Deu a louca no sapinho!

Publiquei meu primeiro livrinho de sapo, O Sapo Azul, em 2000. Foi ilustrado pelo Mano (José) Alvim, fazendo experiências com desenho em computador, é em preto e branco, e ficou uma graça. A capa é branca, com um vazado em formato de sapo, que mostra a primeira página, que é… azul, naturalmente, a única cor no livro. Foi edição da autora, e pensou-se principalmente em fazer o melhor com poucos recursos. (Não me peçam, está esgotado!)

Foi a partir daí que começaram a me dar sapos de presente. Tinha até sapo do Laos e do Tibete, gentileza da Larissa Junkes,q ue andou fazendo TCC por lá. Tinha sapo italiano, sapo francês, sapo japonês, mas a maioria era de sapos brasileiros, mesmo, uns feios, outros bonitos, sapos, sapos e mais sapos, todos coaxando neste verde charco que é minha casa. Tinha até sapo pornô, com uma enorme estrovenga nada sapal, onde se situava, estrategicamente, um copo, hehehe… (Um dia o copo quebrou, e a faxineira, evangélica, deu jeito de que aquele sapinho indecente também fosse pro beleléu…)(mas fiz um conto em homenagem a ele, e ficou muito divertido - não, não mostro! Que gente mais xereta, sô!)

Mas eu morava numa casa meio grande (não muito), cheia de estantes, pelas quais eles se espalhavam, com muito espaço para todos. Ao vender a casa e me mudar prum quarto e sala, estava não só assumindo o risco de não me adaptar a essa nova opção. Tive que me desfazer de móveis, livros, estilo de vida… e de
muitos dos meus sapinhos. Fiz várias triagens: na primeira, me livrei dos mais feios; na segunda, dos não tão bonitos; alguns se quebraram na mudança e outros desapareceram (eram pequeninhos, talvez tenham passado despercebidos, embrulhados como estavam, de um em um).

Foi depois que saiu A Sapinha Meiga (também esgotado!), ano passado, que realmente começou a invasão de sapos aqui em casa. De novo tenho sapo pra todo lado, de pelúcia, de plástico, de louça, de madeira, de vidro, de tecido. Muitos de presente, outros comprados por mim, que não resisto ao apelo batráquio…Tenho até edredom e duas almofadas de sapos… Tenho chaveiros, pendurados nos cabides do banheiro… E foi justamente um desses, o de pelúcia, que pirou de vez, esta madrugada.

Era um sapinho de pelúcia verde, pequeninho e feio, presente de um amigo de Xarraguá. Ficava ali quietinho, dando sua nota colorida num banheiro muito feio… Gostava dele, como gosto da pessoa que o deu de presente. Nunca fez barulho algum, eu nem sabia que podia. Daí levantei às seis, como sempre, e quando entrei no banheiro, ele começou a piscar uma luzinha vermelha e a fazer um ruído que deveria ser um croaaac-croaaac, mas era um soma disso com um outro ruído não identificável, como o de um camundongo preso em ratoeira.

Primeiro foi engraçado, mas ele se assanhava cada vez mais, e não queria parar de jeito nenhum. Apalpei, apertei, procurei a bateria, apertei pra todo lado, pra ver se desligava… e nada! Pensei: vou esperar um pouco, pra ver se a bateria acaba. Meia hora, 45 minutos, e aquele ruído interminável (se fizesse croaaac-croaac, talvez eu deixasse passar…). Fui lá, apalpei-o todo outra vez, e ele nem tchuns. Gosto dele, e pensei: quem sabe se eu brigar ele pára?

Olhei bem séria pra ele, e falei, com aquela voz de mãe-de-saco-cheio: pára já com isso, ou levas umas marteladas! E, exatamente como filhos fazem, ele nem pelota… Daí o saco encheu, mesmo, e joguei-o solenemente na lata de lixo. E levei o lixo embora, porque ele continuava o barulhinho e o acende e apaga vermelho lá dentro. Agora, tou tristinha, aqui, como se tivesse perdido um amigo…

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