a cabo com a maioria dos canais, nada daquele engodo chamado “Pacote para hotel”, com os canais de esporte e notícias, muito ao gosto de executivos… e mais ninguém. (Bem, suponho que executivos formem a maior parte da clientela, mas é dose agüentar aquilo…) Um único defeito: o posto ao lado fica aberto durante a noite, tem loja de conveniências e quando não é o som dos carros a mil decibéis, é papo de bêbados ( o que inclui bêbadas…) também a todo volume.

Depois de um banho e de me arrumar, comi alguma coisa num local ao lado do hotel, chamei um táxi e fui para o local do evento: a Fundação de Cultura e Biblioteca Municipal. Suzana tinha ido em casa se arrumar, e eu não conhecia absolutamente ninguém. E ninguém me conhecia. Por sorte, Inês chegou logo, e fiquei me sentindo menos desamparada… Havia uma exposição de ilustrações da Márcia Cardeal, mostrando a linha do tempo de sua carreira, sempre legal de se ver, este desenvolvimento de estilo e aperfeiçoamento contínuo de um artista… e artista talentoso ainda mais, caso de Márcia.

Mas depois foi legal. De início me olhavam meio sobressaltados - professora da UFSC, escritora, cronista do AN - parece que assusta as pessoas. Mas depois que me ouviram falar, na apresentação da coletânea, me acharam muito simples e simpática (foram dizer isso pra Suzana), adoraram o que eu disse e vieram falar comigo feito um enxame, foi até bonito de ver. Um senhor de Brusque, casado com uma japonesa de Sampa (eles moraram lá muitos anos, até a aposentadoria) fez questão de vir apertar minha mão - era a primeira professora da UFSC que ele conhecia. E eu ri: isso me espanta; afinal, somos mais de dois mil, não é nada difícil encontrar algum por aí… Ele não queria acreditar.

Pela manhã caminhei pelo centro, atravessei a ponte, fiz fotos, fui ao Banco do Brasil pagar o Visa. Parei num café, tomei uma média enquanto lia o Santa que tinha comprado na banca em frente . (O Santa, pra quem não sabe é o “Jornal de Santa Catarina“, também da RBS, que circula principalmente pelo Vale do Itajaí).

Ás onze as irmãs Mafra vieram me pegar no hotel e fomos almoçar no Schumma, lá em Guabiruba. O Schumma é abreviação carinhosa de Schummacker, e é restaurante tradicional ali, que serve todo dia uma maravilhoso “mareco com r-epolho r-oxo” como eles dizem (pronunciem o r sempre como vibrante simples…) O restaurante foi reformado, atualizado, mas manteve o mesmo formato, que é muito agradável - o pessoal que atende, também. O almoço é servido quase imediatamente, e a fartura do que vem pra mesa é espantosa: marreco com seu recheio, chuleta de boi, frango, macarrão com e sem molho, arroz, aipim cozido (se desmanchando…bem como gosto!), farofa maravilhosa com batata palha junto, repolho branco, repolho roxo, saladas… AFE!

A Oficina à tarde (das duas às cinco) foi bem legal, lá num salão do sótão da casa da Fundação - que é linda! Um pessoal pra lá de animado e simpático, todos dispostos a se tornar cronistas, uma atividade que não paga bem, mas dá muita visibilidade. E, em dando visibilidade, abre caminhos para muita coisa. Agora nos correspondemos por email. Deixei três crônicas encomendadas, e se o pessoal cumprir direitinho o que prometeu, vamos escolher as melhores e tentar publicar. Vai ser jóia!

2 Responses to “Em Brusque”


  1. 1 silvia

    Em Brusque, é, fêssora?
    Não comeste cuca??? Temos a melhor do estado.
    Oh, a próxima vez que fores pra lá e precisares de um táxi, chama o meu pai, o Beto, 9905 1254.

    Outra coisa, conheci o Sylvio Back no sábado. Falamos em ti, claro.
    Um beijo querida e se vieres a Sampa, me procura. Ficarei por aqui até o final da campanha.
    bisous

  2. 2 regina

    Afe, Maria!
    1. Tu sabes que conheci um pessoal, alguns jovens, no lançamento do livro, que te conhecia? E devia conhecer, mesmo, pois o comentário do Maurício (não sei seu sobrenome, nem o nome dos outros…) foi: “ela é uma doidinha!” (E eu, sempre positiva: ora, isso ela é, mesmo, graças a deus!) E amei o pessoal lá, foram uns doces comigo (mas todo mundo é, sou muito mal-acostumada),e os da Oficina já estão mandando crônicas, boas todas, até aqui.Precisei de taxista, sim, mas não sabia do teu pai.Juro que ligo da próxima vez, e conto como ias lá em casa … e dormias no sofá, e me deixavas vendo os filmes sozinha. Lembras do meu primeiro DVD? Era um horror!
    2. Fiquei curiosa: como virei tópico em conversa com Sylvio? Tinhas lido meus artigos sobre ele,aqui no blog? É engraçado, isso: a gente entrar em conversa que nem se supõe que possa ter havido, hehehe… E nem sabe a troco de quê…
    Já tava com saudades de ti, tinhas sumido daqui.
    É difícil eu ir a Sampa, tenho nóia/fobia de cidade grande (se é que isso existe…) Mas se aparecer alguma razão MUITO, MUITO BOA para fazê-lo, quem sabe… Adoraria te ver traveis! (talvez esta seja uma razão, né?)
    beijão pra ti e pro Eumano!

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