(pro Renan)
Tem sentidos fortes
O uso entrega
Carnalidade, lama
Boceta, greta, falo
Dedo, clitóris, porra
Pênis, prepúcio, língua
Respiração louca
Orgasmo
Perseguição
Deste prazer
Que se esgota ali
(mas outro virá
No insaciável querer)
Desejo tão grande,
Quase dor
Corpos se atraem
Se fingindo desatentos
Um do outro
Assim como as palavras
Em seu cio
Poético
Quando foder é lindo
E o prazer, sublime e eterno.
Lindo!
Este poema surgiu de uma discussão com aluno de oficina de textos. Poeta, ele dizia que não dava pra colocar palavrão em poema, que
não cabia. Olhei-o espantada: mas é claro que cabe… E não precisa ser nada pornográfico ou erótico.
O Ferreira Gullar usa a palavra “merda” e, mais adiante, em outro poema, diz “Vou introduzir na poesia a palavra diarréia” . Diarréia não é palavrão, mas é pior do que se fosse.
Ele ficou em dúvida, e eu, para lhe provar o ponto de vista, escrevi este poema. E gosto dele…
Palavras são representações,são neutras, os preconceitos dos falantes é que lhes põem marcas negativas, já diz o Bakhtin, embora não com estas palavras.
bj