Archive Page 2 of 52



A vida tem sempre razão

(Vinicius de Moraes / Toquinho)

Tem dias que eu fico
Pensando na vida
E sinceramente
Não vejo saída
Como é por exemplo
Que dá pra entender
A gente mal nasce
Começa a morrer
Depois da chegada
Vem sempre a partida
Porque não há nada
Sem separação

Sei lá, sei lá
A vida é uma grande ilusão
Sei lá, sei lá
Só sei que ela está com a razão

A gente nem sabe
Que males se apronta
Fazendo de conta
Fingindo esquecer
Que nada renasce
Antes que se acabe
E o sol que desponta
Tem que anoitecer
De nada adianta
Ficar-se de fora
A hora do sim
É um descuido do não

Sei lá, sei não…

Meus dez filmes de terror!

Aceitei o desafio, e contribuo com meus dez favoritos. Espero a contribuição de vocês…(não estão em ordem de preferência, não…É uma ordem aleatória!) E, na apresentação dos filmes, há alguns trechos “chupados” do Google… Preguiça faz coisa, já dizia vovó!

1. Os Inocentes (The Innocents, Jack Clayton,1961)
Nem todos os filmes feitos com esta fórmula de sutileza eram fracos ou com pouco terror. Os Inocentes (The Innocents), de 1961, dirigido por Jack Clayton, tornar-se-ia uma honrosa exceção. O filme era baseado no livro A Volta do Parafuso (The Turn of the Screw), do escritor norte-americano Henry James, publicado em 1898. A temática principal desta obra (e da maior parte da produção literária deste autor) era a de mostrar a perda da inocência: a história gira em torno de uma governanta que, destinada a tomar conta de duas crianças num casarão no interior da Inglaterra, começou a desconfiar que fantasmas as estavam corrompendo. No conto nunca temos certeza da existência ou não dos fantasmas (que poderiam ser apenas frutos da imaginação da governanta) mas, no filme, cujo roteiro ficou por conta dos brilhantes William Archibald e Truman Capote (com diálogos e cenas adicionais do não menos brilhante John Mortiner), os fantasmas efetivamente existem.Deborah Kerr faz a governanta, Marlon Brando faz o mordomo…
O diretor (e também produtor) Jack Clayton, até então apenas uma promessa do cinema inglês, trabalhou nos famosos Shepperton Studios da Inglaterra para conseguir os climas soturnos e atmosfera claustrofóbica típica das mansões e castelos ingleses. A escolha não poderia ser melhor, pois estes estúdios permitiram que o diretor conseguisse captar os inúmeros detalhes e climas soturnos de um casarão velho e assombrado. Ao contrário dos cineastas que se utilizaram das técnicas expressionistas, ou seja, sempre enfatizando as diferenças entre o preto e o branco de maneira brusca, com as sombras carregando o mal para conseguir um clima “pesado” (vide os clássicos Drácula e Frankenstein), o diretor Clayton também apresentou estas diferenças, mas com leveza e suavidade. As sombras são suaves, mas carregadas do mal, como uma pena flutuando no ar, mas uma pena escondendo segredos terríveis - a leveza nos engana, pois carrega o peso do terror. Dentro desta atmosfera leve e aterrorizante, o mal se espalha pela casa, para as crianças e para a visão da governanta.
O número de cenas antológicas é enorme: a primeira vez que a governanta vê um dos fantasmas no alto de uma torre e, depois, numa inocente brincadeira de esconde-esconde, quando ela o confronta diretamente dentro da casa; o encontro da caixa de música que evoca um dos fantasmas, música esta (”O Willow Wally”, de Paul Dehn) cantarolada pela menina por quase todo o filme; a governanta perdida durante a noite, com uma vela acesa, no corredor dos quartos, entre muitos e aterradores barulhos; e o fantástico confronto final entre a governanta, o menino e o fantasma, produzindo um terror magnífico e um dos finais mais tristes da história do cinema.

2. Nosferatu ( Nosferatu, Murnau,1922)

O filme invoca em suas imagens trêmulas, as exóticas paisagens da Alemanha que muito se aproxima da beleza exuberante das regiões desconhecidas da Romênia, a antiga Transilvânia onde viveu na Idade Média o Drácula histórico Vlad Tepes Dracul.
Neste pitoresco cenário, o diretor F. W. Murnau encontrou todos os ingredientes básicos que invocam o vampirismo, montanhas, florestas densas, riachos, pontes, capelas, castelos em ruínas, aldeões ciganos, lobos, carruagens e, é claro, o talento de Max Schreck, que faz o papel do vampiro Nosferatu. E desta forma, a primeira versão para o cinema da obra de Bram Stoker revive todas aquelas imagens do horror de Drácula contidas nas páginas do livro. Tanto o horror como o erotismo são apenas sugeridos - o público da época não estava ainda corrompido pelo “realismo” do cinema americano, e usava a imaginação…

Quem for assistir Nosferatu na esperança de ver cenas fortes de violência e sangue num exagero aloprado e até ridículo, caracterizado pela idiotice da ideologia americana, vai com certeza ficar decepcionado, afinal Nosferatu é uma obra do expressionismo alemão e assim o caráter do horror dá-se num clima de sonhos maus e pesadelos.Tanto o horror como o erotismo são apenas sugeridos - o público da época não estava ainda corrompido pelo “realismo” do cinema americano, e usava a imaginação…

3. O Iluminado (The shining, Kubrick,1980)

Baseado no romance homônimo de Stephen King, o fime é mais Kubrick do que King, a ponto de King tê-lo refeito, à sua maneira, mais tarde. Mas o de Kubrick é uma obra-prima, e o de King, uma bobagem, versão literal do livro. (E sou fã do King escritor, ‘cês sabem…)

Jack Torrence (Jack Nicholson) consegue um emprego de vigia em um hotel no Colorado durante a temporada de inverno, e leva a sua família para lhe fazer companhia. Devido à baixa temporada e ao isolamento, Jack começa a ter visões e coisas estranhas passam a acontecer naquele lugar assombrado. Considerado por muitos o mais fraco dos filmes de Kubrick, para os adeptos do gênero é um filme genial…A cena da onda de sangue invadindo o corredor é simplesmente antológica…

4. Hellraiser - Renascidos do Inferno ( Hellraiser, Clive Barker, 1987)

Filmagem de um livro de Cliver Barker, custou 1 milhão de dólares, arrecadou 20 milhões apenas nos States.Os efeitos especiais estão superados, mas é filme com “clima”. Sofro até hoje, ao revê-lo…

Em Hellraiser, um homem inescrupuloso, Frank (Sean Chapman), comprou uma misteriosa caixa mágica e num ritual de magia negra ele descobriu uma forma de abri-la, permitindo dessa forma o contato entre o nosso mundo e uma dimensão paralela habitada por criaturas infernais chamadas cenobitas, que tinham como função capturar almas e proporcionar experiências fora da compreensão humana, através de horríveis torturas na carne, com o uso de correntes e ganchos pontudos, misturando dor e prazer.

5. O bebê de Rosemary (Rosemay’s baby, Polanski,1968)

1968 não foi apenas um ano de grandes agitações políticas e sociais, mas também de grandes momentos para o universo do terror: George Romero fez levantar, literalmente, os mortos para atacar os vivos no clássico A Noite dos Mortos-Vivos (Night of Living Dead), mostrando que o horror explícito e orçamento mínimo poderiam gerar uma obra-prima do cinema; os Rolling Stones colocavam Satã na ordem do dia com a música “Sympathy For The Devil”, onde o “Príncipe do Mal” era retratado como um Anti-Herói e suas maldades serviam como contraponto à ordem social “careta” e ao Establishment, imagens típicas da Contracultura da época; e o diretor polonês Roman Polanski trouxe nada mais nada menos do que o filho do Demônio, o próprio anti-Cristo, às telas no clássico O Bebê de Rosemary (Rosemary’s Baby).
Filmagem de um romance homônimo de Ira Levin, lavra a seara da Demonologia, que não é aminha favorita Mas aqui, ah, aqui tá simplesmente genial… E com atores pra lá de bons!

6. A Noite dos Mortos-Vivos (Night of Living Dead, George Romero, 1968).

É filme B, com baixo orçamento, atores desconhecidos, muitas vezes beira o ridículo. Mas tem rimo, tem clima, é absolutamente perfeito… Há refilmagens e nenhuma passa perto…

7. Coração Satânico (Angels’s heart, Alan Parker, 1987).

Pra variar, eu já tinha lido o livro, quando assisti ao filme. Os dois são bons, mas o filme - híbrido de policial com terror - é fantástico. De Niro faz o demônio, e é antológica a cena em que descasca o ovo, rolando-o devagarinho - e lembremos que o ovo é o símbolo da alma… Passou meio despercebido, pouca gente viu, o que é uma pena. Rourke faz Angel, e ainda era grande ator, antes de se meter a lutador de boxe e ficar todo deformado.

Detetive trabalha para estranho cliente, que o incumbe de localizar um músico desaparecido. Ele segue pistas que o levam a vários personagens, que morrem de forma violenta à medida que ele se aproxima da verdade, levantando a desconfiança da polícia. Baseado em romance de William Hjortsberg.

8. Alien, o Oitavo Passageiro ( Alien, Ridley Scott,1979)

Também tinha lido o livro, antes…
Tripulantes de uma nave espacial são obrigados a desviar a rota para inspecionar um planeta. Lá encontram uma estranha plantação, de onde sai uma criatura que se agarra a Kane (John Hurt), um dos membros da equipe. De volta à nave, Kane parece ter se livrado da criatura, até que um alienígena sai de sua barriga, foge e começa a atacar humanos, espalhando morte e terror. Agora os tripulantes têm de enfrentar esta repugnante e perigosa criatura assassina.

E vamos dar uma folguinha pras comédias que fazem paródia dos filmes de horror, e são ótimas:

9. A Dança dos vampiros (The fearless vampire killers, Polanski, 1967)

Simplesmente imperdível!

10. Pânico (Scream, Craven 1996).

Divertido demais, divertido demais! E olhem que sou chata com comédias!

De sons e cacófatos

O amigo que mora no sítio, na serra, está lendo o livro do Gabriel Gómez - A culpa é dos livros - que lhe passei. Liguei-lhe pela manhã, pra falar de outras coisas, e ele me contava do que tinha lido até ali. Gostou da minha apresentação, levantou que Gabriel, na sua, conta de sua timidez de conversar com Jorge Luis Borges, das vezes em que o encontrou na rua, em Buenos Aires. Numa delas, Borges sentado num banco, queixo apoiado na bengala, na pose eternizada em fotos, sua pose mais famosa.

Por causa da timidez, Gabriel se queixa de ter ficado sem nenhum livro com autógrafo de Borges. “Mais adiante, porém, ele conta que tem três obras autografadas”, diz o amigo. E respondo: foram comprados em sebo, o autógrafo não é dirigido a ele. Se não me engano, Borges apenas assinava, não se dirigia ao leitor, não colocava seu nome também. “Isso não fica claro”, diz o amigo. “Parece contradição”. Bem, vou ter que conferir, mas o livro está pronto, não dá mais pra refazer isso.

E exigente que só ele, também questiona minha revisão: deixaste passar duas vezes o mesmo cacófato: por cada, nesta apresentação do Gabriel.
E começamos a discutir a questão da cacofonia. As discussões mais recentes admitem ser cacófato apenas os casos em que a união das palavras postas em ação formar alguma obscenidade. Me guio por ela. Além disso, é a sonoridade, a eufonia, que dirige o julgamento. Digo “pur cada” e não acho nada demais no caso… Aquelas regras mais rígidas, que colocam “alma minha gentil que te partiste”, do Camões, como exemplo primeiro de cacófato, não estão mais em vigor.

Conversamos tempão sobre isso, mas não consegui convencê-lo: acha “por cada - porcada” inadmissível… É engraçado isso, como muitas das regras que se guiam pela eufonia - e o que soa bem pra um pode soar mal pra outro - acabam por criar uma zona penumbrosa, em que não se atende a todos os julgamentos. Ou, então, tem-se que ser tão rígido/a, que se vai desfazendo todas as possibilidades que apareçam de que se instaure um cacófato.

Gabriel é falante nativo do espanhol e as palavras pra ele, mesmo em português, possuem sonoridade diversa da que possuem pra nós. A Gabriel o amigo desculpa - questiona é o meu ouvido, hehehe…

Os melhores filmes de terror

Sou aficcionada de filmes de terror, ‘cês sabem. Até já dei disciplina sobre eles, na UFSC. Mas incluía a literatura de horror, também. E foi muito divertido. E este post vai como oferta especial para o Vinicius, que se divertia desbragadamente, durante os filmes! Não concordo muito com ela, não. Incluiria outros, excluiria alguns… E corrigi os erros de digitação do texto original…

Por Redação Yahoo! Notícias

Do vampiros aos mortos-vivos, dos tubarões que não morrem às histórias de amor no meio de um ataque de zumbis, a revista americana Time elegeu os 25 melhores filmes de terror do último século.

Listas são sempre polêmicas, e esta não foi diferente. A revista colocou no topo da lista o filme “Todo Mundo Quase Morto”, de 2004, enquanto o “O Exorcista”, de 1973, aparece em 12º lugar.

Entre clássicos e filmes quase alternativos, a lista ainda tem “Halloween”, “Psicose” e “Frankenstein”.

Confira os 15 melhores filmes da lista divulgada pela revista Time.

1 - Todo Mundo Quase Morto
( Shaun Of The Dead, Reino Unido, 2004)
Shaun (Simon Pegg) é um fracassado. Não consegue o respeito de ninguém: nem o da namorada (Kate Ashfield), nem o do amigo que vive de favor em sua casa (Nick Frost), nem mesmo o dos colegas de trabalho. O que já era ruim fica ainda mais alucinante quando Shaun se vê obrigado a liderar um grupo de sobreviventes que fogem de um bando de zumbis.

2 - Dragão Vermelho
( Red Dragon, EUA, 2002)
Baseado no livro de Thomas Harris, Dragão Vermelho faz parte da série de filmes sobre o psiquiatra canibal Hannibal Lecter. Esse filme retrata o médico antes de O Silêncio dos Inocentes. O agente do FBI William Graham (Edward Norton) recorre à ajuda de Lecter para capturar um serial killer (Francis Dollarhyde, vivido por Ralph Fiennes), que está pondo a cidade em pânico. O único problema é que, além de Graham considerar o psiquiatra um de seus piores inimigos, Hannibal está dando preciosas informações ao criminoso a respeito da família do policial.

3 - Audition, 1999

Um produtor de TV é encorajado por seu filho adolescente a se casar novamente antes de ficar velho. Ele inventa uma seleção para um filme forjado para conhecer potenciais noivas. Ele acha que encontrou a mulher perfeita quando conhece uma bailarina; porém, desconfiado, ele decide investigar o passado da moça, o que revela um segredo horrível.

4 - Fome Animal
( Dead Alive/ Braindead, Nova Zelândia, 1992)
Durante um passeio no zoológico, rapaz é vigiado por sua mãe neurótica que, depois de mordida (e contaminada) por uma espécie rara de macaco, transforma-se em zumbi e espalha a doença por toda a cidade. O diretor Peter Jackson criou uma obra escatológica ao extremo. Seus zumbis são retratados da forma mais doentia (e hilária) possível. A cena preferida de Jackson (a do bebê no parque) só foi realizada porque sobrou dinheiro da produção. Caso não rodasse a cena, ele teria de devolver o dinheiro para o estúdio. O filme foi vencedor do Festival de Cine Fantástico em Avoriaz e Jackson foi escolhido como o melhor diretor do gênero em 1993.

5 - Men Behind the Sun, 1988
(Conhecido também como Hei tai yang 731)
No final da Segunda Guerra Mundial, prisioneiros de guerra chineses e russos são torturados e feitos de cobaia em experimentos com armas biológicas pelas tropas japonesas.

6 - A Mosca
( The Fly, EUA, 1986)
Seth Brundie (Jeff Goldblum) é um cientista excêntrico que trabalha numa nova invenção, uma máquina de teletransporte - a TelePod. Ao seu lado, tem Veronica (Geena Davis), uma jornalista que acompanha seus projetos acreditando ser essa a “história do ano”. Ao experimentar seu novo invento, Seth não percebe que uma mosca entrou na cabine do teletransporte. O imprevisto faz com que os padrões moleculares do homem e do inseto se misturem e, pouco a pouco, o cientista vai sofrendo terríveis transformações. Remake do filme homônimo de 1958.

7 - Alien, o Oitavo Passageiro
( Alien, EUA, 1979)
Tripulantes de uma nave espacial são obrigados a desviar a rota para inspecionar um planeta. Lá encontram uma estranha plantação, de onde sai uma criatura que se agarra a Kane (John Hurt), um dos membros da equipe. De volta à nave, Kane parece ter se livrado da criatura, até que um alienígena sai de sua barriga, foge e começa a atacar humanos, espalhando morte e terror. Agora os tripulantes têm de enfrentar esta repugnante e perigosa criatura assassina.

8 - Halloween - A Noite do Terror

( Halloween, EUA, 1978)
Na noite do dia das bruxas, no ano de 1963, Michael, um garoto de seis anos, mata sua irmã adolescente. Ele fica internado durante anos, mas o psiquiatra Dr. Loomis (Donald Pleasence) não consegue penetrar na mente do menino. Quinze anos depois, também em um dia das bruxas, Michael foge. O médico sabe que o garoto vai matar de novo e alerta a polícia. Enquanto não conseguem encontrá-lo, Michael segue a adolescente Laurie Strode (Jamie Lee Curtis) e suas amigas, que começam a desaparecer.

9 - Carrie - A Estranha
( Carrie, EUA, 1976)
Carry White (Sissy Spacek) é uma jovem que não faz amigos em virtude de morar com sua mãe Margareth (Piper Laurie), uma pregadora religiosa desequilibrada. Na escola, uma professora fica espantada pela sua falta de informação, quando descobre que foi menosprezada por suas colegas de sala por achar que estava morrendo ao ter sua primeira menstruação. Sue Snell (Amy Irving), uma das alunas que zombaram dela, fica arrependida e pede a Tommy Ross (William Katt), seu namorado e um aluno muito popular, para que convide Carrie para um baile no colégio. Mas Chris Hargenson (Nancy Allen), uma aluna que foi proibida de ir à festa, prepara uma terrível armadilha que deixa Carrie ridicularizada em público. Só que ninguém imagina os poderes paranormais que a jovem possui e muito menos sua capacidade de vingança quando está repleta de ódio.
Carrie, a Estranha recebeu duas indicações ao Oscar: Melhor Atriz (Sissy Spacek) e Melhor Atriz Coadjuvante (Piper Laurie) e, 23 anos após seu lançamento, estreou nos cinemas americanos A Maldição de Carrie.

10 - Tubarão
( Jaws, EUA, 1975)
Até os dias de hoje o enredo é bem amarrado e atual: em uma pequena cidade litorânea dos EUA, um enorme tubarão branco começa fazer vítimas entre os banhistas das praias. Só que o grande problema é que a história se passa nas férias, período em que se fatura alto com os turistas para viver o resto do ano, e o tubarão pode afastar a freguesia. O xerife Martin Brody (Roy Scheider) acredita que pode vencer a criatura, mas a tarefa não será fácil. Ele, um policial que deixou o seu trabalho em Nova York para garantir uma vida melhor para sua família em uma cidade pequena, vai enfrentar todos os seus medos no pior dos pesadelos. Para ajudá-lo, ele contrata um velho caçador de tubarões e um oceónagrafo. A caçada está apenas começando. Tubarão foi o primeiro filme da história a superar a casa dos US$ 100 milhões de bilheteria e chegou a acumular no total US$ 260 milhões. O orçamento de produção foi de US$ 8,5 milhões, sendo que o originalmente previsto não passava de US$ 4 milhões. Ganhou 3 Oscar (Melhor Montagem, Melhor Som e Melhor Trilha Sonora), sendo também foi indicado para Melhor Filme.

11 - O Massacre da Serra Elétrica
( The Texas Chainsaw Massacre, EUA, 1974)
Quando ouve dizer que o túmulo de seu avô foi violado, Sally vai com alguns amigos checar o assunto. No caminho para a fazenda onde seu avô morava, eles dão carona a um homem, mas ele se revela um louco e eles o deixam. Chegando na fazenda, que está deserta, eles encontram uma casa desconhecida. Começa o pesadelo: lá mora o louco que pediu carona, o mascarado Leatherface e o resto da família de canibais, que usam serras elétricas, martelos e coisas do tipo para matar pessoas.

12 - O Exorcista
( The Exorcist, EUA, 1973)
Baseado no livro de William Peter Blatty. Linda Blair é Regan, uma menina misteriosamente possuída por uma força maligna, que a faz levitar e rodar a cabeça, entre outros terríveis fenômenos. Em pânico, sua mãe chama um lendário exorcista para livrá-la do que parece ser o demônio. Indicado a 10 Oscars, tendo ganho de roteiro e som. Devido ao seu grande sucesso, O Exorcista foi relançado em 2000 em uma versão com algumas cenas a mais.

13 - A Noite dos Mortos Vivos
( Night Of The Living Dead / Night Of The Flesh Eaters, EUA, 1968)
Um satélite cai numa pequena cidade da Pensilvânia e sua radiação faz com que os mortos deixem suas tumbas e saiam à caça de pessoas vivas, pois se alimentam de carne humana. Numa fazenda, um grupo de pessoas armam uma barricada na tentativa de sobreviver ao terrível ataque dos mortos-vivos, que só podem ser mortos (mais uma vez) com um tiro na cabeça.
14 - Blood Feast, 1963
Um maníaco mata várias mulheres no subúrbio de Miami sem deixar pistas e usa parte do seus corpos para trazer de volta à vida uma deusa egípcia, enquanto um policial tenta pegá-lo.

15 - Black Sunday, 1960

Uma bruxa e um fiel servo retornam do túmulo após 300 anos, para começar uma vingança de sangue. Ela quer possuir o corpo de uma bela moça, mas seu irmão e um jovem médico estão no seu caminho.

Coisas da vida

Meu pai teve dois irmãos, a Lea, dois anos mais nova que ele e o Titinho, temporão. Titinho morreu na infância, por causas que jamais foram bem aceitas, nem digeridas: a empregada deixou-o cair da cadeira alta e escondeu o fato. Tinha fraturado a coluna… Era uma anjinho à moda dos Cascaes, lourinho, claro, cacheado, olhos azuis.

Tia Lea casou com Almiro Caldeira, funcionário do IBGE, e também escritor, como o pai dela. Tiveram quatro filhos, e o último batizaram de Tito, também, contra a vontade do “Velho”, o Tito Carvalho, que afirmava que era um nome que não nada sorte. E não deu: o Titinho Caldeira, também ele anjinho loiro e cacheado, morreu na infância…

Os primos Caldeira e eu convivemos muito na juventude, e Vânia, a mais velha, da mesma idade que eu, não desgrudava de mim. Nem eu desgrudava dela, é claro… Usávamos as roupas uma da outra, tínhamos que nos contar tudo, o mais breve possível, ríamos de tudo. Adolescentes. Só não estudávamos juntas, porque eu era uns meses mais velha e por conta disso tinha ingressado na vida escolar um ano mais cedo. E ainda bem, pois decerto fofoquearíamos o tempo todo, e nada de atenção nas aulas…

Daí fui morar em São Paulo, casei por lá, morei alguns anos no interior. Quando voltei, o tio era procurador da Sudesul, e tinha ido morar em Porto Alegre, os primos junto. Nos perdemos de vista. Fui fazer faculdade, com dois filhos pequenos, casa, marido, era uma barra. Formada, virei professora da UFSC, meu sonho. Ainda achava tempo e disposição para a militância petista…

Depois que o pai morreu, os contatos com o pessoal de POA ficou mais distante, pois a tia sofria ao me ver, se lembrando do irmão, com quem era muito ligada. Comecei a evitar vê-la. Imaginava que houvesse forte componente de culpa em seu mal-estar, porque ela não suportou enfrentar a doença do irmão, e todo seu acompanhamento foi feito apenas por mim… e foi muito barra pesada. É uma daquelas épocas da vida que a gente prefere nem lembrar.

Hoje, por causa da morte do tio, um ano atrás, e do lançamento de seu livro, retomo contato com os primos. E nos falamos como se jamais tivéssemos deixado de nos ver. Esta é uma das boas coisas da vida, os afetos que se mantêm, os laços que são tão fortes que não se desfazem pelo afastamento, qualquer que seja sua duração. Neste aspecto, não tenho queixas a fazer: recebo muito amor, tenho muito amor para retribuir… Gracias à la vida, que me ha dado tanto!

Em Brusque

Estive em Brusque a convite da cronista Suzana Mafra, para participar de eventos do aniversário da cidade: Brusque completa 148 anos.Lancei a coletânea de contos O Novo Conto Catarina e dei Oficina de Crônicas. Foi demais de bom.

Minhas passagens por Brusque são sempre relacionadas ao circuito de compras, que é ótimo. Mas minha relação com as cidades se dá em função de pessoas, que é o roteiro turístico que interessa. E, antes de Suzana, os brusquenses que conheci e conheço não moram mais lá.

Fui com carro da prefeitura , que veio buscar a mim e a Inês Mafra, irmã de Suzana, escritora também.Foi viagem muito agradável, um motorista muito simpático, o Tiago. A tarde estava bonita, num dia que tinha amanhecido com chuva, e estava quente, mas não demais. Fomos por dentro, por Tijucas, e quando subimos a serra após São João Batista, a neblina se espalhava bonita pelas encostas. Eram seis horas da tarde, estava escurecendo, e eu ia ficar no Hotel Veneza, no centro, e Inês na casa da mãe dela.

O Hotel Veneza é bom, simples, limpo, quartos bem modernizados, ar condicionado, TV a cabo. E TV a cabo com a maioria dos canais, nada daquele engodo chamado “Pacote para hotel”. Um único defeito: o posto ao lado fica aberto durante a noite, tem loja de conveniências e quando não é o som dos carros a mil decibéis, é papo de bêbados também a todo volume.

Quando fui para o local do evento, a Fundação de Cultura e Biblioteca Municipal, num prédio lindo, Suzana tinha ido em casa se arrumar, e eu não conhecia ninguém. E ninguém me conhecia. Por sorte, Inês chegou logo, e fiquei me sentindo menos desamparada… Havia uma exposição de ilustrações da Márcia Cardeal, mostrando a linha do tempo de sua carreira, gostei demais.

Mas depois foi ótimo. De início me olhavam sobressaltados - professora da UFSC, escritora, cronista do AN - parece que assusta as pessoas. Mas depois que me ouviram falar, me acharam muito simples e simpática (foram dizer isso pra Suzana), adoraram o que eu disse e vieram falar comigo feito um enxame…. Um senhor, casado com uma japonesa de Sampa (eles moraram lá muitos anos, até sua aposentadoria) fez questão de vir apertar minha mão - era a primeira professora da UFSC que ele conhecia.Eu ri: somos mais de dois mil, não é nada difícil encontrar algum por aí… Ele não queria acreditar!

Pela manhã caminhei pelo centro, atravessei a ponte, fiz fotos, fui ao Banco do Brasil. Parei num café da praça, tomei uma média enquanto lia o Santa que tinha comprado na banca em frente .

Ás onze as irmãs Mafra vieram me pegar no hotel e fomos almoçar no Schuma, lá em Guabiruba. O Schuma é abreviação carinhosa de Schumacker, e é restaurante tradicional ali, que serve todo dia uma maravilhoso “mareco com r-epolho r-oxo” (o r sempre como vibrante simples…) O restaurante foi reformado, mas manteve o mesmo formato, muito agradável - o pessoal que atende, também. O almoço é servido quase imediatamente, e a fartura do que vem pra mesa é simplesmente espantosa!AFE! Chegamos com ele vazio, saímos com ele lotado.

A Oficina à tarde (das duas às cinco) foi bem legal, lá num salão do sótão da casa da Fundação - que é linda, repito! Um pessoal pra lá de animado e simpático, todos dispostos a se tornar cronistas, uma atividade que, se não paga bem, ao menos dá muita visibilidade. E, em dando visibilidade, abre caminhos para muita coisa. Agora nos correspondemos por email. Encomendei três crônicas, e o pessoal está enviando. Assim, poderemos escolher as melhores e publicar, com as ilustrações feitas numa oficina dada pela Márcia. Vai ser jóia!

(Saiu no Anexo de 21/8/2008, p. 3. Já tinha feito este relato aqui, mas quis ampliar o alcance, mandando pro jornal. Tive que enxugar bastante, mas, afinal, Suzana e o pessoal de Brusque me receberam tão bem, que merecem!)

Assim caminha a humanidade…

Leio a crônica desta semana do amigo Amilcar Neves - grande cronista, grande contista - e compartilho sua indignação toda, naquilo contra o quê protesta. Desta vez, o impedimento da circulação de mais um livro, circulação liberada em primeira instância.

Houve um caso parecido com Amilcar e Chico Pereira e sua peça de teatro sobre Eduardo Dias, processo altamente injusto. E a reflexão sobre tais casos me leva a fazer considerações sobre isso. Já as compartilhei com Amilcar e agora, desenvolvendo melhor, divido com vocês.

A história me fez lembrar de outros casos, especialmente o da biografia de Roberto Carlos feita por Paulo Cesar Araujo. E a indignação se faz muito forte, por constatar que quem entra com a ação não o faz, embora a alegação seja a habitual, calúnia e difamação, não por esta razão, na verdade. E sim para impedir que ações de fato realizadas venham a conhecimento público… Ora, publicar verdades não é incorrer em calúnia nem em difamação: é publicizar informações corretas, nada mais que isso.

O que me choca, na questão, é o fato de as pessoas envolvidas terem feito aquilo que é narrado, mas não admitirem sua divulgação. Quer dizer: desde que se mantenham os segredos, pode-se cometer todo e qualquer ato anti-ético, imoral, transgressor, sórdido… Falar dele, porém, é inimaginável - isso é que é imoral, parece.

“Assim caminha a humanidade” é bordão de amigo ligado a cinema. Pois é assim que caminha a humanidade: na mesma e batida trilha, sem alterar substancialmente seu comportamento. De Petrônio e seu Satiricon, rien a changé. Meu avô jornalista costumava repetir velho provérbio francês: plus ça change, plus c’est la même chose… Pior que tá certo!Ou, pra citar João Bosco, sempre com suas canções navegando pela casa: já vi este filme/ já vi o desenho/ já vi este treiler/ que saco!/ eu morro no fim!

Caminhando e cantando…

… e seguindo a canção…

Depois de me zangar na academia, não fazer a musculação, e jurar só voltar depois que acabassem as Olimpíadas, não tive opção: caminhada de uma hora, no lugar da de meia hora… E saí de casa eram sete e quarenta e cinco. Manhã daquelas em que “cerração baixa, sol que racha”…

À medida que caminhava, a neblina ia sumindo, e o céu se anunciava de um azul perfeito. Terminal Integrado da Trindade, minha trilha para a avenida. Uma parte da classe trabalhadora vai para outros paraísos, mas uma boa parte dela vai chegando pro paraíso trindadense. Muita gente indo para e chegando do Titri. Acho que é o horário de maior trânsito humano naquela ruela que desce do Itaú.

Fui até o cemitério do Itacorubi cantando: vou voltar/ sei que ainda vou voltar/ para o meu lugar… Mas sem prestar atenção na paisagem, desta vez prestei atenção nas pessoas que caminham. Neste horário, muitas, de todas as idades, e de todos os sexos. (Há muitos deles, ‘cês sabem…)

Primeiro, uma senhora de seus quarenta e tantos, que caminhava engraçado: seus braços balançam na frente do corpo, não na lateral, coisa mais engraçada. Pensei: deve chegar em casa com os ombros doendo! Atrás dela, uma trintona, os braços balançando na lateral, mas longe do corpo, engraçado também…Me perguntei: será que os seios são muito grandes, o que explicaria? não, não são… Depois um homem moreno, jeito de operário, com os braços balançando naturalmente, e as mãos bem duras, bem esticadas - acho que este foi o mais inexplicável.

Homens de cabelos pintados, acho a coisa mais ridícula. Ao sol, a tintura fica evidente, e o desejo de mostrar este índice de juventude se mostra meio patético…Nas mulheres, normalmente de cabelos mais compridos, não é tão escandalosamente evidente, embora se note que é tingido.

Os mais jovens usam os MP3, roupas esportivas da hora e de grife, óculos escuros de último modelo. Nos mais velhos, roupas bem batidas, confortáveis apenas, desviadas para esse uso. Com as temperaturas mais quentes, as bermudas e shorts começam a aparecer. Vai-se andando, o sol se animando, de vez em quando alguém que se banha em perfume pra ir caminhar (à caça? já nesta hora?).

Na ponte sobre o canal do Mangue, um gay faz alongamento (sei que é gay, porque o conheço, não é pela graciosidade, não…). A seu lado, a bicicleta encostada na mureta, e como ele prioriza alongamentos de perna, deve tê-las sentido no decorrer do exercício. Mas seus movimentos são tão graciosos, que fico a olhá-lo com inveja: se alonga como se dançasse, fluidamente. Atrás dele, no canal, as graças das garças se exibem pelas árvores.

Ao lado de uma garça em branco total, um pássaro do mesmo tamanho, mas em cinza: que pássaro será? Saco do meu celular, e saco-lhes uma foto, pra mostrar pra alguém que possa identificar.

A neblina agora se espreguiça apenas nas encostas, e faz calor, afe Maria. Vai ser longo dia, e tenho que ir ao centro, ainda - na Livros & Livros, combinar o lançamento do livro da Jeanne… Aproveito pra passar na feira da Alfândega, e ver Vera e Egídio, e comprar mudas de ervas de tempero, na barraca ao lado, para pôr na janela da área de serviço…