Tânia Huff criou, em livros, uma detetive chamada Vicki Nelson, amada pelos adolescentes americanos. Vicki era policial, saiu da força regular e foi ser investigadora particular. De característico, o fato de que se envolve com um vampiro - jovem e bonito - e seus casos sempre apresentam esses seres, demônios, lobisomens, feiticeiros, fantasmas e até a Medusa ali apareceu, como dona de uma boate, transformando homens em estátuas de pedra.
Um canal da TV a cabo anunciou a série, fui assistir - não dá pra ler tudo, e às vezes os livros demoram a ser traduzidos. A série chamada “Blood Ties” é meio tolinha, como se poderia supor, mas os atores são simpáticos, bonitos, e é bem produzida. De vez em quando assisto, para ver o tratamento do tema para um público específico, a tal audiência segmentada de que se fala agora.
Sábado foi dia, me lembrei a tempo, peguei um refri, amendoins, fui pro sofá… e desisti no segundo segmento. Não, não estava ruim. Estava sem legenda, apenas isso. Acompanhar as falas em inglês exige uma atenção danada, me cansa, não creio que valesse o esforço. Achei um desrespeito para com o telespectador, e fui zapeando, atrás de outra coisa - afinal, não queria perder nem refri nem amendoins.
Achei um documentário sobre serial killers, em outro canal. Sim, bem sei, tenho um gosto meio estranho. Estes monstros humanos - o que inclui Hitler, Átila, o conde Drakul e muitos outros - exercem fascínio não só sobre mim, mas sobre muita gente. O documentário estava muito bom, entrevistas ótimas, bem editado, interessante e atualizado. Havia legendas em português em algumas partes, as faladas em inglês, mas nas outras havia narradora… em espanhol. Sem legenda. Tudo bem pra mim, mas os outros espectadores, os que não entendam espanhol, como ficam? Muitos dos canais usam um mesmo tradutor para as duas línguas - e isso acaba dando em desastre, nem portunhol é.
No domingo, em outro canal, há uma série policial chamada Numb3rs (é, assim mesmo) na qual um gênio da matemática assessora o FBI, série muito improvável, mas inteligente. (Aliás, diga-se de passagem, nos EUA os melhores roteiristas parecem estar trabalhando para a TV). De novo sem legenda! É dose! É compreensível que aficcionados de certas séries as traduzam e disponibilizem as legendas na internet: não dá pra agüentar tanta incompetência, com as exceções de praxe.
O engraçado é que os canais vivem se desculpando pelos erros, mas nada fazem para corrigi-los. As legendas são apenas um dos problemas, mas acabam se configurando em um problemão. Erros de tradução, erros de português, a crase estuprada a cada minuto. Até nas vinhetas acaba-se dando com coisas assim: “todo segunda”, em que se mistura português com espanhol. É dose!
E nem se fala do mesmo filme passando em três canais ao mesmo tempo (campeões do mês: “Hellboy”, “Legalmente Loira” e “Zorro”), dos episódios das séries repetidos “n” vezes, do primeiro segmento passando duas vezes em seguida no mesmo horário, e nada de passarem o segundo, das séries de sucesso mudando para os melhores horários, ocupando montes de espaço na grade, ad nauseam.
Muitos dos canais passam propagandas infinitas da HBO, e assisti a tantas chamadas e making offs da série brasileira Alice, que fiquei enjoada dela, sem ter visto nenhum dos episódios. Não vi… e não gostei! Canais desaparecem sem aviso, embora a programação conste da grade da emissora… e outros entram sem aviso, também.
Sou pessoa bem-humorada, mas já disse mais de uma vez: não tenho vergonha de brigar. Respeito é bom, e a gente gosta.
(publicada no Anexo, do AN. 13/11/2008. p. 3)
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