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Diário da Paraíba: olho de estrangeiro

* Mandei pro Anexo a crônica da semana, mas me sentindo mal: no presente momento, parece futilidade falar de outra coisa que não tempo, intempéries, e na imensa capacidade do ser humano de dar a volta por cima. Já passamos por isso em 84, lembram? Será pauta da semana que vem.

* Recebo daí notícias, fotos, e cada vez que entro na internet o UOL me bate com o aumento do número de mortos e desabrigados… Ah, Catarina, minha santa!

* Mas estou longe, e meu olhar, de cá ou de lá, é o olhar do estrangeiro.  De qualquer modo, o que está longe daí sente a dor das perdas todas; o que está aqui, aprende.

* Faço questão de experimentar e de aprender a fazer os pratos da terra. E vejo nomes, marcas, aprendo provérbios e jeitos de falar. Ontem fez  e hoje faz um calor da moléstia. Ontem , no final da tarde, chuva forte, com vento, mas não durou nem quinze minutos…

* Amanhã quero fazer baião de dois, e na Paraíba usam o nome que lhe é dado no “sertão” ( e a palavra se refere ao sertão paraibano) é RUBACÃO. Hoje faço almoço normal: arroz (o amarelão aqui é graúdo, uma delícia), bife à milanesa, abobrinha italiana refogada. Mas amanhã viro nordestina, e faço rubacão. Mais tarde vou ao mercadim, comprar carne de sol.

* Até a Kibon tem sorvetes regionais, na categoria FRUTTARE: açaí, graviola, kiwi com pedaços da fruta, manga, coco, coco com pedaços, cajá…Ontem experimentei o de cajá, vim tomando pela rua. Ao chegar em casa, tive que trocar a camiseta: toda escorrida, arre égua! 

 

  * E num boteco muito do fulero da praia, tomamos o melhor caldinho de caranguejo que já experimentei… Fotinho aí, pr’ocês ficarem com vontade (ou sem nenhuma, sei lá…)

Dropes da Paraíba

(o repouso dos hobby cats 14)

* no caixa do mercadim, a senhora atrás coloca uma bandeja com umas “coisas” verdes pequenas, meio espinhentas. Pergunto :isso é jiló? Descubro que é maxixe. E me ensinam que é muito bom com feijão verde e quiabo. Me assanhei-me toda, vou fazer, vou fazer… 

* Caminho com a Cris-filha, e a nosso lado estaciona a viatura negra e vermelha da PM. Eu nem aí, mas a Cris se inclina, toda sorridente, pra falar com o motorista: oi, Paulo, tudo bem? E me explica: este é o Paulo, adestrador da Tuca. É a minha vez de ficar sorridente: Paulo , és um herói! Transformaste aquela cadelinha insuportável numa lady. Merecias medalha por isso!

* Paro no treiler da PM ali na Epitácio para pedir uma informação. Dois guardas lá dentro, naquele sol de matar. São gentis, me explicam direitinho o que peço. Dois rapazes bonitos, um deles moreno de olhos verdes. No caminho pra casa, na calçada ao lado da viatura, um outro fala ao celular, andando pra lá e pra cá. Pela melosidade da voz, está paquerando, o danado. Rapaz bonito, também. O Paulo é bem bonito. Conclusão? Ou é critério de seleção, ou deve ser um bom emprego, na região. 

* Me acostumei bem com a rede, pra nossa surpresa. Não quero ouvir falar em dormir na cama, nesse calorão. Subir nela é fácil. Descer, porém, pra dona pequeninha, exige logística caprichada. Esta madrugada, premida por bexiga pedindo socorro, fui levantar às pressas, meio dormindo: ploft, bunda no chão…No problem, sou acolchoadinha.  E achei engraçado…

Indecisão

Leio no noticiário que as chuvas têm causado muitos estragos lá no sul, em Catarina, minha santa. Fábio Brüggemann se queixa, em seu blog, de cinco semanas de chuva a deixá-lo em estado de carência das vitaminas solares.

Sendo eu a mãe de todos os sapos, recebo incontáveis mensagens me dizendo: estamos virando sapos, vamos todos virar sapos, e as véia do Frank Maia, diante da previsão de mais chuva,  desejam fazer uma reserva na arca de Noé. Vinicius Alves pôs, no Lesma Lerda, linda foto de sapinho faceiro e colorido: vamos virar batráquios.

Pois isso tudo me deixa oscilando entre vários sentimentos, indecisa entre qual deles escolher.

1. fico me sentindo meio culpada, por estar aqui neste sol e olhando pr’esse céu azul, enquanto vocês andam meio submersos em tanta água e melancolia, aí na santa terrinha.

2. daí me bate crise de egoísmo, e penso: ah, que maravilha! Pelo menos, no estado meio depressivo em que andava, pude escapar das nuvens carregadas e da chuva constante, que faziam eu me sentir ainda mais desanimada. E aqui estou tão bem, que até retomei o blog, toda animada.

3. Todo mundo vai estar metamorfoseado em sapo, quando eu voltar. Floripa vai virar Verde Charco, e vou ter personagens a rodo, pros próximos livrinhos… Não vai ser a glória? Vou adorar, vou adorar! Vou ter os amigos coaxando e pulandinho pra baixo e pra cima ali no Arquipélago, e posso servir cheirosas e bem temperadas sopinhas… de moscas.

Diário da Paraíba: sábado de sol…

… com direito a almoço no restaurante Terraço.

As meninas foram a uma praia chamada Ponta de Campina. Eu acabei desistindo de ir, e passeei por aqui, mesmo. Essa coisa de mar, praia, sol ardido o tempo todo não é comigo, não, a não ser de vez em quando. E de longe, como fiz hoje. A Cris-visita quer voltar torrada pra Sampa, e exagera um pouco dos banhos de sol, mas como gosta muito, a hospedeira foi com ela, e fiquei em casa.

Daí me lembrei que estava havendo uma regata de barcos a vela ali na frente, e fui lá dar uma olhada nos barcos, talvez fazer umas fotos. No caminho, coisas da Paraíba: carroças pequenas, puxadas por cavalo, trafegando - uma entrega botijões de gás; outra levava cocos verdes. E a tansa aqui só pensou em fotografar depois. A de coco verde merecia foto, podem crer.

Ainda passa um ou outro carro festejando a posse do Zé Maranhão. Muita gente na praia - durante a semana a praia é familiar, e o pessoal vai cedinho. Às oito horas o sol já castiga, começa a esvaziar, principalmente os que levam as crianças. Das nove em diante, só se anda na rua se se está obrigado - ou quem estiver acostumado. Fico em casa até umas quatro da tarde, quando começa a des-arder, e cai ventinho pra lá de gostoso (embora haja vento o dia todo, é um vento mais quente).

Paro numa barraca, peço um coco geladinho. Custa 1,00. Sento na mesa do restaurante ao lado, na sombra, e fico curtindo a paisagem e o movimento: a praia está cheia, mas cadê os barcos? Descubro que estão enfileirados na areia, mais adiante, descansando pra próxima etapa. Fui até lá, dar uma olhada , e andando de sandália pela areia, ou os pés pegarão fogo. Queria um picolé de castanha, mas não passou nenhum carrinho.

Vocês precisam ver o tanto de Carvalho que tem por aqui. Na Trindade tem um edifício chamado Maria Carvalho, o mesmo sobrenome da minha bisavó, Vó Maria. Aqui já vi umas três Marias Carvalho. Uma delas tem salão de beleza na esquina.

Resolvo almoçar no Terraço, restaurante que já conheço. Fazem um prato chamado Camarão à Trapiche, flambado no uísque, que é de comer rezando. Mas estou sozinha, seria comida demais, fico só numa isca de peixe.(Dourado, naturalmente!). Agora vou pegar uma rede, enquanto as praieras não chegam. Me dêem licença!

Diário da Paraíba: o rei morreu?

(Cabo Branco visto da Ponta do Seixas - foto minha)

O rei morreu? Viva o rei!

As moças da casa chegaram do Recife logo após as 20 horas. A Cris-filha ia dar aula pela manhã, quis ficar em casa, preparar tudo e dormir cedo. A Cris -visita e eu tínhamos fome, resolvemos sair. Por sugestão da moradora local, fomos à Filipéia (que nome!) na esquina da Epitácio com a avenida da praia.

Boteco bom, serve petiscos e a cerveja estava geladíssima, com direito a história do garçon, sobre cliente que vai lá com termômetro para conferir a temperatura da cerveja. “Mediu a da ceveja no copo, estava a zero grau, perfeita. Foi medir a do chope, deveria estar a 5 graus, estava a 8. Perdemos pontos”, riu ele.

 Pedimos camarão alho e óleo, veio miúdo, bem feito, uma delícia, e iscas de peixe - dourado, traveis, que este povo adora, parece. No meio do papo, carros e mais carros buzinando e desfilando à frente, imensa carreata, bandeiras vermelhas com o número 15.

Será que foi jogo de futebol? Não, não pode ser, o futebol aqui é inexpressivo. Perguntamos para alguém do bar (um rapaz que descobrimos ser de Santos) e ele explicou que o TSE tinha cassado o mandato do atual governador, do PSDB, o Cássio  Cunha Lima, e de seu vice, e em seu lugar iria assumir o segundo colocado nas eleições, atual senador, o Zé Maranhão, do PMDB.

Cássio caiu, Zé Maranhão no poder. Rei morto, rei posto. E daí chegou um trio elétrico, e a bagunça prosseguiu animada. A Cris-visita, que é graduada em História e doutora em Ciência Política, dizia: “somos testemunhas de um momento histórico!”

E fico matutando: fica meio confuso, ‘cês não acham? Um estado chamado Paraíba com um governador chamado Maranhão? 

 

Diário da Paraíba: a Epitácio

(Praia de Cabo Branco, João Pessoa - a foto é minha)

O nome oficial é Avenida Presidente Epitácio Pessoa. Como diria o Ed Mort, está na placa. Todo mundo simplifica,  e vira apenas Epitácio, a Epitácio. Do lado de cá ( de cá, porque é onde estou), fica Cabo Branco. Do lado de lá, Tambaú. Serve de indicação pra tudo, e é onde está o Supermercado Pão de Açúcar, há pizzarias, botecos, locadoras, postos de gasolina.

Para quem vem pela praia, é fácil de identificar: há um treiler da PM na esquina, plantão das 8 da manhã às 23 horas. Para quem vai de dentro para a praia, também: duas pistas largas, canteiro alto no meio. Congestiona muito em horário de pico, mas é bem mais tranqüila ao longo do dia.

Achei dentista por ali: caiu restauração de dente. Fui lá hoje pela manhã, marcar consulta. e a secretária, em ritmo nordestino, me deixou tempão esperando. Na TV, escolhia-se modelo dentre cinco gurias de uma favela de Aracaju.A secretária levando muito a sério… Éramos eu, esperando pra falar com o Dr. Jerônimo, um senhor de uns 70, e um pai de uns 50 com o filho já crescido.

Daí quando alguém do júri me sai com a pérola: louvável a persistência dessas moças, não resisti e caí na risada. “Puxa, gente, eu não fui persistente o bastante, fiquei só deste tamanhico” (A única característica gabada das moças é que todas tinham mais de 1,70…). Transformei a sala de espera numa pândega e meus colegas também me garantiram que não tinham sido muito persistentes,   e começaram a explicar as formas como alguém de biotipo brevilíneo poderia ter a tal da persistência. Muito divertido!

Pois no caminho para o caixa do BB em Tambaú, parei para tomar um picolé artesanal de castanha em um carrinho, debaixo daquele sol de rachar. Não sei se era o picolé, ou o calor, mas tava uma delícia. E a simpatia do gurizinho que vendia, a me enumerar a lista toda: cajá, graviola, castanha, amendoim… e por aí afora, também ajudou.

Historinha contada pela Cris: ela foi com colega que é daqui ao Palácio da Justiça, pra fazerem uma pesquisa. Nas paredes, retratos de desembargadores, com os nomes. Noutra parede, dos governadores. Cris foi espiar, e percebeu uma coisa interessante: Colega, a maior parte desses desembargadores tem o mesmo sobrenome teu. E este governador, também. A colega olhou a foto do governador, e disse, sorrindo, carinhosa: Voinho! Gozação da Cris (mané não perde chance, ‘cês sabem): e depois te ofendes quando dizem que és da oligarquia local… E a colega, tão gozadora quanto: decadente, decadente…

Milagres acontecem:acertei pôr foto no post. Pior: foi fácil. Aleph: eu me amo, eu me amo!

Na Escola Beatriz

 

Ir às escolas conversar com os alunos é tarefa que muitos escritores têm realizado com prazer, por considerarem-na de grande importância. Já temos discussão acumulada sobre isso, e há uma série de benefícios advindos desse contato. Desmistifica-se a figura do escritor, mostrando-o como uma pessoa de carne e osso. Fala-se de leitura, da importância da literatura, do processo de criação de textos de cada um, de seu universo de referências. O “compadre” Flávio José Cardozo transformou isso numa espécie de apostolado, e está fazendo um ótimo trabalho nesse sentido.

Assim, quando a Professora Albertina, ali da Escola Beatriz Brito, no Pantanal, me convidou para ir bater papo com seus alunos, aceitei sem titubear – para sua declarada surpresa. Os alunos da sétima série estavam acompanhando estas minhas crônicas, e os mestres queriam enfatizar ainda mais aquelas que têm a ver com o cotidiano, com a realidade nossa ( nem sempre tão alegre) de todo dia.

Minha experiência profissional sempre se deu no magistério superior, e confesso que me assustei um pouco ao entrar num auditório repleto de crianças – o ensino fundamental. Barulhentos, alegres, cheios de energia, encararam tudo de um jeito muito simpático. Meu medo, porém, é não saber falar uma linguagem adequada para eles, medo que até acho procedente (vou pedir umas dicas para o Flávio, que já está doutor nisso).

Me perguntaram principalmente sobre algumas das crônicas: Apis Regina, O jeito mané de ser, O fusca 66, Silvana. Estavam encantados especialmente com as diabruras do Marco Túlio, cuja existência estavam pondo em dúvida. Tive que garantir que ele existia, sim, e que eu não contava ali nem metade de suas artes todas, que ele é danado de arteiro, mas adoro a criatura assim mesmo… Contei mais algumas, e riram muito. E também perguntaram se Silvana era de verdade.

Na saída, me levaram para ver as ilustrações dos meninos para minhas crônicas. De grande espírito prático, para me livrar das abelhas instalaram as grades nas janelas. E me deram dois lindos presentes: um cartão muito engraçadinho, com carta anexada assinada por eles todos, e o livro da Soninha Bridi, que é de Caçador, SC. Eles não sabiam, mas ela foi minha aluna há uns 20 anos, Seu livro se chama “Laowai”, que significa “Estrangeiro”, sobre seus dois anos como correspondente da Rede Globo na China.

Guardei o livro, bem faceira, e reservei-o para ler no avião – estava vindo para a Paraíba, de onde escrevo, e é viagem comprida, mesmo se aérea. Pois gostei muito, podem crer. Soninha sempre escreveu bem, é original e criativa, e o livro alterna informações sérias com aspectos de sua vida cotidiana, alegrias, dificuldades, doenças. Leve, gostoso de ler, e mesmo assim denso.

Com ela descobri que sou chinesa em algumas coisas: a alegria é pública, mas a dor só habita o espaço privado. Não se elogia muito os filhos, pois os deuses ficam com inveja, e eles acabam achando que não precisam se esforçar para conseguir as coisas. Em um aspecto não sou nada chinesa: se de início reluto um pouco em abraços e beijos, passado o primeiro contato gosto muito de tocar nas pessoas…

E aprendi ainda que em outros aspectos tenho muito dos japoneses. Mesmo nos dias de hoje, eles são de sair e deixar a casa sem chavear, desembarcar e deixar o carro aberto. Acreditam, como eu, que a sociedade humana deveria se basear na honestidade e na confiança mútuas. Sim, eles têm polícia eficiente, e os infratores são apanhados e punidos. Mas é uma pena que eles existam, vocês não acham?

Um dia de bronca!

Tânia Huff criou, em livros, uma detetive chamada Vicki Nelson, amada pelos adolescentes americanos. Vicki era policial, saiu da força regular e foi ser investigadora particular. De característico, o fato de que se envolve com um vampiro - jovem e bonito - e seus casos sempre apresentam esses seres, demônios, lobisomens, feiticeiros, fantasmas e até a Medusa ali apareceu, como dona de uma boate, transformando homens em estátuas de pedra.

Um canal da TV a cabo anunciou a série, fui assistir - não dá pra ler tudo, e às vezes os livros demoram a ser traduzidos. A série chamada “Blood Ties” é meio tolinha, como se poderia supor, mas os atores são simpáticos, bonitos, e é bem produzida. De vez em quando assisto, para ver o tratamento do tema para um público específico, a tal audiência segmentada de que se fala agora.

Sábado foi dia, me lembrei a tempo, peguei um refri, amendoins, fui pro sofá… e desisti no segundo segmento. Não, não estava ruim. Estava sem legenda, apenas isso. Acompanhar as falas em inglês exige uma atenção danada, me cansa, não creio que valesse o esforço. Achei um desrespeito para com o telespectador, e fui zapeando, atrás de outra coisa - afinal, não queria perder nem refri nem amendoins.

Achei um documentário sobre serial killers, em outro canal. Sim, bem sei, tenho um gosto meio estranho. Estes monstros humanos - o que inclui Hitler, Átila, o conde Drakul e muitos outros - exercem fascínio não só sobre mim, mas sobre muita gente. O documentário estava muito bom, entrevistas ótimas, bem editado, interessante e atualizado. Havia legendas em português em algumas partes, as faladas em inglês, mas nas outras havia narradora… em espanhol. Sem legenda. Tudo bem pra mim, mas os outros espectadores, os que não entendam espanhol, como ficam? Muitos dos canais usam um mesmo tradutor para as duas línguas - e isso acaba dando em desastre, nem portunhol é.

No domingo, em outro canal, há uma série policial chamada Numb3rs (é, assim mesmo) na qual um gênio da matemática assessora o FBI, série muito improvável, mas inteligente. (Aliás, diga-se de passagem, nos EUA os melhores roteiristas parecem estar trabalhando para a TV). De novo sem legenda! É dose! É compreensível que aficcionados de certas séries as traduzam e disponibilizem as legendas na internet: não dá pra agüentar tanta incompetência, com as exceções de praxe.

O engraçado é que os canais vivem se desculpando pelos erros, mas nada fazem para corrigi-los. As legendas são apenas um dos problemas, mas acabam se configurando em um problemão. Erros de tradução, erros de português, a crase estuprada a cada minuto. Até nas vinhetas acaba-se dando com coisas assim: “todo segunda”, em que se mistura português com espanhol. É dose!

E nem se fala do mesmo filme passando em três canais ao mesmo tempo (campeões do mês: “Hellboy”, “Legalmente Loira” e “Zorro”), dos episódios das séries repetidos “n” vezes, do primeiro segmento passando duas vezes em seguida no mesmo horário, e nada de passarem o segundo, das séries de sucesso mudando para os melhores horários, ocupando montes de espaço na grade, ad nauseam.

Muitos dos canais passam propagandas infinitas da HBO, e assisti a tantas chamadas e making offs da série brasileira Alice, que fiquei enjoada dela, sem ter visto nenhum dos episódios. Não vi… e não gostei! Canais desaparecem sem aviso, embora a programação conste da grade da emissora… e outros entram sem aviso, também.

Sou pessoa bem-humorada, mas já disse mais de uma vez: não tenho vergonha de brigar. Respeito é bom, e a gente gosta.

(publicada no Anexo, do AN. 13/11/2008. p. 3)